Grupo recupera planta usada no Chanel nº5


Um dos segredos do perfume mais famoso do mundo é o pau-rosa, uma árvore aromática nativa da Amazônia ameaçada de extinção

MARÍLIA JUSTE
da PrimaPagina

Símbolo de sofisticação entre as mulheres desde sua criação, em 1920, o perfume francês mais famoso do mundo tem entre os componentes de seu fascínio uma planta bem brasileira. O Chanel nº 5 utiliza o óleo do pau-rosa, uma árvore nativa da Amazônia. Mas não é apenas a criação mais famosa da empresária Coco Chanel que se beneficia do produto amazônico: esse óleo é matéria-prima de uma infinidade de perfumes, sabonetes e essências produzidos no Brasil e em outros países. A exploração é tão intensa que a planta foi colocada na lista das espécies mais ameaçadas de extinção.

Algumas indústrias acabaram recorrendo a fragrâncias artificiais criadas em laboratório.
A retomada da produção regular do óleo de pau-rosa poderá ocorrer em breve graças a uma associação de moradores do município de Silves (leste do Amazonas) que tenta, desde 2000, reforçar o plantio sustentável dessa árvore. A expectativa é de que em dois ou três anos aja um novo incremento na produção.

A AVIVE (Associação Viva Verde da Amazônia) realiza um projeto com as mulheres da região para a produção artesanal de perfumes, essências, sabonetes e velas aromáticas a base de plantas nativas da Amazônia. Ali, 33 moradoras fabricam, só em sabonetes, mais de 3 mil unidades ao mês. As essências usadas são de árvores nativas como a andiroba e a copaíba. O pau-rosa, embora bastante procurado, não pode ser usado tanto quanto se gostaria. Para extrair o óleo das poucas plantas que restam, sem causar impacto ao meio ambiente, os moradores utilizam uma técnica inédita: em meio à mata fechada, eles sobem na árvore — muitas vezes a mais de 30 metros de altura — e retiram apenas os galhos.

“Nós fizemos um levantamento em Silves da quantidade de pau-rosa que há na região”, conta a sócia da AVIVE Bárbara Schmal. “A conclusão a que chegamos foi de que não existem árvores suficientes nem mesmo para as comunidades realizarem um plano de manejo”, afirma.

Para retomar o plantio da espécie, as mulheres de Silves decidiram plantar mudas de pau-rosa nas clareiras naturais de uma área de 998 hectares entregue pelo governo do Estado do Amazonas para a associação. Ali, foram plantadas mais de 2 mil unidades de pau-rosa em 2000. “Nossa estimativa é que daqui a dois ou três anos nós já possamos usar o óleo das folhas e dos galhos do pau-rosa. Para a exploração das árvores vai demorar mais algum tempo”, conta Bárbara.

O Projeto Comunitário de Produção Sustentável de Óleos Essenciais em Silves tem o apoio do PROVÁRZEA/IBAMA (Programa de Apoio ao Manejo dos Recursos Naturais da Várzea). O programa, realizado em parceria com o PNUD, ajudou a AVIVE nos estudos sobre as plantas disponíveis para o uso da comunidade, na capacitação das mulheres para a atividade e na comercialização e divulgação dos produtos.

Fonte:
http://www.pnud.org.br/meio_ambiente/reportagens/index.php?id01=1511&lay=mam


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