PESQUISA EM SANIDADE VEGETAL VIABILIZA O AGRONEGÓCIO


Por: Paulo Roberto Valle
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Podemos observar que a competitividade dos produtos agropecuários brasileiros cresceu de forma significativa nos últimos anos, com o setor agropecuário contribuindo atualmente com 33% do Produto Interno Bruto (PIB) e 42% das exportações totais. Estima-se que o PIB do setor chegue a US$ 180,2 bilhões em 2004, contra os US$ 165,5 bilhões obtidos em 2003, quando as vendas externas de produtos agropecuários renderam ao Brasil US$ 36 bilhões, com superávit de US$ 25,8 bilhões.

Esse crescimento pode ser atribuído ao maior uso de tecnologia por parte dos produtores agrícolas como forma de manter seu negócio viável. Além do uso da tecnologia, fatores como os custos de mão-de-obra e da terra e do enfoque empresarial para a agricultura, proporcionam um ganho de eficiência produtiva que garante ao país manter a competitividade de seus produtos agropecuários. Desta forma, o agronegócio é o setor econômico brasileiro com maior competitividade no cenário internacional, estando em condições de igualdade com qualquer país ou bloco econômico pela disputa e conquista de mercados.

É provável que o Brasil mantenha e até mesmo amplie esta competitividade nos próximos anos, principalmente se nos basearmos na constante disponibilidade de novas tecnologias por parte de instituições privadas ou públicas, como é o caso da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa. A Embrapa tem papel fundamental no desenvolvimento de pesquisas e na produção de novas técnicas agrícolas e pecuárias, sendo reconhecida como uma das grandes responsáveis pelo aumento da produção agrícola e desenvolvimento do agronegócio no Brasil.

Tendo como base a disponibilidade de novas tecnologias, a Embrapa está conduzindo um projeto avançado de monitoramento das pragas quarentenárias e não quarentenárias regulamentadas, visando evitar que o Brasil possa perder espaço no comércio internacional, uma vez que as barreiras sanitárias impostas por países ou blocos econômicos importadores alteram de modo substancial as condições de competição nos mercados.

Para que o mercado de produtos agrícolas brasileiros possa expandir e atuar com competitividade nesse cenário é necessário o acompanhamento das tendências mundiais nas mais diferentes áreas do agronegócio. Dentre essas tendências, as mudanças ocorridas na área de fitossanidade, através da certificação de produtos, em resposta às medidas adotadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC)/Acordo de Aplicação de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias, da qual o Brasil é membro, estão fazendo com que novos paradigmas sejam delineados para o controle de pragas em áreas do sistema produtivo. Ações fitossanitárias sobre sistema integrado de produção e de pragas, áreas livres, monitoramento e dispersão de pragas são algumas abordagens utilizadas para obtenção de produtos com qualidade e competitividade.

Dessa maneira, a Embrapa, através de 15 unidades distribuídas em todas as regiões do país, está desenvolvendo o Projeto Rede de Pesquisa em Sanidade Vegetal, cujo objetivo é resguardar o agronegócio brasileiro da entrada de pragas em nosso território, bem como das exigências fitossanitárias impostas pelos países importadores. A ação, que é coordenada pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, com sede em Brasília, consiste na identificação de espécies interceptadas pelo sistema de defesa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) nos pontos de acesso ao País – incluindo origem e espécie botânica que eventualmente contenha pragas quarentenárias A1, ainda inexistentes no território brasileiro, e rastreabilidade, monitoramento e amostragem de pragas quarentenárias A2, que já existem no Brasil.

Quando o projeto for concluído, em 2006, se espera que o governo brasileiro tenha à sua disposição planos de contingência para as pragas com risco iminente de entrada no País, bem como para evitar a disseminação daquelas que se encontram restritas à determinadas regiões. O trabalho prevê também um zoneamento completo das pragas nativas, para subsidiar o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento na certificação fitossanitária de produtos à exportação.

A Embrapa que começou a desenvolver o trabalho em janeiro de 2003, sob a coordenação da pesquisadora Maria Regina Vilarinho de Oliveira, não está sozinha nessa difícil tarefa. Mais treze instituições, como universidades, fundações e secretarias de estado, estão no projeto, que tem um orçamento de R$ 4,2 milhões e cuja fonte é o Tesouro Nacional.

Com base no exposto acima, tanto a manutenção quanto o aumento da competitividade dos produtos agrícolas brasileiros no mercado internacional dependem de uma política que continue estimulando o ganho de produtividade decorrente, principalmente, do avanço tecnológico. Neste sentido, ampliar os investimentos públicos e privados em pesquisa e desenvolvimento, revitalizando e ampliando os recursos de instituições de pesquisa, universidades e fundações, parece ser imprescindível para a sobrevivência do agronegócio brasileiro.

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Pesquisador da Embrapa Roraima - paulo@cpafrr.embrapa.br

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