Planejamento, a Chave do Sucesso na Produção de Melancia


Por: Bernardo de Almeida Halfeld Vieira
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A melancia é uma olerícola originária da África, adaptada a regiões de clima quente. Foi introduzida no país ainda na época do Brasil colônia e atualmente se encontra em todo o território brasileiro. É cultivada no estado de Roraima por algumas comunidades indígenas, agricultores familiares e produtores que visam sua exploração comercial, atendendo tanto o mercado local como o de Manaus.

A demanda pelo produto nos países vizinhos é uma oportunidade de atingir novos mercados, melhorando a renda dos agricultores e trazendo benefícios para economia do estado. Os principais municípios produtores são Normandia e Bonfim, onde se encontram as maiores plantações, predominando as cultivares Charleston Gray e Crimson Sweet. Segundo as últimas estatísticas disponíveis, a produção estimada no estado é de 4319 toneladas e produtividade média de 7511 kg/ha. Esta produtividade é considerada baixa quando comparado a outros estados como o Tocantins, que chega a índices de 34565 kg/ha.

Dentre os diversos fatores que influenciam o desempenho da cultura no campo, as doenças muitas vezes limitam a produção. Principalmente as causadas por fungos e vírus. No ano de 2003-2004 a Embrapa Roraima realizou um levantamento das doenças que ocorrem na melancia no estado. Foram realizadas coletas nos principais municípios em que a cultura se encontra estabelecida, abrangendo grandes e pequenos produtores. Este levantamento é parte de um projeto em rede, conduzido com recursos do CNPq.

O projeto tem como objetivo buscar alternativas de controle para os principais problemas fitossanitários da melancia que ocorrem na região norte do país. A doença fúngica mais freqüentemente encontrada em todas as épocas de coleta foi a mancha-de-cercospora, normalmente considerada de pouca importância em outras regiões do país. Os sintomas desta doença são manchas nas folhas, de coloração marrom, normalmente com formato circular. Ao redor das manchas é comum ser observada uma borda amarelada.

Em algumas lavouras foi verificado ataque intenso com redução considerável da área sadia das folhas, o que acaba reduzindo a produtividade. A dificuldade dos produtores em diagnosticar esta doença pode ser um dos fatores que fazem com que seu controle esteja sendo deficiente. A podridão de frutos por Pythium também foi importante, mas apenas em cultivos realizados em períodos chuvosos, devido ao contato dos frutos com o solo encharcado. Nos frutos atacados por Pythium pode-se ver o fungo, que parece um algodão, e a partir deste local inicia-se o apodrecimento. Doenças como crestamento gomoso do caule e antracnose, importantes nas outras regiões do país, tiveram ocorrência esporádica, sem serem observados danos significativos.

Em parceria com a Universidade Federal do Ceará as viroses também foram identificadas. Os vírus são transmitidos por pulgões e causam grandes perdas na cultura da melancia, não havendo produto para o seu controle. Duas viroses foram encontradas na melancia em Roraima: o PRSV-W e o ZYMV, que afetam as principais cultivares comerciais. Os sintomas decorrentes de infecção por vírus normalmente confundem os técnicos por serem semelhantes aos causados por outros fatores, como deficiência de nutrientes e fitotoxidez.

As viroses causam tipicamente sintomas conhecidos como mosaico, que pode ser reconhecido por regiões alternadas em verde-claro e escuro nas folhas. Freqüentemente há deformação foliar, em que as folhas ficam finas. Em ataques intensos há considerável redução na produtividade, algumas vezes causando deformações nos frutos. Por serem capazes de atacar outras plantas não cultivadas, esses vírus permanecem na área de plantio, sendo re-introduzidos em novos cultivos e agrava-se quando plantios sucessivos de melancia são realizados.

Os danos são maiores quanto mais cedo as plantas são contaminadas. Portanto, o manejo integrado da doença, com planejamento, é importante desde o início do estabelecimento da cultura. O conhecimento das doenças que ocorrem em melancia no estado de Roraima é importante para direcionar as pesquisas visando o seu controle, melhorando a produtividade, a qualidade do produto oferecido ao consumidor e a renda do produtor.


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Pesquisador da Embrapa Roraima
halfeld@cpafrr.embrapa.br

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