Dentre
a diversidade das famílias de plantas que compõem
a flora nativa da Amazônia, as leguminosas representam
o grupo mais importante dentre os tipos lenhosos, abrangendo
o maior número de espécies e gêneros.
Um aspecto de importância agronômica, deve-se
à capacidade que muitas espécies desta família
têm de se associar com bactérias fixadoras
de nitrogênio, destacando-se os gêneros Rhizobium,
Bradyrhizobium e Azorhizobium. Este
processo, chamado fixação biológica
do nitrogênio, envolve uma série de mecanismos
complexos e é fundamental para a agricultura, pois
simboliza a transformação do nitrogênio
gasoso, existente na atmosfera, para uma forma assimilável
pelas plantas e todos os seres vivos do planeta.
A fixação biológica do nitrogênio
representa assim, a principal fonte de ingresso do nitrogênio
em ecossistemas terrestres podendo, nos sistemas agrícolas,
suprir toda necessidade da adubação nitrogenada
das plantas, se a seleção de genótipos
de plantas leguminosas tiver sido realizada sem adubação
nitrogenada. Esta possibilidade oportuniza a utilização
dessas plantas na recuperação de áreas
degradadas, especialmente nas regiões tropicais
onde o nitrogênio é, em geral, limitante.
Várias leguminosas são usadas na agricultura
e, no Brasil, as mais importantes para a produção
de grãos são a soja (Glycine max),
o feijão (Phaseolus vulgaris), o amendoim
(Arachis hypogea) e a ervilha (Pisum
sativum). Dentre as espécies forrageiras podemos
citar o estilosantes (Stylosantes spp), a puerária
(Pueraria phaseoloides) e entre as espécies
arbóreas o ingá (Inga spp), o taxi-branco
(Sclerolobium paniculatum) e o pau-rainha (Centrolobium
paraense).
Desta forma, essas espécies têm contribuído
consideravelmente para o fornecimento do nitrogênio
nos sistemas agrícolas, reduzindo a necessidade
de aplicação de fertilizantes nitrogenados
e gerando vantagens econômicas e ambientais. O feijão,
por exemplo, em associação com bactérias
do gênero Rhizobium, pode fixar até 110 kg
de N/ha/ano e a soja, juntamente com as do gênero
Bradyrhizobium, até 170 kg de N/ha/ano.
No processo de desenvolvimento de alternativas para a
utilização das áreas alteradas de
sua condição natural e que se encontram
em processo de abandono, a utilização de
espécies leguminosas, seja compondo sistemas com
espécies anuais e perenes ou em plantios homogêneos,
está associada com sua capacidade de acumular fitomassa
e nutrientes de forma abundante, possibilitando assim
a habilitação dessas áreas a um novo
ciclo produtivo de cultivos, num período de tempo
menor do que aquele normalmente esperado para a recuperação
natural do solo. Desta forma a função que
estas espécies podem desempenhar nos solos tropicais
está fundamentada, sobretudo, no manejo e recuperação
dessas áreas, mitigando os efeitos causados pela
queima da vegetação e reconstruindo vias
para a sustentabilidade dos recursos naturais.
A Embrapa Roraima iniciou suas atividades com leguminosas
em 1986, no cerrado, e em 1995 em ecossistema de mata.
O foco, para essas iniciativas, esteve direcionado para
avaliar a contribuição dessas espécies
no fornecimento de nitrogênio para outras culturas
com elas associadas, e para a verificação
das alterações nas características
químicas e físicas do solo cultivado com
diferentes leguminosas. Em área de capoeira, na
região do Confiança, município do
Cantá, foram avaliados sete tipos arbóreos
de leguminosas e, os resultados deste estudo demonstraram
que a contribuição dessas espécies,
quanto ao aporte de nutrientes ao solo, oportuniza outras
práticas de manejo que melhor condicionam os fatores
de produção da pequena propriedade.
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Eng.Agrôn., D.Sc., Pesquisadora da
Embrapa Roraima