O
mofo cinzento é um dos principais problemas fitossanitários
da cultura da roseira e outras ornamentais. A doença
é causada por um fungo (Botrytis cinerea) que ataca
as folhas, hastes e flores. Nas flores, ele provoca o
apodrecimento das pétalas que ficam recobertas
por uma camada cinza de estruturas do fungo, daí
o nome da doença. Os sintomas começam por
pequenos pontos de coloração avermelhada
nas pétalas (figura 1) que evoluem para todo o
botão causando rapidamente o apodrecimento deste
(figura 2). O fungo sobrevive nos restos culturais, ou
seja, as folhas, pétalas, pedaços de hastes
etc. que caem da planta ou são podadas e permanecem
na superfície do solo. Nestes restos, o fungo se
multiplica e produz os esporos que poderão ser
levados pelo vento, pela água ou por insetos até
os novos botões e assim causar novo ciclo da doença.
Os problemas são mais severos em clima úmido
e com temperaturas noturnas mais amenas (em torno de 20ºC).
Em cultivo protegido (estufas), em geral, a doença
causa mais problemas.
Tradicionalmente, o controle da doença em plantações
comerciais é feito com aplicação
de fungicidas. Entretanto, nem sempre o controle é
satisfatório e, o uso excessivo destes produtos,
pode provocar vários efeitos indesejáveis,
como o aumento do custo de produção, o crescimento
da poluição ambiental, e a seleção
e predominância de isolados do fungo resistentes
aos fungicidas.
Com o objetivo de se buscar alternativas para se reduzir
estes problemas, a Embrapa Meio Ambiente desenvolve um
projeto de pesquisa para identificar e selecionar “inimigos
naturais” (agentes de controle biológico) contra
o patógeno. Entre os mais promissores, destaca-se
um outro fungo, denominado Clonostachys rosea (figura
3). Os resultados têm sido muito animadores, principalmente
nos cultivos em estufas. Quando aplicado aos restos culturais,
este fungo impede que o patógeno se reproduza e
complete seu ciclo de vida. Por ser um fungo saprófita,
ou seja, que vive em material vegetal em decomposição,
C. rosea não causa qualquer sintoma nas plantas.
Espera-se que em breve a tecnologia esteja disponível
para os produtores.
O projeto conta com o apoio da FAPESP (Fundação
de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo)
e do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento).

Figura 1 – Sintomas iniciais
do mofo cinzento em botões de rosa

Figura 2 – Apodrecimento do botão e esporulação
do patógeno

Figura
3 – Clonostachys rosea em cultura pura