A
primeira boa notícia do ano para a conservação
da fauna silvestre brasileira vem do Zoológico
de Ribeirão Preto. Na virada do ano, os pesquisadores
do zôo descobriram o nascimento de um filhote de
mico-leão-da-cara-dourada (Leontopithechus
chrysomelas) no grupo de três indivíduos
mantidos na instituição. Ontem, a boa nova
se multiplicou. Ao invés de um, foram observados
dois filhotes agarrados às costas da fêmea,
mãe dos novos primatas. Com mais dois machos, a
família de cara-dourada do zôo agora conta
com cinco micos-leões.
O
nascimento dos filhotes estava sendo preparado há
cerca de um ano, quando os dois machos adultos chegaram
ao zôo de Ribeirão Preto depois de terem
sido apreendidos pelo Ibama durante operação
de fiscalização na região sul da
Bahia. A equipe responsável pelo manejo dos animais
no cativeiro é formada por duas biólogas,
um veterinário e um zootecnista. Com o nascimento
dos dois filhotes, a alimentação dos primatas
teve de ser reforçada. Os micos-leões recebem
diariamente porções balanceadas de frutas
frescas, queijo, iogurte e ovos cozidos.
Os
micos-leões-da-cara-dourada são endêmicos
da Mata Atlântica do sul da Bahia, onde, na Reserva
Biológica do Una, estima-se que existam cerca de
2 mil indivíduos em vida livre. Todavia, a situação
do mico-leão-da-cara-dourada é preocupante.
O animal está na classificação "em
perigo" na Lista das Espécies da Fauna Brasileira
Ameaçadas de Extinção. A principal
pressão sobre essa espécie vem da degradação
do habitat e da coleta para tráfico de animais
silvestres. Sua população é estimada
entre 2 e 5 mil indivíduos na natureza.
Os
cara-dourada-douradas são uma das quatro espécies
de primatas do gênero Leontopithechus existentes
no Brasil. Os demais são o mico-leão-dourado
- (L. rosalia): dos quatro micos-leões
brasileiros, o dourado é o que se encontra em melhor
situação graças ao trabalho desenvolvido
pela Associação Mico-Leão-Dourado
e pela equipe da Reserva Biológica de Poço
das Antas no entorno dos municípios de Cassimiro
de Abreu e Silva Jardim, no Rio Janeiro, área de
ocorrência da espécie.
De todos, o mico-leão-dourado é um dos mais
pesquisados e que tem recebido mais apoio de organizações
nacionais e internacionais devido à respeitabilidade
do programa de conservação da espécie.
A população selvagem de micos-leões-dourados
é estimada em pouco mais de mil indivíduos.
A espécie é modelo de conservação
de fauna ameaçada.
O mico-leão-preto - (L. chrysopygus),
original do Pontal do Paranapanema, em São Paulo,
está na lista de animais ameaçados como
espécie criticamente em perigo. Existe uma pequena
população de cerca de cem indivíduos
em cativeiro. Na natureza, a esperança de sobrevivência
da espécie está no manejo de meta- populações,
da mesma forma como foi feito com o mico-leão-dourado.
O mico-leão-da-cara-preta - (L. caissara)
é considerado espécie criticamente em perigo.
Possui uma pequena população quase toda
concentrada no Parque Nacional do Superagüi, no Paraná.
Seu alto grau de endemismo é um problema para a
conservação devido à pouca variação
genética entre os indivíduos dessa espécie.
Mata
Atlântica é berço das quatro espécies
de micos-leões
A
situação de cada uma das espécies
em suas diferentes regiões requer cuidados especiais
por parte dos gestores ambientais, pesquisadores e ONGs.
As espécies encontram-se em diferentes condições
na natureza, embora todas tenham em comum o fato de habitarem
fragmentos de Mata Atlântica. É justamente
este um dos principais fatores de ameaça aos micos-leões.
Apesar de considerada Reserva da Biosfera, a Mata Atlântica
continua a sofrer pressão provocada por expansão
urbana, avanço de áreas agrícolas,
desmatamento e tráfico de animais. Cada região
onde existem micos-leões possui características
sócio-ambientais distintas.
Esse
mosaico de diversidade é um desafio para a conservação
dos micos-leões e exige um delicado trabalho de
organização das informações
científicas existentes para a definição
de uma meta que seja global e ao mesmo tempo específica.
As ações de conservação dos
micos-leões são decididas por um comitê
internacional de especialistas criado e coordenado pelo
Ibama.
Jaime
Gesisky
FONTE: http://www.ibama.gov.br/novo_ibama/paginas/materia.php?id_arq=1762