Broca-do-café: recomendações de controle para
safra 2004/2005 em Rondônia


José Nilton Medeiros Costa

César Augusto Domingues Teixeira

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Em Rondônia, a broca-do-café é a maior responsável pela redução da produtividade e preço do café. A praga provoca severos prejuízos ao produto, como perda de peso dos grãos; perda na classificação por tipo, e perda de mercado externo, uma vez que os países importadores não aceitam café broqueado. Portanto, torna-se fundamental o controle dessa praga no Estado, haja vista a expressividade de sua incidência em lavouras de café Conilon, como também o mercado de café tende a ser mais está exigente em relação à qualidade.

Além das condições prevalecentes na região por ocasião da frutificação do cafeeiro, umidade e temperatura elevadas, que são favoráveis ao ataque da praga, os baixos preços do café em safras passadas, motivou o abandono de cafezais e colheitas mal feitas. Mesmo os cafeeiros bem colhidos sofrem riscos de infestação da praga, se estão localizados próximos de lavouras abandonadas ou que foram mal colhidas, pois a broca fêmea (única que voa) pode voar cerca de 350 m, indo de uma planta a outra para perfurar e infestar novos frutos.

A maneira mais adequada para acompanhar a infestação da broca e realizar o controle no momento oportuno, é fazer amostragem mensal na lavoura. A primeira amostragem deve ser iniciada em novembro, e a última, cerca de 70 dias antes da colheita, pois caso seja necessário à realização de controle químico, respeitar-se-á o período de carência do Endosulfan, inseticida mais eficiente para esse fim. Outra indicação para iniciar a amostragem é quando os frutos estiverem na fase de chumbo e chumbões, período em que as sementes já estão formadas, sendo a fase em que a broca perfura o fruto e pode ovipositar.

Como fazer a amostragem na lavoura? Deve-se percorrer o talhão em zig-zag e tirando de cada planta escolhida ao acaso, 20 frutos (5 em cada face da planta). O número de plantas a ser amostrado depende do tamanho do talhão. Para um talhão com 1.000 plantas, amostra-se no mínimo 30 plantas; num talhão com 1.000 a 3.000 plantas, 50 plantas devem ser amostradas; se o talhão tem 3.000 a 5.000 plantas, amostra-se 75 plantas; e acima de 5.000 plantas, deve-se amostrar 1,5% das plantas.

Os frutos de cada talhão formarão uma única amostra. Em seguida, faz-se a separação dos frutos brocados e não brocados para a determinação da porcentagem de infestação. De forma prática, o resultado da infestação será sempre obtido, multiplicando-se o número de frutos brocados por 100 e dividindo-se este resultado pelo número total de frutos da amostra.

O controle químico deve ser iniciado quando a infestação atingir 3 a 5%. Deve ser realizado nas partes mais atacadas da lavoura. Como o ataque não se distribui uniformemente, recomenda-se o controle apenas para os talhões cuja infestação da praga já tenha atingido 3 a 5%. Procedendo-se dessa forma, evita-se gastos desnecessários com mão-de-obra e inseticida, e reduz-se os impactos relacionados ao uso de agrotóxicos. Mesmo após o controle, o monitoramento deve continuar e, se a infestação voltar a alcançar o nível de controle, nova aplicação deve ser feita, respeitando os limites de carência do inseticida.

Detectada a necessidade de controle da praga, recomenda-se o inseticida Endosulfan (Dissulfan CE, Endofan, Endosulfan AG, Endosulfan Fersol 350 CE, Endosulfan Milenia 350 CE, Thiodan CE, Thionex 350 CE) na dosagem de 1,5 a 2,0 l/ha. Conforme experimentos conduzidos em Rondônia, duas pulverizações entre novembro e março, com intervalo de 30 dias entre a primeira e a segunda pulverização, com os produtos e dosagem indicada, são suficientes para o controle da broca-do-café. Em decorrência de chuvas no período em que é feito o controle químico, recomenda-se adicionar espalhante adesivo a calda inseticida.

A redução do ataque da broca pode ser obtida fazendo-se uma colheita bem feita e executando o repasse na lavoura, para evitar que a praga sobreviva e passe para os frutos novos da próxima safra. Devem-se destruir os cafezais velhos e abandonados, nos quais a broca encontra abrigo e se multiplica livremente. Torna-se importante a conscientização dos vizinhos para que o controle da broca seja realizado, evitando a proliferação de focos para outras lavouras.

Tem se observado, em lavouras de diversos municípios do Estado, a ocorrência de um fungo denominado Beauveria bassiana, fazendo o controle da broca. É fácil perceber a presença do fungo, que fecha o furo feito pela broca na forma de um tufo branco. É comum encontrar o referido tufo envolvendo uma broca morta pelo fungo. Nas lavouras onde ocorre o fungo, recomenda-se não fazer aplicação de defensivos, a não ser que a infestação da broca ultrapasse 3 a 5% dos frutos broqueados sem infecção de B. bassiana.

A Embrapa Rondônia está pesquisando no intuito de verificar a eficiência do fungo Beauveria bassiana, produzido em laboratório, a partir de amostras de brocas infectadas, coletadas em cafezais do interior do Estado.


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Pesquisador Embrapa Rondônia. Engenheiro Agrônomo, M. Sc.
E-mail: jnilton@cpafro.embrapa.br
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Pesquisador Embrapa Rondônia. Engenheiro Agrônomo, D. Sc.
E-mail: cesar@cpafro.embrapa.br

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