Álvaro Rodrigues dos Santos
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dimensão dos processos erosivos em áreas
urbanas (especialmente nas zonas de expansão urbana)
e dos processos erosivos associados a obras civis (obras
viárias, empreendimentos industriais e comerciais,
dutovias, linhas de transmissão, etc.) tem evoluído
exponencialmente no país, implicando em altíssimos
custos sociais, econômicos e patrimoniais para a
toda a sociedade. Consideradas suas condições
geológicas e seu clima tropical, a quase completa
ausência de maiores cuidados técnicos preventivos
e corretivos no combate à erosão em todo
o país, seja por descuido, seja por desconhecimento
técnico, constitui o principal núcleo causal
desse gravíssimo problema.
No caso específico da Região Metropolitana
de São Paulo, a expansão urbana tem alcançado
progressivamente terrenos topograficamente mais acidentados
e geologicamente extremamente susceptíveis à
erosão, e via de regra implicado em intensas e
extensas operações de terraplenagem (na
trágica cultura de se adaptar a natureza aos projetos,
ao invés de se adequar os projetos à natureza),
as quais têm exposto, invariavelmente e por longo
espaço de tempo, grandes superfícies de
solos à ação dos processos erosivos
pluviais. Esta erosão é a origem do fantástico
assoreamento de córregos, rios, bueiros, galerias
de drenagem, constituindo-se em uma das principais causas
das enchentes metropolitanas. Esses mesmos processos erosivos
revelam-se também no preocupante assoreamento dos
lagos/reservatórios componentes do sistema de abastecimento
de água da região.
A erosão compromete assim tanto a área fonte
dos sedimentos como as áreas para onde esses sedimentos
são transportados pelas águas de chuva.
Somente nos municípios da Grande São Paulo,
centenas de milhões de reais são gastos
anualmente no desassoreamento do rio Tietê e seus
afluentes e no enfrentamento das enchentes decorrentes.
A liberação média de sedimentos por
erosão está já na ordem de 10 a 15
toneladas/ha/ano na RMSP, o que implica em volumes anuais
de até 3.500.000 metros cúbicos de sedimentos
liberados para o assoreamento das drenagens.
Ainda que o fenômeno erosão já tenha
sido razoavelmente estudado e medidas preventivas e corretivas
venham sendo insistentemente recomendadas pelo meio técnico,
o problema vem ainda, infelizmente, ocorrendo em larga
escala, especialmente pela providência de combate
à erosão junto à sua fonte de origem
não ter sido até hoje considerada e priorizada.
Para a implementação dessa providência
seriam necessárias medidas de caráter preventivo
e de caráter corretivo.
Naquilo que se refere às medidas de caráter
corretivo, ou seja, de proteção das superfícies
de solo já expostas à erosão, pode-se
afirmar que sua não aplicação generalizada
encontra certamente uma enorme dificuldade devido ao altíssimo
custo das alternativas mais conhecidas e comercialmente
disponíveis para tanto: gramíneas em placa,
hidrossemeadura, geo-texteis, aplicação
de telas fixantes, etc.), uma vez que, no caso em questão,
está envolvida a necessidade da proteção
de enormes extensões de área. O uso alternativo
de emulsão asfáltica é totalmente
desaconselhável, dadas suas graves conseqüências
de ordem ambiental.
Acrescentem-se outras variáveis complicadoras como
as comuns características de baixa fertilidade
dos solos de alteração, os diversos tipos
de exposição desse solo (taludes de corte
das mais variadas alturas e inclinações,
aterros, bota-foras, áreas planas e semi-planas,
etc.), as diferentes condições de insolação
de cada exposição, etc.
