O
Relatório de Qualidade do Ar no Estado de São
Paulo, com os dados de 2004, que a CETESB - Companhia
de Tecnologia de Saneamento Ambiental divulgou nesta quinta-feira
(31/3), mostra que as condições meteorológicas
se apresentaram favoráveis à dispersão
da poluição na maior parte do ano passado,
o que contribuiu significativamente para a melhoria da
qualidade do ar.
Mostra
também o crescimento da contribuição
das motocicletas para a poluição do ar,
confirmando a tendência anunciada no relatório
de 2003 e o acerto na implementação do PROMOT
- Programa de Controle da Poluição do Ar
por Motocicletas e Veículos Similares, já
que uma motocicleta fabricada atualmente emite 15 vezes
mais poluição que um carro novo.
Outro
dado relevante do relatório é o que indica
um pequeno aumento nas estimativas da emissão total
de CO da frota circulante de carros leves a álcool
e gasolina, apontando para a necessidade de implementação
do Programa de Inspeção Veicular, para garantir
a continuidade da eficácia do PROCONVE - Programa
de Controle de da Poluição do Ar por Veículos
Automotores.
A
análise ambiental é feita com base nas estimativas
dos poluentes emitidos pelos veículos e indústrias
(as chamadas fontes móveis e fontes fixas) e pelas
condições meteorológicas de dispersão
da poluição, tendo como base os dados de
concentração de poluentes observados pelas
redes de monitoramento da CETESB.
Publicado
anualmente desde 1985, o relatório é também
divulgado no endereço eletrônico da CETESB
(www.cetesb.sp.gov.br) e tem como objetivos o acompanhamento
das tendências da qualidade do ar ao longo dos anos
e a divulgação dos níveis de poluição
atmosférica registrados nas diversas regiões
do Estado.
Essas
informações servem, ainda, para acompanhar
e orientar as medidas de controle ambiental que visam
a melhoria da qualidade do ar.
Aspectos meteorológicos
O inverno de 2004 apresentou as condições
meteorológicas para dispersão dos poluentes
mais favoráveis dos últimos cinco anos,
o que contribuiu para a redução das concentrações
dos poluentes, principalmente nos casos do monóxido
de carbono (CO) e material particulado (MP). Mas mesmo
no caso do ozônio (O3), em que os episódios
ocorrem o ano todo, em 2004 não foram registradas
tantas ocorrências quanto em anos anteriores.
Região Metropolitana de São Paulo
Na Região Metropolitana de São Paulo - RMSP,
onde a frota de veículos leves já supera
os 6,6 milhões e a frota de veículos a diesel
é de cerca de 450 mil, os carros de passeio, ônibus,
caminhões, vans, caminhonete e motos são
os maiores causadores da poluição do ar.
Os poluentes que mais freqüentemente ultrapassam
os limites legais nessa região são o material
particulado e o monóxido de carbono, além
do ozônio, que responde pela maioria das ultrapassagens
de padrão, mas não é emitido diretamente
pelas fontes.
Monóxido de carbono
Em 2004, foi registrada a menor freqüência
de violações do padrão de Qualidade
do Ar (PQAR) desde o início do monitoramento desse
poluente. Foram apenas 5 registros de ultrapassagem de
padrão (PQAR) de CO na RMSP, em que a qualidade
do ar esteve inadequada, sendo três delas na estação
em São Caetano do Sul. Estes episódios ocorreram
no período noturno, sob condições
de estagnação atmosférica.
A
partir da década de 90 observou-se uma redução
significativa das emissões totais de CO na RMSP,
em conseqüência da queda nos fatores de emissão
de veículos novos movidos a gasolina, para atendimento
às exigências do PROCONVE. Mais recentemente,
porém, não se observa uma tendência
clara de redução, já que o número
de ultrapassagens tem acompanhado as variações
nas condições meteorológicas de dispersão
e as estimativas da emissão total de CO da frota
circulante de carros leves a álcool e a gasolina
apresentaram um pequeno aumento.
Material particulado
Por ter em grande parte sua origem também nas emissões
veiculares, houve uma redução significativa
deste poluente na atmosfera em comparação
aos valores que eram observados no início da década
de 90. Porém, da mesma forma que o CO, nos últimos
anos tem-se observado uma redução menos
acentuada, tanto em termos de média anual quanto
no número de episódios de ultrapassagem
do Padrão de 24 horas. A significativa redução
em 2004 deveu-se, em grande parte às condições
meteorológicas mais favoráveis observadas
no ano.
Ozônio
O ozônio é o poluente que mais ultrapassa
os limites legais na RMSP. Os resultados observados nos
últimos anos mostra que os níveis têm
se mantido praticamente constantes, apresentando menor
número de ocorrências em 2004 devido ao já
citado benefício propiciado pelas condições
meteorológicas.
O problema de poluição causada por ozônio
é mundial e se manifesta de forma mais intensa
nas grandes cidades e arredores devido principalmente
às emissões veiculares.
Medidas
eficazes para redução do ozônio são
bastante complexas, uma vez que este é um poluente
formado na atmosfera e sua redução envolve
programas de controle de seus precursores, como o dióxido
de nitrogênio e hidrocarbonetos.
Cubatão
Embora a região de Cubatão, sobretudo a
área industrial, ainda apresente forte degradação
da qualidade do ar, atualmente o poluente que apresenta
níveis mais altos é o material particulado,
principalmente no período de inverno, sendo a partícula
inalável o maior motivo de preocupação.
Em 2004, foram 31 dias de ultrapassagens do padrão
de 24 horas e um dia de ultrapassagem do nível
de atenção.
Interior
O ozônio é o poluente que mais ultrapassa
os limites nas estações de medição
da qualidade do ar no interior do Estado, com destaque
para a estação localizada no Município
de Paulínia, com um número de dias de ultrapassagem
equivalente às estações da RMSP.
Diesel metropolitano
Os entendimentos com a Agência Nacional do Petróleo,
implementados a partir do final de 2004 já começam
a apresentar resultados positivos para a melhoria da qualidade
do ar nas regiões metropolitanas do Estado de São
Paulo. É o caso da Resolução n.º
12, de 22 de março de 2005, a partir da qual a
ANP fixou o limite máximo do enxofre no diesel
metropolitano em 500 ppm.
Até
então, o diesel metropolitano (distribuído
no Estado para as regiões metropolitanas da Grande
São Paulo, Baixada Santista, Vale do Paraíba
e Campinas) tinha o teor máximo de enxofre fixado
em 2.000 ppm. Na prática, o óleo diesel
distribuído continha apenas 1.100 ppms, o que indica
que a melhoria pode ser ainda maior, caso a Petrobras
mantenha os limites abaixo do autorizado.
FONTE: http://www.cetesb.sp.gov.br/noticentro/2005/03/31_ar.htm