Edson Watanabe |
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Victor
Augustus Marin |
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Ao contrário do que se prega, a biotecnologia pode
ser utilizada para reduzir a incidência de alergias
alimentares.
Quem nunca sentiu uma coceira persistente, ou ficou com
o corpo todo "empipocado", e depois se lembrou
de ter comido algo diferente, que talvez tenha provocado
uma reação alérgica? A situação
pode ser considerada comum porque, em todo o mundo, cerca
de 2% da população adulta é alérgica
a algum tipo de alimento. Nas crianças, esse percentual
chega a 8%. Além dos frutos do mar, o amendoim,
a soja, o leite, os ovos, os peixes, o trigo e as castanhas
são igualmente conhecidos por causar reações
alérgicas nas pessoas, respondendo por 90% dos
casos, dos moderados aos severos, que podem levar à
morte. Mas não são os únicos vilões.
Estudos indicam que mais de 160 alimentos podem provocar
alergias esporádicas.
Com a introdução dos alimentos transgênicos,
conhecidos como alimentos geneticamente modificados, na
cadeia alimentar de alguns países como os Estados
Unidos e a Argentina, difundiu-se erroneamente a idéia
de que eles seriam mais propensos a provocar reações
alérgicas nos consumidores. Ficou particularmente
notório um boato sobre um milho transgênico,
liberado para uso em ração animal, que teria
sido inadvertidamente misturado com um milho para consumo
humano, ocasionando alergias nos indivíduos que
consumiram tal mistura. Entretanto, essa e outras estórias
nunca foram cientificamente comprovadas.
Até o momento, não há notícias
de que transgênicos aprovados tenham causado reações
alérgicas. Pelo menos com relação
às alergias alimentares, esses produtos vêm
se mostrando até mais seguros do que as espécies
convencionais, uma vez que passam por uma rigorosa avaliação
de segurança, que envolve muita pesquisa, estudos
e análises laboratoriais.
Um dos componentes desse processo consiste na verificação
do potencial que o alimento tem de provocar alergias,
o que requer uma série de testes. O primeiro passo
é checar a fonte do material genético, já
que ela pode ser alergênica. Para tanto, os técnicos
procuram detectar, no produto, qualquer identidade e similaridade
de composição e estrutura com substâncias
que sabidamente produzem alergias ou são tóxicas.
Depois, submetem-no ao teste de resistência à
digestão com pepsina, uma enzima produzida no estômago,
uma vez que os compostos alergênicos, entre outras
características, resistem mais à digestão.
Dependendo do caso, recomendam-se ainda exames com o soro
do sangue de pacientes hipersensibilizados a certos grupos
de materiais causadores de reações alérgicas,
além de testes cutâneos por punctura, testes
com placebo e com animais. Se for constatado que o material
genético a ser utilizado apresenta alguma semelhança
com substâncias alergênicas, o projeto é
descartado logo no início, como já aconteceu
inúmeras vezes. Entretanto, muitos dos exames atualmente
propostos ainda se encontram em fase de desenvolvimento
e
validação (o que é necessário
para garantir que todos os laboratórios estejam
utilizando exatamente a mesma metodologia e condições
de análise e, assim, produzirem resultados que
tenham credibilidade e que possam ser comparados entre
si).
A Organização Mundial da Saúde reconhece
que a engenharia genética oferece a oportunidade
de diminuir - ou mesmo de eliminar - nos alimentos os
compostos que provocam alergias. Tanto é assim
que muitos pesquisadores têm se dedicado a suprimir
naturalmente os alergênicos presentes no trigo,
no leite e até no amendoim. Atualmente, também
já se encontra em desenvolvimento uma variedade
de soja transgênica para não provocar reações
alérgicas.
A biotecnologia é uma ferramenta poderosa que pode
ser utilizada no combate a outros males que afligem a
humanidade e, na área de alimentos, não
só para reduzir alergias ou para produzir grãos
tolerantes a herbicidas ou resistentes a insetos. Para
se ter uma idéia, está em curso o desenvolvimento
de variedades de banana e batata que funcionam como vacinas
contra o Papilomavírus Humano (HPV), um vírus
sexualmente transmissível que pode causar câncer
de colo de útero, e também um tipo de tomate
com alto teor de licopeno, um antioxidante que pode reduzir
o risco de câncer de mama e de próstata,
assim como o de doenças do coração.
Em síntese, a biotecnologia está trabalhando
para reduzir alguns problemas de saúde, e não
para agravá-los.
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Engenheiro
de alimentos, Ph.D. em Tecnologia de Alimentos da
Embrapa Agroindústria de Alimentos e conselheiro
do CIB
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Biólogo,
Ph.D. em Biologia Vegetal da Embrapa Agroindústria
de Alimentos e conselheiro do CIB |
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