BRASILIA
- O Partido Trabalhista Brasileiro - PTB indicou o Deputado
Pastor Reinaldo para ser membro de mais uma importante
CPI que será instalada no Congresso Nacional. Trata-se
de uma Comissão Parlamentar de Inquérito
destinada a investigar o tráfico de animais e plantas
silvestres, a exploração do comércio
ilegal de madeira e biopirataria no país.
A
indicação do nome do Pastor Reinaldo para
compor a CPI deve-se ao fato do mesmo, desde que chegou
à Câmara dos Deputados, manifestar preocupação
com a proteção da flora e fauna brasileira,
sendo ele autor de importantes proposições
com esta finalidade, destacando-se o PL 1647/2003 que
institui o Código Nacional de Proteção
aos Animais e o PL 905/2003 que prevê campanha de
combate ao tráfico de animais e plantas silvestres.
Pastor Reinaldo classifica a instalação
da CPI de "importante e oportuna" visto que
o tráfico de animais silvestres é o terceiro
maior comércio ilegal do mundo, perdendo apenas
para o tráfico de armas e de drogas, estes dois
últimos, segundo especialistas, se misturam tanto
que são encarados como um só. Movimenta
cerca de US$ 10 bilhões ao ano, sendo o Brasil
responsável por aproximadamente 10% desse mercado.
Por se tratar de uma atividade ilegal e por não
existir uma agência centralizadora das ações
contra o tráfico no país, os dados reais
sobre esse comércio ilegal são difíceis
de serem calculados.
O parlamentar foi informado pela RENCTAS - Rede Nacional
de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres que,
em estimativa, o tráfico de animais silvestres
no país, seja responsável pela retirada
anual de 38 milhões de espécimes da natureza.
Em cada 10 animais traficados, apenas 01 chega ao seu
destino final, os outros 09 acabam morrendo no momento
da captura ou durante o transporte. Todos os animais traficados
sofrem no esquema montado pelos traficantes, o qual inclui
como prática, anestesiá-los para que pareçam
dóceis e mansos, até furar os olhos das
aves para não enxergarem a luz do sol e não
cantarem, evitando chamar a atenção da fiscalização.
A RENCTAS informou também que além de ter
a sua biodiversidade ameaçada, o Brasil perde,
anualmente, com o tráfico, uma quantia financeira
incalculável e perde ainda uma gama irrecuperável
de seus recursos genéticos. Só o mercado
mundial de hipertensivos movimenta anualmente cerca de
US$ 500 milhões, e o princípio ativo desses
medicamentos é retirado de algumas serpentes brasileiras,
como a Jararaca(Bothrops jararaca). A cotação
internacional dos venenos ofídicos é altíssima:
um grama de veneno de Jararaca (Bothrops jararaca) vale
US$ 433,70 e o da Cascavel (Crotalus durissus terrificus)
US$ 301,40.
A CPI estará apurando principalmente as perdas
financeiras que o pais tem com esta atividade. O mercado
interno de animais comercializados ilegalmente, movimenta
muito pouco se comparado ao mercado externo. Os valores
alcançados internamente dificilmente ultrapassam
a casa dos US$ 200,00 por animal, enquanto no mercado
internacional, esses mesmos animais atingem facilmente
valores na casa de dezenas de milhares de dólares.
O Mico Leão Dourado (Leontopithecus rosalia) é
vendido internamente por R$ 500,00 e na Europa é
facilmente comercializado por US$ 20.000,00. O Melro (Gnorimopsar
chopi) é encontrado nas feiras livres do Sul do
país por R$ 80,00 e nos Estados Unidos por US$
2,500.00.
Recentemente foi descoberta, em sapos da Amazônia,
uma substância 27 vezes mais potente do que a morfina,
algo que pode mudar todas as formas de tratamento com
anestésicos no mundo. E o Brasil ganhará,
com isso, apenas mais um nome para colocar em sua lista
de espécies que estão ameaçadas de
extinção.
Pastor Reinaldo lamenta que o Rio Grande do Sul esteja
na rota do tráfico. A maioria dos animais silvestres
brasileiros comercializados ilegalmente provém
das Regiões Norte (Amazonas e Pará); Nordeste
(Maranhão, Piauí, Pernambuco e Bahia); e
Centro-Oeste (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul). De lá
são escoados para a Região Sudeste (Rio
de Janeiro e São Paulo) e Sul (Paraná e
Rio Grande do Sul), utilizando-se as rodovias federais
e as rotas aéreas. Os principais pontos de destino
desses animais são os Estados do Rio de Janeiro
e São Paulo, onde são vendidos em feiras
livres ou exportados através dos principais portos
ou aeroportos.
Os destinos internacionais desses animais são a
Europa, Ásia e América do Norte, onde chegam
para engordar coleções particulares, para
serem vendidos em Pet Shops ou compor o plantel de zoológicos,
universidades, centros de pesquisas e multinacionais da
indústria química e farmacêutica.
Também é grande o número de animais
silvestres exportados pelas fronteiras com os países
vizinhos, como o Paraguai, Argentina, Bolívia,
Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa,
nesses países os animais recebem documentação
falsa para seguirem o caminho do tráfico.
Outra rota importante de retirada de animais silvestres
brasileiros para o comércio internacional, situa-se
nas fronteiras dos Estados da Amazônia, principalmente
na Guiana, Venezuela, Colômbia, Suriname e Guiana
Francesa. De Uruguaina, no Rio Grande do Sul, saem animais
silvestres brasileiros para o mercado externo.
Além de ser autor de proposições
que visam a proteção aos animais e o combate
ao tráfico, Pastor Reinaldo indicou no Orçamento
Geral da União/2004 uma Emenda Parlamentar Individual
no valor de R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais) para
programas de combate ao tráfico no Estado do Rio
Grande do Sul.
FONTE: http://www.pastorreinaldo.com.br/