Neste cenário, evidencia-se que o oferecimento
de uma nova técnica de proteção de
solos contra a erosão, de aplicação
simples, eficaz e economicamente viável, ou seja,
é fundamental para o sucesso de um programa de
combate à erosão e, decorrentemente, terá
imediata aceitação e grande mercado potencial
de aplicação, tanto pelos agentes públicos
como pelos agentes privados responsáveis pelos
diversos tipos de empreendimentos referidos, possibilitando,
então, uma expressiva redução dos
processos erosivos e do conseqüente assoreamento
da rede natural e construída de drenagem pluvial,
com enorme economia para a sociedade e reflexo no combate
às enchentes.
A técnica para tanto desenvolvida é baseada
na pulverização de calda fluida de cal com
aglutinantes sobre as superfícies de solo a serem
protegidas, tendo como denominação a expressão
“Cal-Jet”. O grande trunfo da técnica Cal-Jet é
assegurado pela conjunção dos seguintes
atributos: baixo custo, praticidade de aplicação
e alto rendimento na aplicação (m²/dia/operador).
Importante considerar que a proteção de
solos contra a erosão através da aplicação
de pintura de cal, ainda que em pequena escala, já
foi usada no passado em taludes viários. O próprio
autor desse artigo, e responsável por esse novo
desenvolvimento tecnológico, utilizou a técnica
com pleno sucesso em taludes viários. Porém,
restritamente e com a pintura aplicada com rolos e/ou
broxas, fato que impõem alguns problemas operacionais
e considerável limitação de rendimento.
O objetivo atual foi justamente proporcionar uma técnica
de aplicação de fácil manejo e de
grande rendimento, portanto propícia para a proteção
de grandes superfícies, contínuas ou descontínuas.
Esse objetivo foi alcançado através do expediente
da pulverização da calda de cal sobre as
superfícies de solo a serem protegidas. A pulverização
foi possibilitada através da utilização,
com pequenas adaptações, de pulverizadores
de uso agrícola, tanto os pulverizadores costais
manuais, como pulverizadores motorizados.
Algumas avaliações iniciais de custos indicam
que a proteção de superfícies de
solo contra a erosão com a utilização
da técnica Cal-Jet resultará custos da ordem
de 30 a 50 vezes menores em relação às
técnicas clássicas de proteção
como grama em placa, hidrossemeadura, mantas vegetais,
etc.
A aplicação da técnica Cal-Jet poderá
atender situações de proteção
permanente (aplicações manuais experimentais
realizadas pelo autor em taludes de diversas naturezas
geológicas e pedológicas, sem cuidados técnicos
especiais, demonstraram durabilidade funcional de pelo
menos três anos - tempo de duração
da observação), ou provisória, quando
se pretenda no futuro substituir a pintura de cal por
algum tipo de revestimento vegetal de caráter paisagístico.
Aspecto positivo importante ainda a se considerar é
a neutralidade ambiental da técnica proposta, tanto
do ponto de vista estético (permitindo inclusive
a utilização de corantes adequados a cada
diferente situação) e o não comprometimento
dos solos protegidos (diferentemente das emulsões
asfálticas) para eventuais futuras proteções
vegetais.
Outro fator extremamente facilitador e conveniente está
em que o talude ou superfície de solo a ser protegida
não demandaria uma operação anterior
de regularização, uma vez que a pulverização
atingiria todas as eventuais irregularidades da superfície
(pequenas cavidades, buracos, sulcos...).
O desenvolvimento da nova técnica está praticamente
concluído, sendo atualmente cumprida uma última
etapa de testes de campo para aferição final
de alguns procedimentos e para quantificação
de fatores de rendimento.
Várias empresas privadas e instituições
de pesquisa, entre elas o IPT, estão participando
desse projeto, com a cessão de materiais, equipamentos,
aperfeiçoamento de componentes, execução
de testes experimentais, etc. É senso comum a todas
as empresas e instituições participantes,
e também ao coordenador do projeto, que não
serão requeridos patenteamentos de equipamentos
e procedimentos, de forma a não criar nenhuma dificuldade
à disseminação, divulgação
e uso da técnica por todos agentes sociais interessados.
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Geólogo
Álvaro Rodrigues dos Santos (santosalvaro@uol.com.br) |