Por:
Bernardo de Almeida Halfeld Vieira |
1 |
O cancro cítrico é um dos principais problemas
da citricultura mundial. É uma doença causada
por uma bactéria proveniente do sudeste asiático
e foi constatada no Brasil pela primeira vez na cidade
de Presidente Prudente-SP, em 1957. Rapidamente se disseminou
para outros Estados. Atualmente encontra-se em São
Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Medidas de erradicação em Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais obtiveram sucesso,
sendo agora estes Estados considerados áreas isentas.
A importância da doença se deve ao fato da
bactéria causar grandes danos às plantas
e não ser eficientemente controlada pelo uso de
defensivos agrícolas. Também pela facilidade
de disseminação a curtas distâncias
por chuvas com vento e a longas distâncias por movimentação
de material vegetal. O cancro cítrico é
reconhecido pelos sintomas em folhas, ramos e frutos.
Quando a planta tem a doença são observadas
lesões salientes e rugosas, de cor marrom-escura,
semelhantes a uma camada de cortiça. Nas folhas,
as lesões são observadas nas duas faces,
havendo também um halo amarelado ao redor, o mesmo
sintoma ocorre em frutos. Estas são as principais
características que diferenciam o cancro cítrico
de outras doenças comuns como a leprose e verrugose.
A ocorrência da larva minadora dos citros, um inseto
que faz galerias dentro das folhas, agrava os problemas.
Este inseto pode carregar consigo, planta a planta, a
bactéria. São observados com freqüência
os caminhos que a larva contaminada faz na folha, acompanhados
pela camada de cortiça. O cancro cítrico
foi constatado em Roraima em setembro de 2002, em plantas
de limão Galego na região do Monte Cristo,
município de Boa Vista. Desde então, técnicos
da Secretaria de Agricultura e do Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento vêm
somando esforços na localização e
erradicação dos focos de plantas com cancro
cítrico no Estado. Muito já foi feito. Entretanto,
a presença de plantas doentes em propriedades residenciais
dificulta o avanço do programa de erradicação.
Outra dificuldade é o trânsito de material
vegetal com a doença. A bactéria pode ser
disseminada em mudas, frutos, folhas, galhos contaminados
e sobrevive por períodos variáveis em caixotes
utilizados para colheita e transporte. Por isso há
riscos na re-introdução sistemática
de material de citros proveniente de outras regiões
do país em que a doença ocorra. Não
menos relevante é o intercâmbio de material
seja de propriedades com plantios comerciais ou caseiros.
Estes fatores retardam o êxito do programa de erradicação.
Os riscos para o agronegócio decorrentes da presença
do cancro cítrico é preocupante, pois pode
implicar em restrições comerciais. Neste
aspecto, destaca-se a importância da participação
da sociedade nesta empreitada, informando aos técnicos
locais do serviço de extensão se há
suspeitas da ocorrência do cancro cítrico
em sua propriedade. Comerciantes que vendem produtos como
laranja e limão, ao observarem frutos com sintomas
de cancro também podem contribuir, incentivando
os fornecedores a procurar orientações junto
aos técnicos.
O ingresso de material vegetal proveniente de outros Estados
e dos países vizinhos constitui um risco constante.
Para citros deve-se atentar para algumas doenças
de grande importância que ainda não ocorrem
em Roraima, mas têm causado sérios prejuízos
nas principais regiões produtoras do país.
Consideremos as perdas anuais estimadas em cerca de 100
milhões de dólares decorrentes da clorose
variegada dos citros (CVC) e a expansão de outras
doenças importantes como o greening, constatado
no Brasil em 2004, no Estado de São Paulo e a morte
súbita do citros, doença de causa ainda
não elucidada.
1 |
Pesquisador
Doutor em Fitopatologia - ( halfeld@cpafrr.embrapa.br
)
|