Cidade
de Vinhedo, que tem o quarto maior IDH de São Paulo,
inclui atividades turísticas nos debates para a
elaboração da Agenda 21 local
MARÍLIA
JUSTE
da PrimaPagina
A
cidade de Vinhedo, que tem o quarto maior IDH (Índice
de Desenvolvimento Humano) do Estado de São Paulo,
está incluindo a exploração do turismo
nos debates para a elaboração da Agenda
21 local*** — um plano de desenvolvimento que engloba
meio ambiente, crescimento econômico e combate à
pobreza.
Ao lado de outras cidades da região metropolitana
de Campinas (SP), Vinhedo está entre as primeiras
do país a começar a formular sua própria
Agenda 21 — um processo apoiado pelo PNUD em nível
nacional. Um encontro na terça-feira reuniu secretários,
diretores da Prefeitura, organizações não-governamentais,
membros do Conselho do Meio Ambiente e vereadores para
discutir os rumos da Agenda na cidade. Segundo o secretário
municipal do Meio Ambiente, Mário França,
reuniões do tipo vão se repetir até
o final do ano, quando a Agenda já deve estar formulada.
No ano que vem, a intenção da prefeitura
é aliar a Agenda 21 a seu plano diretor.
Um dos participantes do encontro desta semana foi o professor
da USP (Universidade de São Paulo) e da PUC-SP
(Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo) Luís Trigo, que defendeu que a atividade
turística que não leva em conta aspectos
ambientais e sociais pode trazer resultados negativos
para um município. Com o ambiente degradado, o
turismo está fadado a se esgotar, afirma ele, que
defende que os projetos na área devem estar incluídos
nas Agendas 21 locais dos municípios.
Como exemplo do que defende, Trigo apresenta alguns casos
de cidades turísticas que, segundo ele, não
souberam aproveitar devidamente seu potencial ambiental.
“O litoral sul de São Paulo, Guarapari, no Espírito
Santo, Balneário Camboriú, em Santa Catarina,
são todos locais que tinham um enorme potencial
de exploração natural que não foi
aproveitado. Agora estão aí, com o ambiente
degradado e atraindo cada vez menos turistas”, afirma.
Para Vinhedo — que fica a 67 quilômetros da capital
e exibe um IDH de 0,857, o 12º do Brasil —, Trigo
sugere o aproveitamento da tradição rural.
“Vinhedo precisa redescobrir a sua vocação.
Qual é a tradição de Vinhedo? É
a agricultura, são as casas de finais de semana.
É uma cidade charmosa que deve aproveitar isso
para atrair um turismo de alto nível, das classes
média e alta”, defende. Ele critica os grandes
parques de diversão da cidade, HopiHari e Wet'n'Wild.
“Vinhedo não precisa desses monstros que não
atraem nada para a cidade em si. As pessoas vêm,
vão ao parque e vão embora, mal entram na
cidade”, diz. As críticas do professor aos parques
vão além. “Um parque aquático no
modelo do Wet'n'Wild não funciona no Brasil, os
donos não entenderam isso. Nem ele nem o HopiHari
conseguem criar um público cativo, que os visita
com freqüência. Tudo isso por uma série
de problemas de gestão desses parques”.
As administrações do HopiHari e do Wet'n'Wild
rebatem as críticas e afirmam que seus parques
estão atraindo cada vez mais visitantes e dando
lucro. “Temos uma média de 280 mil visitantes ao
ano, a temporada do último verão foi especialmente
produtiva”, afirma Sílvia Alencar, gerente de comunicação
e marketing do Wet'n'Wild. O diretor-financeiro do HopiHari,
Marcelo França, reconheceu que no Brasil ainda
não existe uma cultura de visitação
a parques, mas afirmou que o HopiHari está trabalhando
para criar esse hábito. “Esse conceito pode ser
comparado ao do shopping center no Brasil. Os shoppings
só prosperaram quando o público brasileiro
começou a se acostumar a esse conceito de consumo
e a freqüentar habitualmente pontos em que o atendimento
era prático e eficiente. A parquemania é
mais ou menos isso”, declarou.
A prefeitura de Vinhedo também defende os parques.
“O HopiHari passou por algumas dificuldades financeiras
no passado, mas já está passando por uma
reestruturação”, diz o diretor de Cultura,
Comércio, Indústria e Turismo da prefeitura,
Edilson Caldeira. No entanto, reconhece que o turismo
ambiental pode ser melhor trabalhado. “Vinhedo não
possui grandes atrativos naturais, mas isso não
significa que o ambiente não deva ser considerado
nas políticas de turismo”, diz Mário França,
da secretaria do Meio Ambiente. “É claro que não
vamos querer um tipo de turismo que vá afetar as
áreas naturais, devemos ter e teremos essa preocupação
em mente”.
Caldeira, por sua vez, explica que o foco da cidade agora
é a exploração do turismo cultural.
“Teremos agora uma amostra de dança, em agosto
vamos ter um salão de artes. São essas as
atividades com as quais estamos trabalhando agora para
atrair visitantes de fora”, conta ele. A tradicional Festa
da Uva da cidade também é outro ponto que
a Prefeitura pretende explorar o máximo possível.
Trigo concorda: “a tradição de Vinhedo é
a fruticultura, a produção de uva, de vinhos,
de geléias. É preciso aproveitar isso para
atrair mais visitantes”.
*** A Agenda 21 é um compromisso assumido por 179
países durante a Rio-92 e que organiza as iniciativas
de desenvolvimento sustentável. Existem três
tipos de agendas: a Agenda 21 Global é assinada
por todos os países e trata das políticas
mundiais de crescimento sustentável; as Agendas
21 Nacionais são feitas por cada um dos governos
dos países que assinaram o acordo; já as
Agendas 21 Locais são elaboradas por municípios
e comunidades com as ações que julgam ser
necessárias para seu desenvolvimento regional.
A Agenda 21 Brasileira foi elaborada por mais de 40 mil
pessoas e está em fase de implementação.
Seus princípios foram unidos ao Plano Plurianual
do governo federal para o período de 2004 a 2007.
FONTE:
http://www.pnud.org.br/meio_ambiente/reportagens/index.php?id01=1289&lay=mam