O que é a pesquisa?
Esta pesquisa está focada numa das áreas
temáticas do Projeto LBA (Experimento de Larga
Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia): as trocas
e armazenamento de carbono entre a floresta e a atmosfera
(na forma de gás carbônico), visando entender
como se dá o processo e quais as suas conseqüências
sobre o clima regional e global.
Para
isto pesquisadores do INPA, Instituto Nacional de Pesquisas
da Amazônia, associados a cientistas de algumas
instituições americanas como a NASA (parceira
do LBA), o Smithsonian Institute, o Biological Dynamics
of Forest Fragments Project (Projeto de Estudo das Dinâmicas
Biológicas em Fragmentos Florestais), e a Louisiana
State University, propõem-se a realizar uma combinação
de experimentos de campo, com análises de imagens
de satélites e formatação de modelos
computadorizados que, juntos, sejam capazes de estimar
a biomassa acima do solo em florestas contínuas,
florestas fragmentadas e numa variedade de tipos de vegetação
secundária.
A
idéia central é relacionar as medidas obtidas
com os dados de imagens do satélite Landsat TM,
com o uso de técnicas de sensoriamento remoto,
que “flagram”, por assim dizer, os cenários de
terra modificados pela ação humana na Amazônia.
O
objetivo da pesquisa é desenvolver um modelo de
previsão de estoques de carbono e de sua dinâmica,
e acompanhar mudanças na paisagem amazônica
associadas com as atividades humanas. Descrever estes
cenários de ocupação de terra, imediatamente
identificados, graças às imagens de sensoriamento
remoto, pode instrumentar cientistas de modo que, ao examinarem
uma foto de satélite de uma área florestal
modificada pelo homem, possam imediatamente ter uma previsão
do estoque de carbono na área e de seu comportamento
futuro (por exemplo: conseqüências para o clima).
Como é feita a pesquisa
Para conhecer a dinâmica da biomassa nas florestas
primárias, tanto contínuas quanto residuais
(áreas remanescentes de floresta primária
que restaram no processo de fragmentação),
são usados muitos dados obtidos de outro projeto
de longo prazo na Amazônia, um levantamento fito-demográfico
(isto é, um censo das espécies vegetais).
Esses
dados, já disponíveis, são acoplados
com experimentos de campo adicionais para estimar a biomassa
em locais de florestas contínuas, fragmentadas
e secundárias.
Esse
conjunto único de dados possui cerca de 57.000
árvores marcadas, em 66 locais de 1 hectare cada.
São locais que foram levantados, inicialmente,
20 anos atrás (para outra pesquisa) e que a cada
5 anos, desde então, foram recenseados, de 2 a
5 vezes, para estimar o crescimento e mortandade das árvores.
Isso permitiu monitorar a dinâmica das comunidades
arbóreas e dos seus estoques intrínsecos
de carbono numa escala de 1000 quilômetros quadrados.
A
presente pesquisa prevê a continuidade de levantamentos
nestes 66 locais. Também serão incluídos
novos levantamentos, como das lianas (cipós), porque
resultados recentes indicam que elas podem apresentar
altas taxas de crescimento como resposta ao aumento de
gás carbônico na atmosfera.
Para
a análise da dinâmica da biomassa nas florestas
em situação de regeneração
(florestas secundárias) a pesquisa já gerou
o desenvolvimento de estimativas de biomassa para diferentes
idades e tipos de florestas secundárias.
A
meta, agora, é avaliar a taxa de acúmulo
de carbono e a regeneração em terras que
sofreram diferentes tipos de uso. Isso porque já
foi demonstrado que o tipo de uso prévio da terra,
antes do abandono das áreas, pode influenciar na
rapidez da recomposição e no tipo de espécies
de plantas e animais que voltam durante o crescimento
da vegetação secundária.
Este
processo é chamado sucessão florestal e
ele pode seguir diferentes trajetórias. Ás
vezes, quando o uso da terra foi muito intenso (com ocorrência
de queimadas, por exemplo) a sucessão é
lenta, e as espécies que voltam são poucas;
dizendo-se então que existe um processo inibido
ou atrasado de recuperação. Outras vezes
a vegetação que se forma é muito
diversa, e cresce rápido, seguindo assim uma outra
trajetória. Isso acontece quando a terra sofreu
um uso pouco intensivo, e assim, tem mais chances de se
regenerar.
