Usinas
produzem eletricidade só para consumo próprio;
expansão depende de mudanças no setor elétrico
e de melhores projetos
JULIANA SERVIDONI
especial para a PrimaPagina
A expansão da produção de eletricidade
a partir de cana-de-açúcar depende da adoção
de novas regras para o setor elétrico e do aperfeiçoamento
dos projetos das usinas. Essa é a avaliação
do pesquisador Manoel Régis Leal, do Núcleo
Interdisciplinar de Planejamento Energético da
Unicamp. “As usinas devem apresentar projetos comerciais
para reduzir os riscos e o governo precisa mexer nas regras
que regem o setor elétrico”, defendeu ele durante
o seminário Alternativas Energéticas a partir
da Cana-de-Açúcar, realizado na quarta e
nesta quinta-feira em Piracicaba (SP).
Atualmente, 30 usinas no Estado de São Paulo produzem
energia a partir de biomassa, mas a maior parte é
aproveitada na própria produção de
açúcar e álcool. Pouca energia é
vendida para as companhias energéticas. Segundo
Leal, as regras atuais não dão segurança
ao usineiro, que teme fazer grandes investimentos para
gerar eletricidade e ter de vender a energia a preços
baixos, em leilões.
Com uma produção de cana-de-açúcar
prevista para este ano de 440 milhões de toneladas,
pelo menos matéria-prima não deveria faltar
para estimular as iniciativas. Um dos obstáculos,
porém, é a irregularidade no fornecimento
de energia. “O Brasil oscila entre a sobra e a falta de
energia. A palha e o bagaço da cana não
podem estar disponíveis só quando falta
energia ou quando é época de safra. A cana
deve ter uma dimensão maior e servir de fonte de
energia o ano todo”, afirma Leal.
Ele foi o coordenador industrial do projeto Geração
de Energia Elétrica por Biomassa, Bagaço
de Cana-de-Açúcar e Resíduos, feito
por meio de uma parceria entre o Ministério de
Ciência e Tecnologia e o PNUD, com financiamento
do GEF (Fundo para o Meio Ambiente Mundial).
O projeto resultou num estudo abrangente que, segundo
Leal, oferece uma visão aos pesquisadores sobre
custos de recolhimento, processamento, limpeza e transporte,
variação nos custos das operações
agrícolas (preparação do solo, plantio,
herbicidas e adubação), compactação
do solo e perda de produtividade, variação
de perdas agrícolas e redução na
capacidade de moagem.
A partir do levantamento, afirma o pesquisador, é
possível concluir que o Brasil não deve,
por enquanto, adotar outras tecnologias para produção
de energia por meio de biomassa — como a gaseificação
—, mas sim melhorar o processo já existente nas
usinas: o de produção de energia pelo vapor.
Fonte:
http://www.pnud.org.br/energia/reportagens/index.php?id01=1438&lay=ene