O
Dia Nacional do Cerrado, a ser comemorado no dia 11 de
setembro de cada ano, foi instituído pelo Decreto
de 20.8.2003 e assinado pelo Presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva.
Ocupando uma área de 2 milhões de km²,
o que corresponde a 25 % do território brasileiro,
o Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, superado
apenas pela Amazônia. Estende-se em área
contínua por 11 estados brasileiros: Goiás,
Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia,
Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Ceará, Maranhão
e Piauí, além do Distrito Federal, que está
totalmente localizado na área nuclear do Cerrado.
O Cerrado comporta a maior diversidade do continente em
termos de espécies endêmicas. A riqueza de
sua biodiversidade, a segunda maior da América
do Sul, pode ser interpretada pela vasta extensão
territorial, pela posição geográfica
privilegiada, pela heterogeneidade vegetal, e por ser
cortado pelas três maiores bacias hidrográficas
da América do Sul.
Ocupando áreas de clima tropical, com duas estações
alternadas bem marcadas (a seca, que ocorre no inverno
e a chuvosa, no verão), o Cerrado é formado
por um mosaico de fitofisionomias que variam de formações
campestres até formações florestais
como: campo sujo, cerradão, campos cerrados, cerrados
“stricto sensu” ou campo limpo.
A diversidade de cada uma de suas paisagens mantém
determinado nível de relações ecológicas
que a distingue das demais, seja ao nível de ciclagem
de nutrientes, produção de biomassa, ou
mesmo balanço hídrico e energético.
Além destes, ocorrem outras fitofisionomias que
não são exclusivas dos cerrados, mas que
compõem o mosaico fisionômico característico
da região, tais como: as matas de galeria, campos
rupestres, veredas, etc. As veredas compreendem vegetação
em meio encharcado e caracterizam-se pela presença
de buritis (Mauritia flexuosa).
A flora do Cerrado é considerada uma das mais ricas
das savanas tropicais, com alto grau de endemismo. Existem
cerca de 6.500 espécies de plantas, das quais mais
de 200 já têm identificado algum uso econômico
(forrageiro, madeireiro, medicinal e ornamental).
Como famílias de maior expressão destacam-se,
entre as lenhosas, as Leguminosas (Mimosaceae, Fabaceae
e Caesalpiniaceae), e entre as herbáceas, as Gramíneas
(Poaceae) e Compostas (Asteraceae).
Com cor, sabor e aroma peculiares e intensos, os frutos
típicos das espécies nativas do cerrado
araticum, buriti, cagaita e pequi apresentam teores de
vitaminas do complexo B equivalente ou superiores demais
frutas.
Grande parte da vegetação do cerrado possui
raízes pivotantes profundas, que buscam água
nas profundezas do solo e permitem que suas folhas estejam
sempre verdes, mesmo durante a seca. Tal fato lhes permite
obter o necessário suprimento d’água para
que se protejam das queimadas e que possam depois rebrotar.
A ocorrência do fogo se dá por causas naturais
ou não.
As cascas grossas e corticentas (semelhantes à
cortiça) protegem os troncos da ação
do fogo. A vegetação rasteira apresenta
xilopódios, bulbos, rizomas e gemas subterrâneas
que resistem dormentes mesmo quando toda a parte aérea
da planta desaparece, rebrotando com as primeiras chuvas
de primavera, geralmente em setembro.
A fauna do Cerrado é muito rica. Os invertebrados
são muito abundantes e incluem um elevado número
de endemismos. Entre pequenos roedores e pássaros
existem diversos endemismos.
Entre os Vertebrados encontrados em áreas de Cerrado,
citamos a jibóia, a cascavel, várias espécies
de jararaca, o lagarto teiú, a ema, a seriema,
a curicaca, o urubu comum, o urubu caçador, o urubu-rei,
araras, tucanos, papagaios, gaviões, o tatu-peba,
o tatu-galinha, o tatu-canastra, o tatu-de-rabo-mole,
o tamanduá-bandeira e o tamanduá-mirim,
o veado campeiro, o cateto, a anta, o cachorro-do-mato,
o cachorro-vinagre, o lobo-guará, a jaritataca,
o gato mourisco, e muito raramente a onça-parda
e a onça-pintada.
