Lana
Cristina
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Após reunião com madeireiros
do Pará, hoje (3), em Brasília, o governo
reavaliou a decisão de suspender todos os planos
de manejo florestal da Amazônia Legal. Também
ficou decidida a manutenção do recadastramento
dos proprietários de terra, seja de uso madeireiro
ou agropecuário. Para aqueles com propriedades
acima de 400 hectares, no entanto, os títulos ficam
inibidos até a apresentação dos documentos
exigidos pelo Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (Incra). Na prática, significa
ficar sem acesso a crédito e não poder dispor
da terra como forma de garantia ou para venda.
Segundo
o secretário de Biodiversidade e Florestas do ministério
do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, mais de
100 planos de manejo de propriedades com exploração
florestal, do sudoeste do Pará, estão garantidos,
desde que obedeçam aos critérios ambientais
estipulados em lei. Dos 24 suspensos anteriormente pelo
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama), cerca de 15 foram reconsiderados,
de acordo com Capobianco. "O restante é de
propriedades que ficam em áreas de conservação
ou em terras indígenas – esses não foram
aceitos antes, nem serão", afirmou. Os planos
de manejo são necessários para exploração
de madeira. Antes da reunião, os madeireiros afirmavam
que a safra florestal de 2005 estaria ameaçada
com a suspensão dos planos de manejo.
O
presidente do Sindicato da Indústria Madeireira
do Sudoeste do Pará, Luiz Carlos Tremonte, disse
ter ficado satisfeito com o resultado da reunião.
"O Incra nos prometeu enviar uma equipe para recadastrar
todo mundo da região na quarta ou quinta da semana
que vem. Também é preciso ressaltar que
ninguém perdeu o direito sobre sua área",
revelou. Ele afirmou que iria tranqüilizar o grupo
que lidera o bloqueio da BR-163 (Cuiabá-Santarém)
o mais rapidamente possível e garantir o fim do
isolamento do município de Novo Progresso. A cidade
está sem acesso há nove dias, quando um
grupo de madeireiros destruiu pontes e fechou a pista.
Eles reivindicavam a extensão do prazo para orecadastramento.
Em
Novo Progresso, parte do comércio está fechada
desde terça-feira e já se começou
a fazer racionamento de energia. A cidade é abastecida
a óleo diesel e, com o bloqueio, nenhum caminhão
foi autorizado a entrar na cidade. Com isso, conforme
relata o prefeito Toni Gonçalves, há uma
semana só há alimentos não-perecíveis
na cidade, como arroz e feijão. "Os mercados
estão todos fechados e o estoque já está
bastante reduzido", contou. O bloqueio produziu uma
fila de caminhões e outros veículos em pelo
menos 25 quilômetros da BR-163.
O
secretário de Biodiversidade disse que não
foi negociado o desbloqueio da BR-163 diretamente, já
que os madeireiros presentes à reunião de
hoje não são os que lideram o movimento.
Mas Capobianco se disse esperançoso de que a manifestação
chegue ao fim breve. E ressaltou que a portaria do Incra,
que determinou o recadastramento, não prevê
cancelamento de títulos nem integração
de posse pelo governo. "Queremos tranqüilizar
os proprietários: o recadastramento continua",
disse.
FONTE:
http://www.radiobras.gov.br/materia_i_2004.php?materia=215223&q=1&editoria=