Órgão
é responsável pelo licenciamento do uso
de recursos genético e conhecimentos tradicionais.
O
Conselho de Gestão do Patimônio Genético
(CGEN) do Ministério do Meio Ambiente aprovou,
semana passada, o segundo processo para uso da biodiversidade
brasileira com repartição de benefícios.
Com isso, fica regularizado o trabalho da Natura com o
breu branco (Protium pallidum), utitilizado para desenvolver
uma linha de perfumes. A empresa desenvolveu seus produtos
com a planta amazônica a partir de contatos com
uma comunidade da Reserva Estadual de Desenvolvimento
Sustentável do Iratapuru, no sul do Amapá,
responsável pela coleta do material no interior
da Reserva. "Isso mostra que é possível
conciliar o uso sustentável das riquezas naturais
com a garantia da soberania sobre os recursos genéticos
e a efetiva repartição de benefícios",
disse Eduardo Vélez, secretário-executivo
do CGEN.
O contrato firmado entre o CGEN, órgão que
licencia o uso de recursos genéticos e conhecimentos
tradicionais no país, a Secretaria de Meio Ambiente
do Amapá, responsável pela gestão
da reserva, e a Comunidade do São Francisco do
Iratapuru, garante a repartição de benefícios
pelo uso correto da biodiversidade brasileira. Além
disso, o contrato também prevê a implementação
de um projeto de desenvolvimento sustentável comunitário
para a população de Iratapuru e a associação
da imagem do estado do Amapá na venda dos perfumes.
O primeiro processo para uso dos recursos genéticos
brasileiros em bases legais foi aprovado no fim de setembro
de 2004, o que permitiu à empresa Quest Internacional
do Brasil Ltda coletar amostras de aromas de plantas do
Pantanal no Mato Grosso do Sul para o desenvolvimento
de perfumes. A autorização foi inédita
no Brasil e resultou do esforço do Ministério
do Meio Ambiente para regulamentar o setor.
O CGEN também aprovou, na última semana,
quatro pedidos de acesso ao conhecimento tradicional de
três populações indígenas e
de uma comunidade local para pesquisa científica.
O primeiro projeto é da Universidade de São
Paulo (USP) e envolve um levantamento e análise
das plantas manejadas na Terra Indígena Wajãpi,
no Amapá. Outros dois processos aprovados permitirão
à Embrapa promover a conservação
e o resgate de espécies tradicionalmente cultivadas
pelas comunidades indígena Kayabi-Ilha Grande e
da Aldeia Yawalapiti, no Parque Indígena do Xingu,
no Mato Grosso. Os objetivos são preservar o conhecimento
sobre as plantas cultivadas, identificar, coletar e encaminhar
para a conservação as plantas alimentares
tradicionais e seus parentes silvestres. Em caso de perda,
espéceis de feijões, melancia, batata, banana,
algodão, mandioca, amendoim e milho poderão
ser recuperadas junto à Embrapa.
Por fim, o Instituto Agronômico de Campinas trabalhará
com resgate, caracterização e conservação
de variedades de milho mantidas por comunidades da região
do Vale do Ribeira, em São Paulo. "A importância
dessas autorizações está em garantir
o respeito e a proteção dos direitos das
comunidades indígenas e locais sobre os seus conhecimentos
tradicionais", conclui Vélez.
ASCOM
FONTE: http://www.mma.gov.br/ascom/ultimas/index.cfm?id=1589