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Luziânia,
a Nova Cultivar de Soja para Roraima |
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O Brasil é o segundo maior produtor mundial de
soja com, aproximadamente, 51 milhões de toneladas
produzidas em 2003, sendo exportados em torno de 17,2
milhões de toneladas, o que corresponde a 35,4%
do total da comercialização mundial. Aproximadamente
40% da produção brasileira advém
dos cultivos nas áreas de cerrado, o que demonstra
ser esta leguminosa, adaptada às condições
edafoclimáticas deste ecossistema.
Com uma área de aproximadamente 1,5 milhões
de hectares de cerrado apto para a produção
de grãos, presença de uma estrutura viária
suficiente para escoamento, energia elétrica abundante,
um programa de incentivos fiscais e extrafiscais definido
e uma localização geográfica privilegiada,
em relação aos mercados, o estado de Roraima
caracteriza-se como uma nova fronteira agrícola.
Complementam os atrativos da região o baixo preço
das terras, a facilidade de mecanização
para as áreas de cultivo, disponibilidade de uma
base tecnológica para a produção
e o alto potencial de produtividade das culturas já
identificado pela Embrapa.
Produtores de várias regiões do país
tem visitado o Estado em busca de informações,
sendo que muitos deles estão se fixando aqui para
a exploração das culturas de grãos,
em especial a soja, pelos resultados obtidos em trabalhos
de pesquisa e pela divulgação da mídia,
bem como por entenderem que esta cultura apresenta as
melhores perspectivas de competitividade quanto aos mercados
importadores da Venezuela, Estados Unidos da América,
Europa e Ásia.
Para produzir quantidade e qualidade de grãos,
de forma a competir com esses mercados, faz-se necessário
vencer alguns obstáculos. Um deles é a inexistência
de um mercado estabilizado, tanto para compra de insumos
como para venda da produção, gerando distorções
nos preços de comercialização, principalmente
de insumos, onerando o processo produtivo. Outro é
a baixa fertilidade natural dos solos que exige altos
investimentos iniciais na sua construção.
Existem duas maneiras para vencer esses obstáculos,
a produção em escala, como forma de estabilizar
preço e a busca de altas produtividades já
nas áreas de abertura. Para isso, são necessárias
cultivares de soja adaptadas para essa condição.
A Embrapa Roraima ,em parceria com a Embrapa Soja e AGENCIARURAL,
desenvolveu uma cultivar com esse propósito. Assim,
procurando tornar o sistema produtivo de soja, nos cerrados
de Roraima mais eficiente obteve-se a BRS Luziânia,
que é uma cultivar desenvolvida em 1993 pela AGENCIARURAL,
na estação experimental de Goiânia,
em Goiás. Essa cultivar tem como origem uma planta
selecionada na população F4 do cruzamento
entre Braxton x {FT-5 x [Dourados- 1 (5) x SS- 1]}, e
foi obtida pelo método genealógico modificado.
O cruzamento e avanço de gerações
até linhagem realizou-se na Embrapa Soja. A cultivar
BRSGO Luziânia foi inicialmente indicada para cultivo
em Goiás, Distrito Federal e Bahia, depois para
Minas Gerais e no último ano estendida para Roraima.
Em Roraima foi introduzida e avaliada nos ensaios de competição
regionais Norte/Nordeste, liderados pela Embrapa Soja,
e testada pela Embrapa Roraima no período de 2001
a 2003. Devido ao seu bom desempenho produtivo e por apresentar
características agronômicas desejáveis
foi indicada para plantio nas áreas de cerrado
do estado a partir de 2003.
A produtividade
média alcançada pela cultivar nos três
anos de teste foi de 3.300 kg.ha-1, 3% superior ao obtido
pela cultivar Mirador (cultivar padrão), que
produziu 3.205 kg.ha-1. Esta produtividade média
obtida com a cultivar, permite ao produtor maior retorno
financeiro ao investimento feito para seu cultivo. A
BRS Luziânia apresenta características
agronômicas desejáveis para o cultivo nos
cerrados do estado, mesmo em solos de abertura, quando
corrigidos e adubados adequadamente. Essas características
são: altura de planta e de inserção
da primeira vagem; resistência ao cancro da haste,
deiscência de vagens e acamamento e boa produtividade.
Recomenda-se, portanto, seu cultivo nas áreas
de cerrado do Estado com uma população
de 300 mil plantas.ha-1, em áreas de primeiro
ano e, 280 mil plantas.ha-1 em áreas de um ou
mais anos de plantio (28 a 30 plantas.m-2), em solos
corrigidos adequadamente com calcário, fósforo,
potássio e micronutrientes.
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Pesquisador
da Embrapa Roraima - vicente@cpafrr.embrapa.br |
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