Em
572 quilômetros de litoral existem riquezas naturais
incalculáveis, mas também muitas contradições
e conflitos que podem ameaçar a preservação
desse patrimônio a longo prazo. Garantir a sustentabilidade
desses ambientes para as próximas gerações
é o desafio não só do poder público
como também da sociedade civil. A elaboração
de estratégias e políticas voltadas para
o controle e monitoramento do meio ambiente dependem de
informações e estudos sobre a biodiversidade.
Uma
grande diversidade de peixes foi identificada nos estuários
da Zona Costeira do Ceará. Cerca de 159 espécies
diferentes compõem a ictiofauna de 17 estuários
do Estado, mostrando que há uma sanidade nos ecossistemas.
Essa informação faz parte dos estudos do
Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) da Zona
Costeira que está sendo realizado pela Superintendência
Estadual do Meio Ambiente (Semace) e executado pelo Instituto
de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal
do Ceará (UFC).
A
ictiofauna é composta pelas espécies de
peixes que ocorrem nos estuários. Conforme o coordenador
dos estudos de ictiofauna do ZEE, professor Manoel Furtado
Neto, que é coordenador do Mestrado em Engenharia
de Pesca da UFC e pesquisador do Labomar, quando é
realizada a identificação, estudo da diversidade
e a riqueza das espécies dos estuários,
têm-se uma idéia da sanidade daquele ecossistema.
O
pesquisador explica que os peixes carnívoros estão
no topo da cadeia alimentar e, se esses peixes são
apresentados em grande número de espécies,
“então quer dizer que está compatível
com o ecossistema como um todo”.
Apesar
de faltar identificar 30 exemplares de espécies,
por dúvidas taxonômicas, este é o
maior número de espécies de peixes já
coletados nos estuários do Estado em trabalhos
científicos. Pesquisas anteriores, da década
de 70 e 80, constaram 102 espécies nos Rios Jaguaribe,
Pacoti e Cocó.
Das
159 espécies, 16 delas , conforme Manoel Furtado,
não haviam sido citadas em trabalhos científicos
anteriormente. “Isso significa que existem estuários
com capacidade de, cientificamente, mostrar presença
de novas espécies”, disse. Segundo ele, uma grande
surpresa para a equipe de pesquisadores foi achar a raia
borboleta, em estuários como o Timonha, Mundaú
e Coreaú.
Os
estuários, conforme Furtado, são áreas
de berçários. “Isso mostra também
que eles ainda têm capacidade de berçários
. Tem peixes cartilaginosos, da classe dos elasmobrânquios
- dos tubarões e raias- até peixes ósseos,
que compõem as osteíctes”, disse.
O
Rio Jaguaribe, segundo o estudo, é o estuário
que possui o maior número de espécies em
quantidade, com 148 registradas. Em seguida, vem o Rio
Pacoti; no litoral oeste, tem os Rios Coreaú, Mundaú
e Acaraú com grandes quantidades de espécies
de peixes.
Conforme
ele, no Rio Jaguaribe, em 1976 foram identificados 84
espécies; nos anos 80, 102 espécies; em
1996, 67 espécies e agora, em 2004, 148. “O número
de espécies variou um pouco, mas não houve
um decréscimo ou acréscimo exagerado com
relação aos trabalhos anteriores”, destaca.
Ele
ressalta que os peixes são bioindicadores da diversidade
do ecossistema como um todo e alerta que devem ser monitorados
continuamente para avaliar o efeito da ação
do homem sobre o ecossistema. Após a finalização
do ZEE, Furtado sugere realizar um convênio entre
os órgãos ambientais para monitorar a ictiofauna,
para poder dar um diagnóstico mais preciso sobre
como está o ecossistema como um todo.
Ana Paola Vasconcelos
Da Editoria de Cidade
FONTE: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=195023