Pó de rocha será nova fonte de potássio para agricultura

Vivian de Moraes¹


O Brasil importa cerca 90% do potássio que utiliza como nutriente para agricultura, o que custou, em 2000, 586,2 milhões de dólares à nossa balança comercial. Um projeto inédito coordenado pela Embrapa, em parceria com mais quatro instituições, busca uma alternativa nacional ao problema: o pó de rochas brasileiras que, moídas, liberam potássio no solo, como fonte de nutriente para as plantas, a baixo custo.

Este é o terceiro projeto de estudo na área. Os dois anteriores foram coordenados pela UnB e desenvolvidos em parceria com a Embrapa Cerrados (Planaltina-DF). Na primeira etapa, de 1998 a 2000, foram estudadas rochas de Catalão-GO como fonte de potássio, corretivos de acidez, micronutrientes e silício. Na segunda, que começou em 2001 e está se encerrando neste ano, são estudadas rochas brasileiras silicáticas como fontes de potássio de três município: Lajes-SC, Rio Verde-GO e Itabira-MG.

A partir do ano que vem, será iniciado um novo projeto, coordenado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Serão doze unidades da empresa participantes em todo o país. Os parceiros serão a Universidade de Brasília, a Universidade Federal da Bahia, o Centro de Tecnologia Mineral – Cetem e a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola – EBDA.

A pesquisa será feita nas regiões Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul. De acordo com o coordenador do projeto, Éder de Souza Martins, pesquisador da Embrapa Cerrados, serão estudados os minerais biotita e flogopita, que são fontes de potássio no solo quando moídos em grãos finos.

"Nas duas primeiras etapas da pesquisa, já descobrimos que essas rochas têm potencial de uso agrícola. Agora, precisamos fazer testes em casas de vegetação e campos experimentais", explica Martins. A idéia é observar como as rochas se adaptam a cada região, além de buscar novas áreas de ocorrência.

O pesquisador destaca que um aspecto importante é que parte das rochas estudadas são rejeitos de garimpos de pedras preciosas, o que também soluciona, em parte, um problema ambiental. Além disso, o beneficiamento é físico, já que essas rochas serão moídas e seu pó incorporadas ao solo, para liberação de potássio. Não há processamento químico para a retirada do nutriente. Trata-se da mesma tecnologia utilizada na produção do calcário agrícola.

Como a concentração de potássio nessas rochas varia de 2% a 6%, o transporte entre longas distâncias inviabiliza sua utilização do ponto de vista econômico. Daí a necessidade de um estudo em rede, em toda a área nacional onde há incidência desses minérios, para que o transporte seja local ou regional, de baixo custo.

A pesquisa também pretende avaliar a forma como o potássio será liberado no solo. Martins explica que parte do nutriente tem liberação rápida, mas outra parte é liberada a longo prazo. Na sua opinião, isso poderia beneficiar culturas perenes e o sistema de integração lavoura-pecuária, mas ainda é necessário esclarecer os benefícios que o pó de rocha pode trazer para as culturas anuais. Um estudo incluído no projeto é a liberação de elementos-traços, como micronutrientes e elementos químicos não essenciais à planta que, de acordo com cada cultura, podem ser prejudiciais ao vegetal a partir de certa quantidade.

Martins aponta também que a viabilização da utilização do pó de rocha como fonte de potássio na agricultura fortaleceria pequenas mineradoras nacionais e geraria empregos, já que agregaria valor ao que, até agora, era apenas rejeito de mineração. "Agora olhamos para essas rochas como minério e elas passaram a ter valor". Ele acredita também que a agricultura familiar seria beneficiada com a tecnologia, já que o pó de rocha poderia ser utilizada em pequenas áreas e em grandes dosagens a baixo custo, desde que sua propriedade rural estivesse situada próxima a uma área de ocorrência da rocha.

O projeto, que terá duração de três anos, será financiado por dois fundos setoriais do Ministério da Ciência e Tecnologia: o Fundo Mineral e o Fundo do Agronégocio, além de recursos da Embrapa.

¹ Embrapa Cerrados
Contato: vivian@cpac.embrapa.br


<< Voltar aos Artigos


Sugestões e comentários sobre este portal: rosmari@floraefauna.com
Copyright © 2004 - 2007 - Flora e Fauna. Todos os direitos reservados.