CONTROLE BIOLÓGICO DO MOFO CINZENTO DA ROSEIRA

Marcelo A. B. Morandi
Pesquisador Embrapa Meio Ambiente
e-mail: mmorandi@cnpma.embrapa.br

O mofo cinzento é um dos principais problemas fitossanitários da cultura da roseira e outras ornamentais. A doença é causada por um fungo (Botrytis cinerea) que ataca as folhas, hastes e flores. Nas flores, ele provoca o apodrecimento das pétalas que ficam recobertas por uma camada cinza de estruturas do fungo, daí o nome da doença. Os sintomas começam por pequenos pontos de coloração avermelhada nas pétalas (figura 1) que evoluem para todo o botão causando rapidamente o apodrecimento deste (figura 2). O fungo sobrevive nos restos culturais, ou seja, as folhas, pétalas, pedaços de hastes etc. que caem da planta ou são podadas e permanecem na superfície do solo. Nestes restos, o fungo se multiplica e produz os esporos que poderão ser levados pelo vento, pela água ou por insetos até os novos botões e assim causar novo ciclo da doença. Os problemas são mais severos em clima úmido e com temperaturas noturnas mais amenas (em torno de 20ºC). Em cultivo protegido (estufas), em geral, a doença causa mais problemas.
Tradicionalmente, o controle da doença em plantações comerciais é feito com aplicação de fungicidas. Entretanto, nem sempre o controle é satisfatório e, o uso excessivo destes produtos, pode provocar vários efeitos indesejáveis, como o aumento do custo de produção, o crescimento da poluição ambiental, e a seleção e predominância de isolados do fungo resistentes aos fungicidas.
Com o objetivo de se buscar alternativas para se reduzir estes problemas, a Embrapa Meio Ambiente desenvolve um projeto de pesquisa para identificar e selecionar “inimigos naturais” (agentes de controle biológico) contra o patógeno. Entre os mais promissores, destaca-se um outro fungo, denominado Clonostachys rosea (figura 3). Os resultados têm sido muito animadores, principalmente nos cultivos em estufas. Quando aplicado aos restos culturais, este fungo impede que o patógeno se reproduza e complete seu ciclo de vida. Por ser um fungo saprófita, ou seja, que vive em material vegetal em decomposição, C. rosea não causa qualquer sintoma nas plantas. Espera-se que em breve a tecnologia esteja disponível para os produtores.
O projeto conta com o apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento).


Figura 1 – Sintomas iniciais do mofo cinzento em botões de rosa


Figura 2 – Apodrecimento do botão e esporulação do patógeno


Figura 3 – Clonostachys rosea em cultura pura


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