Palha
de coco verde, bagaço de cana-de-açúcar
e derivados de exoesqueleto de crustáceos (quitosana)
têm demonstrado grande eficácia para tratar
efluentes industriais e radioativos. Estudos desenvolvidos
pela pesquisadora Mitiko Yamaura, no Centro de Química
e Meio Ambiente, do Instituto de Pesquisas Energéticas
e Nuclares (Ipen), mostraram que esses materiais são
alternativas de baixo custo para o tratamento de resíduos
como o urânio, o tório e o cromo.
'Esses
elementos degradam o ambiente, são cancerígenos,
difíceis de serem descartados e, no caso do urânio
e do tório, altamente tóxicos e radioativos',
alerta a pesquisadora. Segundo Mitiko, a biomassa demonstrou
ser uma boa opção para tratar esses resíduos.
Palhas
adsorventes
Os
estudos que viabilizam a utilização da palha
de coco verde como adsorvente (que absorve e retém
substâncias) começaram a partir de um projeto
de iniciação científica da aluna
Raquel de Almeida Monteiro, das Faculdades Oswaldo Cruz
e bolsista do CNPq. Raquel e Mitiko obtiveram a fibra
do mesocarpo (camada fibrosa do coco verde), depois de
picar o fruto. Em seguida, o coco foi lavado por três
vezes e seco à temperatura ambiente.
'A
fibra de coco apresentou vantagens em relação
a outros métodos de separação, como
a resina de troca iônica, material industrializado
e mais caro', conta Mitiko. Mas, por enquanto, os estudos
são feitos apenas ao nível acadêmico
e outras pesquisas serão necessárias até
que a fibra de coco verde possa ser usada pelas indústrias
como um adsorvente.
Os
estudos com a palha de coco verde estão sendo feitos
principalmente para o tratamento do tório. De acordo
com Mitiko, trata-se de um elemento radioativo usado na
fabricação de eletrodos para lâmpadas
de descarga, em liga com tungstênio ou com níquel.
'Durante anos o Ipen processou a purificação
do nitrato de tório o que gerou efluentes contendo
resíduos do elemento radioativo.
O
trabalho que utiliza a palha de coco verde como adsorvente
foi premiado durante o Congresso Nacional de Iniciação
Científica, em novembro de 2003, em São
Paulo. No Centro de Química e Meio Ambiente do
Ipen também estão sendo realizados estudos
que usam o bagaço de cana-de-açúcar
para reter compostos orgânicos.
Ambas
as pesquisas já geraram patentes e o estudo com
a fibra da palha de coco verde será apresentado
durante o Congresso de Resíduos Industriais que
acontece entre os dias 17 e 20 de outubro, em Florianópolis,
Santa Catarina.
Quitosana
A
quitosana, produto obtido a partir do exoesqueleto de
crustáceos e usado na produção de
cosméticos, drogas e medicamentos, é outro
material pesquisado por Mitiko. Os estudos envolvem esferas
magnéticas de quitosana obtidas a partir da técnica
de emulsão contendo as nanopartículas magnéticas.
O processo consiste na dissolução da quitosana
em hidróxido de sódio, transformando-a em
flocos. Em seguida, é inserido material magnético
(nanopartículas), obtendo-se as esferas de quitosana.
Elas
são colocadas em meio aquoso contendo um resíduo
químico (óleo queimado, por exemplo). Um
campo magnético atrai as esferas de quitosana carregadas
com o efluente. Posteriormente, o efluente poderá
ser descartado possibilitando a reutilização
das esferas. 'Uma outra vantagem da técnica é
que ela pode ser empregada no tratamento de resíduos
não-magnéticos', explica Mitiko.
Segundo
Mitiko, o método combina as técnicas de
separação química e magnética
e é muito eficiente para poluentes em baixas concentrações.
'É uma tecnologia de baixo custo, de simples operação
e sem geração de efluentes secundários.'
Valéria
Dias - Agência USP
FONTE:
http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.asp?id=55328