LEGUMINOSAS E FATORES POTENCIALIZADORES PARA A RECUPERAÇÃO DE
ÁREAS ALTERADAS NA AMAZÔNIA

Jane Maria Franco de Oliveira1

Dentre a diversidade das famílias de plantas que compõem a flora nativa da Amazônia, as leguminosas representam o grupo mais importante dentre os tipos lenhosos, abrangendo o maior número de espécies e gêneros. Um aspecto de importância agronômica, deve-se à capacidade que muitas espécies desta família têm de se associar com bactérias fixadoras de nitrogênio, destacando-se os gêneros Rhizobium, Bradyrhizobium e Azorhizobium. Este processo, chamado fixação biológica do nitrogênio, envolve uma série de mecanismos complexos e é fundamental para a agricultura, pois simboliza a transformação do nitrogênio gasoso, existente na atmosfera, para uma forma assimilável pelas plantas e todos os seres vivos do planeta.

A fixação biológica do nitrogênio representa assim, a principal fonte de ingresso do nitrogênio em ecossistemas terrestres podendo, nos sistemas agrícolas, suprir toda necessidade da adubação nitrogenada das plantas, se a seleção de genótipos de plantas leguminosas tiver sido realizada sem adubação nitrogenada. Esta possibilidade oportuniza a utilização dessas plantas na recuperação de áreas degradadas, especialmente nas regiões tropicais onde o nitrogênio é, em geral, limitante. Várias leguminosas são usadas na agricultura e, no Brasil, as mais importantes para a produção de grãos são a soja (Glycine max), o feijão (Phaseolus vulgaris), o amendoim (Arachis hypogea) e a ervilha (Pisum sativum). Dentre as espécies forrageiras podemos citar o estilosantes (Stylosantes spp), a puerária (Pueraria phaseoloides) e entre as espécies arbóreas o ingá (Inga spp), o taxi-branco (Sclerolobium paniculatum) e o pau-rainha (Centrolobium paraense).

Desta forma, essas espécies têm contribuído consideravelmente para o fornecimento do nitrogênio nos sistemas agrícolas, reduzindo a necessidade de aplicação de fertilizantes nitrogenados e gerando vantagens econômicas e ambientais. O feijão, por exemplo, em associação com bactérias do gênero Rhizobium, pode fixar até 110 kg de N/ha/ano e a soja, juntamente com as do gênero Bradyrhizobium, até 170 kg de N/ha/ano.

No processo de desenvolvimento de alternativas para a utilização das áreas alteradas de sua condição natural e que se encontram em processo de abandono, a utilização de espécies leguminosas, seja compondo sistemas com espécies anuais e perenes ou em plantios homogêneos, está associada com sua capacidade de acumular fitomassa e nutrientes de forma abundante, possibilitando assim a habilitação dessas áreas a um novo ciclo produtivo de cultivos, num período de tempo menor do que aquele normalmente esperado para a recuperação natural do solo. Desta forma a função que estas espécies podem desempenhar nos solos tropicais está fundamentada, sobretudo, no manejo e recuperação dessas áreas, mitigando os efeitos causados pela queima da vegetação e reconstruindo vias para a sustentabilidade dos recursos naturais.

A Embrapa Roraima iniciou suas atividades com leguminosas em 1986, no cerrado, e em 1995 em ecossistema de mata. O foco, para essas iniciativas, esteve direcionado para avaliar a contribuição dessas espécies no fornecimento de nitrogênio para outras culturas com elas associadas, e para a verificação das alterações nas características químicas e físicas do solo cultivado com diferentes leguminosas. Em área de capoeira, na região do Confiança, município do Cantá, foram avaliados sete tipos arbóreos de leguminosas e, os resultados deste estudo demonstraram que a contribuição dessas espécies, quanto ao aporte de nutrientes ao solo, oportuniza outras práticas de manejo que melhor condicionam os fatores de produção da pequena propriedade.

1 Eng.Agrôn., D.Sc., Pesquisadora da Embrapa Roraima


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