Em termos de adaptabilidade, a entomofauna se protege
do fogo nos espaços úmidos do pecíolo
das folhas em campos com ocorrência de palmeiras
Indaiá (Attalea exigua) e bromélias.
Os mamíferos se protegem em áreas já
queimadas ou fogem para outras áreas não
atingidas.
Algumas espécies da avifauna, como os anus (Crotophaga
ani), os carcarás (Polyborus plancus)
e as seriemas (Cariama cristata), acompanham
a queimada, alimentando-se de insetos e répteis
atingidos pelo fogo.
O relevo do Cerrado é em geral bastante plano ou
suavemente ondulado, estendendo-se por imensos planaltos
ou chapadões. Devido a essas características,
até meados de 1960 a vocação dessas
terras era direcionada à pecuária (produção
de gado de corte), sendo a atividade agrícola bastante
limitada, uma vez que os solos do cerrado são naturalmente
inférteis.
Nas décadas de 70 e 80, graças à
irrigação e técnicas de correção
do solo, houve grande expansão da fronteira agrícola,
passando também a ser um importante centro de produção
de grãos, principalmente soja, feijão, milho
e arroz.
O acelerado processo de ocupação promovido
por um intenso desmatamento, ocasionou a perda de espécies
animais e vegetais, além de ocorrer perda de solo,
que por estar exposto foi facilmente erodido, resultando
na modificação de 67% das áreas de
Cerrado.
Com a perda das áreas naturais, animais e plantas
são extintos antes mesmo de serem descobertos pela
ciência e terem seus benefícios expandidos
para a humanidade.
O Cerrado está perdendo sua área de forma
muito rápida. Estima-se que em 2030, estará
com remanescente de cobertura vegetal nativa similar ao
da Mata Atlântica, ou seja, com menos de 10% da
cobertura vegetal original.
Devido aos impactos sofridos, o Poder Público tem
criado diversas categorias de Unidades de Conservação,
como: o Parque Nacional das Emas (131.832 ha), o Parque
Nacional Grande Sertão Veredas (84.000 ha), o Parque
Nacional da Chapada dos Guimarães (33.000 ha),
o Parque Nacional da Serra da Canastra (71.525 ha), o
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (60.000 ha) e
o Parque Nacional de Brasília (28.000 ha) no intuito
de preservar e proteger os remanescentes de Cerrado.
Devido à riqueza de sua flora e fauna, o Cerrado
foi, recentemente, incluído na lista dos 25 hotspots
existentes no mundo, pois é um dos locais do planeta
prioritários para a conservação da
natureza devido às suas peculiaridades.
Saiba Mais...
Hotspots
- são lugares de grande riqueza biológica
e mais ameaçados da Terra. São áreas
com alto grau de endemismo abrigando muitas espécies
que não são encontradas em nenhum outro
lugar.
"Domínio do Cerrado"
- termo utilizado para designar o conjunto de todos os
tipos de vegetação que ocorrem no Cerrado.
"
Bioma do Cerrado"
- termo utilizado para se referir apenas às suas
fisionomias típicas.
CONSULTA
ELETRÔNICA: (09/09/05)
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia
http://www.cenargen.embrapa.br/
Flora
do Cerrado
http://geocities.yahoo.com.br/floracerrado/index01.htm
IBAMA
http://www.ibama.gov.br/novo_ibama/paginas/materia.php?id_arq=2711
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
http://www.cpac.embrapa.br/index.php
Ministério das Relações Exteriores
http://www.mre.gov.br/cdbrasil/itamaraty/web/port/meioamb/ecossist/cerrado/apresent.htm
Presidência da República Federativa do Brasil
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Resenha/2003/08_agosto.htm
USP
http://eco.ib.usp.br/cerrado/
LEITURA
INDICADA:
http://www.sementesdocerrado.bio.br/