A nova geração de sementes de soja não
tem como principal objetivo maior produtividade por hectare
ou resistência a doenças comuns nesse tipo
de lavoura. Os agricultores devem ter em mãos,
na próxima safra, variedades que poderiam trazer
no rótulo a inscrição “agradável
ao paladar do consumidor”. Centros de pesquisa em todo
o País desenvolveram sementes de soja sem o gosto
de mato e o ranço característicos do grão.
Os estudos agradam não só às pessoas
que comem soja, mas também à agroindústria
brasileira, que poderá aumentar o leque de produtos
derivados, de forma mais barata.
Apesar
de o Brasil ser o segundo maior produtor mundial de soja,
cultura com maior superfície de área plantada
no País, o grão raramente entra no prato
dos brasileiros. Mesmo com os imprevistos climáticos
que destruíram ou interromperam o crescimento de
lavouras no Sul do País, principal região
produtora, a safra de soja deste ano é estimada
em 50,2 milhões de toneladas, o que corresponde
a um crescimento de 0,9% sobre a anterior, de acordo com
o último relatório da Companhia Nacional
de Abastecimento (Conab).
A
farta produtividade e o custo de produção
em níveis normais levam os pesquisadores a acreditar
que a soja é produto raro na mesa do consumidor
brasileiro por causa do sabor. Os estudos para desenvolver
as novas variedades, de gosto mais suave e atraente, partiram
da identificação das enzimas que marcam
a soja tradicional como rançosa e com gosto de
mato. A partir daí veio o trabalho de desenvolver
variedades que tivessem um bloqueio natural à presença
dessas enzimas.
Pesquisadores
da Universidade Federal de Viçosa (UFV) começaram
a estudar, no Sul de Minas, cultivares sem gosto desagradável
nos anos 90. “Nosso objetivo inicial era introduzir a
soja na alimentação humana, melhorando o
grão para uso na agroindústria. Quando começamos
as pesquisas, não se usava quase nada disso”, lembra
o professor Maurílio Alves Moreira, pró-reitor
de pesquisa e pós-graduação da UFV.
O trabalho inicial contou com o apoio da multinacional
Nestlé, que buscou na universidade ajuda para a
criação de variedades de soja para alimentação
humana.
“A
empresa tinha um leite que usava metade leite de vaca
e metade soja, fabricado em Três Corações.
Eles queriam uma variedade com sabor agradável,
para aumentar a quantidade de soja no produto”, lembra
o professor. Mesmo depois do fim da parceria com a indústria
privada, a UFV levou adiante o melhoramento genético
da soja, isolando as enzimas que dão gosto ruim
ao grão. Atualmente, a universidade tem em seu
nome as variedades comerciais batizadas de UFV TNs.
A
Embrapa Soja vai liberar aos produtores na próxima
safra as sementes BRS 213. Com trabalho de isolamento
de enzimas semelhante ao feito em Minas, a empresa diz
que o sabor será nitidamente mais suave. “Grande
parte do preconceito em relação ao gosto
característico da soja foi superado”, diz o pesquisador
José Marcos Mandarino, da Embrapa. As variedades
BRS foram obtidas com o cruzamento natural de espécies
diferente da leguminosa. Foram necessários 11 anos
para chegar a um tipo de soja mais agradável ao
paladar brasileiro e que também fosse adequada
para retirar o extrato solúvel, popularmente chamado
de leite de soja. A Embrapa começou os estudos
para desenvolver uma cultivar com sabor ainda mais suave,
devido ao maior teor de açúcares e amido.
"Nosso
objetivo inicial era introduzir a soja na alimentação
humana, melhorando o grão para uso na agroindústria"
- Professor Maurílio Alves Moreira, pró-reitor
de pesquisa e pós-graduação da UFV
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FONTE:
http://www.boletimpecuario.com.br/noticias/noticia.php?noticia=not6204.boletimpecuario&tudo=sim