Patrícia
Landim e Paula Catarina
Da Agência Brasil e da Rádio Nacional da
Amazônia
Brasília
– A sabedoria dos povos indígenas do Acre tem sido
usada por falsos terapeutas para atrair interessados em
curas milagrosas. O alerta é dos próprios
índios. Em entrevista à Rádio Nacional
da Amazônia , líderes da comunidade Yawanawa
denunciaram o uso indevido de uma substância retirada
da barriga da rã Phyllomedusa bicolor,
conhecida popularmente como vacina do sapo kambô.
O índio Joaquim Luiz explicou que a secreção
é, para os povos indígenas do Acre (Yawanawa,
Katukina e Kaxinawa), uma espécie de vacina que
protege contra as doenças, as energias negativas,
além de rejuvenescer as energias de uma pessoa.
No entanto, o material é utilizado com os cuidados
próprios de uma cerimônia milenar.
"A
gente está ouvindo muito falar que, no Sul do país,
as pessoas usam a vacina sem respeito, visando o lucro
com a venda do leite do sapo pela Internet e aplicação
do mesmo sem nenhum tipo de preparo e nenhuma permissão
dos povos indígenas, com risco até de morte",
alertou Joaquim Luiz.
De acordo com ele, as comunidades indígenas estão
envolvidas em um projeto com a Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa) para proibir
o uso do sapo kambô até que haja uma lei
que proteja o conhecimento dos índios.
Há dois anos, Anvisa já havia determinado
a suspensão de toda propaganda da vacina veiculada
nos meios de comunicação. A venda é
considerada crime ambiental.
FONTE:
http://www.radiobras.gov.br/materia_i_2004.php?materia=257349&q=1&editoria=NA