Maurício
Cardoso
Repórter da Agência Brasil
Brasília
- O Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento e o Japan Bank for Internacional Cooperation
(JBIC) firmaram hoje a primeira etapa do termo de referência
para a futura implantação de um programa
bilateral de biocombustível com vistas à
exportação de etanol e biodiesel para o
mercado japonês.
De
abril a dezembro de 2005, técnicos brasileiros
e japoneses farão uma radiografia minuciosa da
agricultura energética nacional e definirão
estratégias para a modernização do
setor e ampliação da produção
de álcool combustível no Brasil.
O
uso do biocombustível já é uma realidade
em vários países. Em 2003, o governo japonês
regulamentou a lei que autoriza a adição
de até 3% de álcool à gasolina. Agora
o interesse é financiar projetos de longo prazo
capazes de aumentar a produção brasileira
e garantir a exportação contínua
e regular do produto para o Japão. Com isso, o
Brasil teria excedentes exportáveis para atender
o mercado japonês que já começa com
uma demanda de 1,8 bilhão de litros por ano.
Anualmente,
o Brasil consome cerca de 13 bilhões de litros
de álcool combustível, puro ou misturado
à gasolina. O Japão também está
interessado na importação de óleo
de mamona para a fabricação do biodiesel
(mistura do óleo ao diesel de petróleo),
que será utilizado no Brasil a partir deste ano.
O futuro acordo bilateral também deve prever o
estímulo à fabricação de biodiesel
no Nordeste.
Segundo
o secretário-executivo do ministério, Luiz
Carlos Guedes, o provável acordo de cooperação
permitirá investimentos na expansão das
áreas de plantio de cana-de-açúcar,
na instalação de novas destilarias e na
modernização da infra-estrutura de estocagem
e transporte de etanol. "Este acordo teria um extraordinário
significado econômico, social e ambiental e fortaleceria
ainda mais a relação do Brasil com o Japão",
ressaltou.
Os
representantes do banco japonês não revelaram
o valor dos investimentos que poderão ser realizados
no Brasil na área de biocombustível. De
acordo com o diretor da instituição, Toshitaka
Takeuchi, o Brasil é o principal parceiro do banco
na América Latina, com uma carteira de US$ 8 bilhões
para investimentos nas áreas de petróleo,
saneamento, agricultura e logística, entre outras.
Takeuchi
ressaltou que o termo assinado hoje é apenas a
primeira etapa de um projeto estratégico de médio
e longo prazos. "O resultado definitivo só
será conhecido em dezembro, depois da realização
de todos os estudos necessários", afirmou.
FONTE:
http://www.radiobras.gov.br/materia_i_2004.php?materia=215162&q=1&editoria=