Finalmente,
para a análise de cenários de terras modificadas
por ação antrópica (humana), os pesquisadores
vão se valer de séries temporais (isto é,
obtidas ao longo do tempo) de imagens de satélite
do local da pesquisa (situado nas reservas do “Projeto
Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais”,
desenvolvido pelo INPA na Amazônia Central).
Estas
séries temporais analisadas permitirão desenvolver
um modelo para a dinâmica do carbono, em função
de características facilmente identificadas dos
cenários de terra (por exemplo, tamanho e forma
dos fragmentos, área e idade de florestas secundárias,
etc).
O
procedimento para a análise será:
1.Associar
todas as imagens temáticas, onde os diferentes
tipos de uso da terra são considerados como temas,
ou classes, distintos, a um mapa de alta resolução,
com dados de precisão, para os experimentos de
campo.
2.Realizar
um registro, de imagem para imagem, usando os mapas como
base de referência. Com este procedimento, uma dada
localidade em uma imagem passa a possuir exatamente as
mesmas coordenadas geográficas que a mesma localidade
em uma outra imagem.
Será
feita uma classificação da área de
estudo em 11 categorias. Essa classificação
será comparada aos dados dos experimentos de campo
e corrigida onde for necessário. No caso das classificações
das áreas de vegetação secundária,
uma tese de mestrado já foi concluída, e
encontrou alta correspondência entre as classes
baseadas na análise das imagens de satélite
e os dados de campo sobre biomassa, idade, e dominância
de espécies vegetais.
Outros
estudos em andamento estão utilizando imagens de
alta resolução, com precisão de até
70 centímetros, para mapear espécies na
floresta primária e desenvolver modelos de classificação
para as florestas primárias da região. A
classificação resultante, com suas previsões
associadas a cada tipo de cobertura florestal, será
digitalizada e disponibilizada aos interessados.
Além
disso, junto com os dados obtidos a partir das imagens
de satélite e de geo-posicionamento global (GPS)
das áreas em estudo, informações
sobre a topografia, hidrografia (cursos de rios), malha
viária (estradas,) e informações
biológicas, incluindo as estimativas de biomassa,
também estão sendo consideradas.
A
combinação resultante das classificações
das imagens de satélites de 1982 a 2003 será
usada para gerar modelos espacialmente explícitos,
que relacionem dados biológicos com a paisagem
da região e seu histórico de uso.
Pesquisadores
brasileiros estão liderando as análises
de sensoriamento remoto, e os estudos de dinâmica
da biomassa nas florestas em regeneração,
e são parceiros ativos na coleta e análise
de dados sobre a floresta primária.
Importância da pesquisa
A pesquisa proposta deve gerar, nos próximos anos
os seguintes produtos:
1.Estimativas
de estoques de biomassa acima do solo e da sua dinâmica
em florestas primárias e fragmentos florestais
de diversos tamanhos da Amazônia Central e em diferentes
tipos e idades de florestas secundárias;
2.um
modelo espacialmente explícito que relaciona mudanças
temporais na dinâmica biológica de cenários
com fragmentos florestais, floresta contínua, e
vegetação secundária, enfocando principalmente
os estoques de biomassa acima do solo e sua dinâmica;
3.um
modelo funcional que relacione a dinâmica de biomassa
e os padrões de uso e ocupação da
terra, disponível para testes em outros locais
da Amazônia; e
4.treinamento
de estudantes de pós-graduação e
pesquisadores brasileiros.
Pesquisador(es) Responsável(eis)
Rita Mesquita, Eduardo Venticinque; William F. Laurance,
G. Bruce Williamson, Scott Bergen e Marcelo Moreira (PDBFF)
rita@inpa.gov.br;edmventi@inpa.gov.br; laurancew@tivoli.si.edu;btwill@lsu.edu
Título do trabalho acadêmico
Mudanças Antropogênicas na paisagem. Cenários
de Terras e a Dinâmica da Biomassa de Florestas
da Amazônia
Instituição(ões)
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA),
Smithsonian Institute, Projeto Dinâmica Biológica
de Fragmentos Florestais, Smithsonian Tropical Research
Institute, Louisiana State University e NASA (EUA)
Fonte(s) Financiadora(s)
Nasa, SI, CNPq, MCT
FONTE: http://www.canalciencia.ibict.br/pesquisas/pesquisa.php?ref_pesquisa=165