José Nilton Medeiros Costa
César Augusto Domingues Teixeira
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Em
Rondônia, a broca-do-café é a maior
responsável pela redução da produtividade
e preço do café. A praga provoca severos
prejuízos ao produto, como perda de peso dos grãos;
perda na classificação por tipo, e perda
de mercado externo, uma vez que os países importadores
não aceitam café broqueado. Portanto, torna-se
fundamental o controle dessa praga no Estado, haja vista
a expressividade de sua incidência em lavouras de
café Conilon, como também o mercado de café
tende a ser mais está exigente em relação
à qualidade.
Além das condições prevalecentes
na região por ocasião da frutificação
do cafeeiro, umidade e temperatura elevadas, que são
favoráveis ao ataque da praga, os baixos preços
do café em safras passadas, motivou o abandono
de cafezais e colheitas mal feitas. Mesmo os cafeeiros
bem colhidos sofrem riscos de infestação
da praga, se estão localizados próximos
de lavouras abandonadas ou que foram mal colhidas, pois
a broca fêmea (única que voa) pode voar cerca
de 350 m, indo de uma planta a outra para perfurar e infestar
novos frutos.
A maneira mais adequada para acompanhar a infestação
da broca e realizar o controle no momento oportuno, é
fazer amostragem mensal na lavoura. A primeira amostragem
deve ser iniciada em novembro, e a última, cerca
de 70 dias antes da colheita, pois caso seja necessário
à realização de controle químico,
respeitar-se-á o período de carência
do Endosulfan, inseticida mais eficiente para esse fim.
Outra indicação para iniciar a amostragem
é quando os frutos estiverem na fase de chumbo
e chumbões, período em que as sementes já
estão formadas, sendo a fase em que a broca perfura
o fruto e pode ovipositar.
Como fazer a amostragem na lavoura? Deve-se percorrer
o talhão em zig-zag e tirando de cada planta escolhida
ao acaso, 20 frutos (5 em cada face da planta). O número
de plantas a ser amostrado depende do tamanho do talhão.
Para um talhão com 1.000 plantas, amostra-se no
mínimo 30 plantas; num talhão com 1.000
a 3.000 plantas, 50 plantas devem ser amostradas; se o
talhão tem 3.000 a 5.000 plantas, amostra-se 75
plantas; e acima de 5.000 plantas, deve-se amostrar 1,5%
das plantas.
Os frutos de cada talhão formarão uma única
amostra. Em seguida, faz-se a separação
dos frutos brocados e não brocados para a determinação
da porcentagem de infestação. De forma prática,
o resultado da infestação será sempre
obtido, multiplicando-se o número de frutos brocados
por 100 e dividindo-se este resultado pelo número
total de frutos da amostra.
O controle químico deve ser iniciado quando a infestação
atingir 3 a 5%. Deve ser realizado nas partes mais atacadas
da lavoura. Como o ataque não se distribui uniformemente,
recomenda-se o controle apenas para os talhões
cuja infestação da praga já tenha
atingido 3 a 5%. Procedendo-se dessa forma, evita-se gastos
desnecessários com mão-de-obra e inseticida,
e reduz-se os impactos relacionados ao uso de agrotóxicos.
Mesmo após o controle, o monitoramento deve continuar
e, se a infestação voltar a alcançar
o nível de controle, nova aplicação
deve ser feita, respeitando os limites de carência
do inseticida.
Detectada a necessidade de controle da praga, recomenda-se
o inseticida Endosulfan (Dissulfan CE, Endofan, Endosulfan
AG, Endosulfan Fersol 350 CE, Endosulfan Milenia 350 CE,
Thiodan CE, Thionex 350 CE) na dosagem de 1,5 a 2,0 l/ha.
Conforme experimentos conduzidos em Rondônia, duas
pulverizações entre novembro e março,
com intervalo de 30 dias entre a primeira e a segunda
pulverização, com os produtos e dosagem
indicada, são suficientes para o controle da broca-do-café.
Em decorrência de chuvas no período em que
é feito o controle químico, recomenda-se
adicionar espalhante adesivo a calda inseticida.
A redução do ataque da broca pode ser obtida
fazendo-se uma colheita bem feita e executando o repasse
na lavoura, para evitar que a praga sobreviva e passe
para os frutos novos da próxima safra. Devem-se
destruir os cafezais velhos e abandonados, nos quais a
broca encontra abrigo e se multiplica livremente. Torna-se
importante a conscientização dos vizinhos
para que o controle da broca seja realizado, evitando
a proliferação de focos para outras lavouras.
Tem se observado, em lavouras de diversos municípios
do Estado, a ocorrência de um fungo denominado Beauveria
bassiana, fazendo o controle da broca. É fácil
perceber a presença do fungo, que fecha o furo
feito pela broca na forma de um tufo branco. É
comum encontrar o referido tufo envolvendo uma broca morta
pelo fungo. Nas lavouras onde ocorre o fungo, recomenda-se
não fazer aplicação de defensivos,
a não ser que a infestação da broca
ultrapasse 3 a 5% dos frutos broqueados sem infecção
de B. bassiana.
A Embrapa Rondônia está pesquisando no intuito
de verificar a eficiência do fungo Beauveria bassiana,
produzido em laboratório, a partir de amostras
de brocas infectadas, coletadas em cafezais do interior
do Estado.
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Pesquisador
Embrapa Rondônia. Engenheiro Agrônomo,
M. Sc.
E-mail: jnilton@cpafro.embrapa.br
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Pesquisador
Embrapa Rondônia. Engenheiro Agrônomo,
D. Sc.
E-mail: cesar@cpafro.embrapa.br |