O
Ibama autuou hoje a Multinacional Veracel Celulose em
R$ 320 mil, por impedir ou dificultar a regeneração
natural de florestas de Mata Atlântica em 1.200
hectares. Uma das maiores companhias do ramo no País,
a européia Veracel, situada em Eunápolis,
Sul da Bahia, foi enquadrada na Lei de Crimes Ambientais,
de 1998. O crime foi constatado com base, sobretudo, em
análises de imagens de satélite e informações
georeferenciadas sobre as áreas pertencentes às
empresas de celulose que atuam na região, fornecidas
pelo Ministério Público. Segundo o gerente
do Ibama no Sul da Bahia, José Augusto Tosato,
a Veracel compromete a Mata Atlântica com a plantação
do eucalipto.
A devastação preocupa o Ibama, entre outros
motivos, porque a Mata Atlântica é um dos
biomas mais ameaçados do planeta. No Brasil, restam
apenas 7% da sua configuração original.
“Diante desse fato, impedir sua regeneração
em área de 1.200 hectares é delito gravíssimo”,
afirmou Tosato. “Enquanto fazemos de tudo para conectar
os fragmentos florestais que resistem, via Projeto Corredores
Ecológicos, é inaceitável que empresas
trabalhem na contramão dessa estratégia
vital para a salvação da Mata Atlântica".
Segundo Tosato, o Ibama dará prosseguimento às
investigações, pois há indícios
de desmatamentos em outros pontos da floresta da região.
Uma vez confirmados, novos autos serão emitidos,
áreas serão embargadas para ser recuperadas.
A Veracel possui cerca de 140 mil hectares no extremo
sul da Bahia, 75 mil plantados com eucalipto para produção
de celulose. Metade da Companhia pertence à empresa
suec0-filandeza Stora-Enso, metade à brasileira
Aracruz Celulose.
Corredores Ecológicos - Quase todo sul da Bahia
foi beneficiado pelo Projeto Corredores Ecológicos,
de proteção e expansão de florestas
tropicais, entre as quais a Mata Atlântica. Nesse
capítulo, o projeto conta na Bahia com a parceria
do Governo do Estado, além da participação
de órgãos públicos e organizações
não-governamentais. “Objetivo é criar condições
para aumentar a conectividade dos remanescentes florestais”,
explica o gerente do Ibama no Sul da Bahia, José
Augusto Tosato.
Os Ministérios Públicos Estadual e Federal,
além de outras entidades representativas, solicitavam
ao Ibama informações sobre os impactos de
plantações de eucalipto (para produção
de papel) na Mata Atlântica. Este fato levou o órgão
a realizar audiência pública em Porto Seguro,
em outubro passado. Mais de 2.600 pessoas compareceram,
entre elas lideranças da comunidade, o que, para
o gerente do Ibama, demonstra a preocupação
que o tema suscita na Bahia.
Rubens Amadori
Ibama/Sede
FONTE: http://www.ibama.gov.br/novo_ibama/paginas/materia.php?id_arq=3507