Amianto
ou asbesto é um mineral usado como matéria-prima
na maioria das indústrias e em mais de 70% das
residências brasileiras. O amianto, o assassino
silencioso, é um material incombustível,
muito resistente, pode ser fiado em tecidos que suportam
altas temperaturas. Porém, é cancerígeno
e provoca várias doenças graves no ser humano.
Quando entra no corpo humano pelo ar que se respira ou
ingestão de água ou alimentos contaminados,
os nossos mecanismos naturais de defesa não conseguem
eliminá-lo e o mineral fica para sempre em nosso
organismo.
Ao se instalar na pleura, membrana que reveste o pulmão,
e no peritônio, membrana que reveste toda a cavidade
abdominal, causa doenças incuráveis, que
matam lentamente por asfixia ou por tumores malignos muito
agressivos e de difícil tratamento.
Aproximadamente
3.000 produtos contêm amianto. Entre eles estão
as caixas d'água e telhas de cimento-amianto (conhecidas
popularmente por Brasilit, Eternit), lonas e pastilhas
de freios para carros, ônibus, caminhões,
tecidos e mantas antichamas, tecidos para isolamento térmico,
pisos vinílicos (tipo Paviflex), papelões
hidráulicos, juntas automotivas, tintas e massas
retardadoras de fogo, plásticos reforçados,
entre outros.
O poder do assassino silencioso atinge quem passa por
perto: os trabalhadores que têm contato direto,
seus familiares, como as esposas que lavam as roupas dos
trabalhadores, filhos que são abraçados
pelos pais com as roupas de trabalho contaminadas, os
que moram vizinhos a estas fábricas e o consumidor
que adquire produtos à base deste material ou que
se expõe à poeira liberada por este mineral.
Após
milhares de anos usando o amianto, a humanidade toma consciência
de que lida com um silencioso assassino que ceifa vidas.
Países desenvolvidos como Itália, França,
Suíça, Alemanha, Inglaterra, Áustria,
Holanda, Suécia, Austrália, Japão
decidiram há 20 anos que não há forma
segura de se evitar a contaminação. E, definitivamente,
proibiram qualquer uso do amianto e qualquer de seus tipos
e formas.
No Brasil, dez anos depois de sancionada a Lei 9.055/95
do uso controlado ou seguro do amianto, sua absurda utilização
continua a colocar desafios e algumas interrogações
cruciais, embora se intensifiquem ações
para sua proibição puxadas pelos movimentos
sociais e, principalmente, pelas vítimas.
Será uma exigência de preservação
da vida humana, avançar nesta questão e
banir todas as formas de amianto? Existe uma dívida
social do amianto, uma conta que a sociedade ainda não
pagou para as vítimas desta morte lenta, muito
embora já tenha identificado o assassino?
Considerando que estas interrogações não
podem ficar sem resposta, convocamos a sociedade civil
para um grande Tribunal na Faculdade de Direito do Largo
de São Francisco, na USP, onde vamos colocar em
julgamento a questão: Povo x Amianto.
As
históricas e centenárias arcadas do Largo
de São Francisco que abrigaram os mais importantes
debates de nossa sociedade contemporânea; de onde
brotaram tantas iniciativas e ações que
transformaram nossa realidade social são o espaço
conveniente para a realização de tal evento.
O 28 de Abril é o Dia Internacional em Memória
dos Trabalhadores vitimados por acidentes e doenças
provocadas pelo trabalho, desde 1969, em decorrência
da explosão da mina de Farmington, West Virginia,
nos Estados Unidos, onde morreram 78 mineiros. Desde o
ano de 2000, a OIT-Organização Internacional
do Trabalho incluiu em seu calendário oficial esta
data para denunciar a morte anual de 2 milhões
de trabalhadores em todo o mundo, vítimas da omissão,
das escolhas tecnológicas inadequadas, da precarização,
da perversa organização e brutalização
do mundo do trabalho e de ações que deliberadamente
excluem o ser humano da centralidade do mundo do trabalho.
Relembrar os mortos e lutar pela vida é o lema
desta data celebrada mundialmente e é mais um motivo
para que reflitamos as escolhas de nossa sociedade industrial
e os custos sociais a serem pagos em função
destas escolhas.
Este
é um tempo de conscientização da
Sociedade, pois a Natureza não é uma fonte
inesgotável de bens da vida. É preciso interagir
com harmonia com tudo o que nos cerca para marcar nossa
atuação sobre a Terra, à vista de
um projeto de sustentabilidade da vida.
A
grandeza da caminhada que nos trouxe até aqui foi
a capacidade de transformar a natureza e reconstruir o
nosso entorno; porém, esta alavanca da transformação,
que fez a glória da Humanidade, pode ser o indicativo
da tragédia, se não houver respeito às
normas internacionais que buscam garantir o direito ao
trabalho decente.
Os
trabalhadores e os empresários necessitam debater
argumentos que apresentem as informações
urgentes e necessárias, pois não podemos
fugir das perguntas e das respostas: afinal, é
ao povo que pertencem aqueles poderes do Estado que em
seu nome são exercidos.
Promoção:
Departamento de Direito do Trabalho da Faculdade de Direito
da Universidade de São Paulo
Associação dos Advogados Trabalhistas de
São Paulo
Sindicato dos Advogados do Estado de São Paulo
Associação Brasileira dos Advogados Trabalhistas
Associación Latinoamericana de Abogados Laboralistas
Movimento 28 de Abril
FONTE:
http://www.biodireito-medicina.com.br/