O governo japonês destina US$ 979.300,00 para implementar
o projeto Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) no
Brasil para melhorar a gestão dos resíduos
sólidos e reduzir as emissões de gases que
provocam o efeito estufa, oriundos dos lixões e
aterros sanitários. A doação foi
formalizada nesta quarta-feira (27) no Diário Oficial
da União.
Os recursos são provenientes de acordo de cooperação
firmado entre o governo brasileiro e o governo japonês,
por meio do Policy and Human Resources Development Fund
– PHRD, com a intermediação do Banco Mundial,
para serem geridos pela Secretaria Nacional de Saneamento
Ambiental do Ministério das Cidades, por intermédio
do Projeto de Modernização do Setor de Saneamento
– PMSS, com o apoio do Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento – PNUD e do Ministério
do Meio Ambiente. O objetivo do projeto MDL é reduzir
as emissões de Gases de Efeito Estufa – GEE, melhorar
a qualidade ambiental urbana e rural e promover o adequado
gerenciamento integrado de resíduos sólidos
no Brasil.
Cento e trinta e dois municípios participaram da
seleção pública, enviando carta consulta
para estudo de viabilidade técnico-econômica
para projetos Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL).
O resultado, com os municípios contemplados, está
publicado no sítio do Ministério das Cidades
(www.cidades.gov.br), na coluna Destaques. A iniciativa
visa estimular a gestão ambiental e é a
primeira medida do governo federal após a consolidação
do Protocolo de Quioto. "O incentivo a projetos de
MDL por parte do governo também é pioneiro",
informa Marcos Montenegro, diretor Desenvolvimento e Cooperação
Técnica da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental
do Ministério das Cidades.
A
próxima etapa do projeto é a publicação
de Edital para a seleção dos consultores
que atuarão na elaboração dos estudos
de viabilidade técnico-econômica de aplicação
do MDL. Os consultores que se qualificarem no processo
irão realizar trabalho de campo, como medir e captar
a emissão de gases em lixões e aterros controlados/sanitários
para, a partir daí, identificar o potencial de
redução de metano (CH4), que é o
principal componente do biogás emitido pela decomposição
de matéria orgânica e o que traz impacto
21 vezes pior que o (CO2) para o efeito estufa. Também
faz parte do projeto transformar a queima de gases em
fonte de geração de energia elétrica.
Redução de gases poderá ser revertida
em investimento para prefeituras
A consultoria irá identificar o potencial do município
e servirá como estudo de potencial para a implementação
do MDL. Esse material será de propriedade das prefeituras
e poderá ser usado como subsídio para elaborar
o projeto de concepção para receber o mecanismo.
Esse estudo proporcionará a elaboração
do plano de obras e, com eles prontos, as prefeituras
deverão executá-las, podendo pleitear recursos
com esta finalidade, inclusive junto às linhas
de crédito disponíveis no Ministério
das Cidades.
Depois que os projetos de MDL estiverem funcionando e
passarem pela certificação do Conselho Executivo
junto às Nações Unidas, a redução
de poluentes lançados na atmosfera poderá
ser revertida em recursos financeiros para as prefeituras.
“Os governos locais poderão vender essa diminuição
de emissão de gases de efeito estufa no mercado
global de carbono sob a forma de Créditos de Carbono”,
detalha Montenegro. A estimativa é que esse mercado
gere cerca de US$ 10 bilhões nos próximos
anos.
Além disso, o Ministério das Cidades irá
promover a realização de cursos de capacitação
sobre o MDL para técnicos municipais, catadores,
ONG´s e lideranças comunitárias de
áreas próximas aos lixões, nos municípios
selecionados. A intenção é habilitar
essas pessoas para acompanhar o trabalho que será
feito pelas consultorias e também sensibilizar
o governo local sobre a importância de dispor o
lixo adequadamente e diminuir a emissão de poluentes.
O Ministério das Cidades quer que os recursos oriundos
da comercialização dos Certificados de Emissão
de Reduções sejam destinados aos municípios
e direcionados a implantação de projetos
de desenvolvimento local sustentáveis que beneficiem
os catadores e as populações pobres que
vivem no entorno dos lixões ou aterros sanitários.
Esses projetos devem estar voltados à geração
de ocupação e renda, melhorias habitacionais
e inclusão social.
Os U$ 979,3 mil que o Ministério das Cidades investirá
no programa serão repassados a fundo perdido pelo
governo japonês ao governo brasileiro como resultado
da seleção de projetos para desenvolver
MDL feita no ano passado por aquele governo. Na época,
o Brasil concorreu com diversos outros países em
desenvolvimento e teve seu projeto qualificado.
Clique
aqui para ver a lista dos municípios selecionados
FONTE:
http://www.cidades.gov.br/index.php?option=content&task=view&id=605&Itemid=421