Esses
pronto-socorros ambientais abrigam 75% das espécies
ameaçadas de mamíferos, aves e anfíbios.
Mata Atlântica e Cerrado compõem a lista
dos 34 Hotspots mundiais
Houston, EUA, 02 de fevereiro de 2005 —
A ONG ambientalista Conservação Internacional
(CI) lança hoje, nos Estados Unidos, a segunda
edição do estudo sobre os Hotspots de Biodiversidade.
O novo livro identifica 34 regiões, hábitat
de 75% dos mamíferos, aves e anfíbios mais
ameaçados do planeta. Nove regiões foram
incorporadas à primeira versão do estudo,
publicado em 1999. Mesmo assim, somando a área
de todos os Hotspots temos apenas 2,3% da superfície
terrestre, onde se encontram 50% das plantas e 42% dos
vertebrados conhecidos. A Mata Atlântica e o Cerrado
compõem a lista dos Hotspots. Isso quer dizer que
esses biomas têm pelo menos 1.500 espécies
de plantas endêmicas – que só existem aqui
e em nenhuma outra parte – e já perderam 75% ou
mais de sua vegetação original.
“Os Hotspots são como pronto-socorros da biodiversidade”,
diz Russell Mittermeier, presidente da Conservação
Internacional e co-autor da publicação.
“A ampliação e atualização
do estudo mostram que nossos investimentos em conservação
em uma pequena área do planeta podem garantir uma
significativa parcela da biodiversidade. Mas, nós
temos que agir logo para evitar a perda desses insubstituíveis
armazéns de vida na Terra.”
O
livro Hotspots Revisited (Hotspots Revisitados) contém
uma análise detalhada das 34 regiões, com
dados sobre a diversidade dos grupos de flora e fauna,
as espécies-bandeira, as ameaças e ações
de conservação em andamento. Durante quatro
anos, 400 especialistas trabalharam para reavaliar os
Hotspots. “A nova análise se beneficiou muito da
colaboração entre países e organizações
e revela um aumento considerável do conhecimento
científico sobre as espécies e seus hábitats”,
explica Gustavo Fonseca, vice-presidente executivo da
CI.
Desta
vez, os cientistas estudaram mais do que as espécies,
também identificaram gêneros e famílias
que são específicos aos Hotspots, e concluíram
que eles detêm uma história evolutiva bastante
singular. O Hotspot de Madagascar e Ilhas do Oceano Índico,
por exemplo, tem 24 famílias de plantas e vertebrados
que não são encontradas em nenhuma outra
parte do mundo. “Sabemos que ao conservar os Hotspots,
nós não estamos apenas protegendo espécies,
mas também garantimos a conservação
de singulares linhagens da história natural,” disse
Mittermeier.
As
principais ameaças aos Hotspots incluem destruição
de hábitat; introdução de espécies
exóticas; exploração descontrolada
de espécies para produção de alimento
e remédios; tráfico de animais; e mudanças
climáticas. Essas também são as principais
causas da degradação das nove áreas
incluídas na nova edição do estudo:
as Ilhas da Melanésia Oriental; a Floresta de Pinho-Encino
de Sierra Madre (no México e EUA), o Japão,
o Chifre da África, a Região Irano-Anatólica,
as Montanhas da Ásia Central, a Maputaland-Pondoland-Albany
(na África do Sul, Swazilândia, Moçambique),
as regiões do Himalaia e as Florestas de Afromontane
(na África Oriental).
A
revisão do estudo também serviu para avaliar
a evolução dos 25 Hotspots presentes na
última edição. O resultado revelou
boas e más notícias, dependendo do lugar.
Por um lado, alguns Hotspots já se deterioraram
significativamente. Sundaland, no sudeste da Ásia,
é um caso onde a exploração das florestas
por madeireiras comerciais e por projetos de agricultura
continua intensa. Por outro lado, há avanços
em políticas de conservação, como
em Madagascar, ilha no sudeste africano, onde o presidente
do país se comprometeu a triplicar a rede de áreas
protegidas.
A
CI já trabalha na maioria dos Hotspots e vai expandir
seus programas de conservação para algumas
das novas regiões apontadas pelo estudo. “A análise
sobre os Hotspots garante que nossos recursos serão
canalizados para as áreas onde podemos obter o
melhor resultado de conservação possível,”
declara Peter Seligmann, CEO e presidente do Conselho
da CI. Ele enfatiza a necessidade de mobilizar recursos
adicionais para desenvolver programas nas áreas
prioritárias recém-identificadas.
Hotspots
Revisited foi produzido com recursos da empresa CEMEX,
um dos maiores produtores de cimento do mundo, em colaboração
com a Conservação Internacional e Agrupación
Sierra Madre. Foi editado por Russell Mittermeier, Gustavo
da Fonseca, Michael Hoffmann, John Pilgrim, Thomas Brooks,
Patricio Robles Gil, Cristina Mittermeier e John Lamoreux.
Além do apanhado científico, o livro traz
cerca de 300 fotografias inéditas. A publicação
foi produzida em Inglês e Espanhol. O lançamento
no Brasil está previsto para o primeiro semestre
deste ano.
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O
CONCEITO DE HOTSPOTS
Foi concebido em 1988, pelo ecólogo inglês
Norman Myers. Ele definiu os Hotspots como ecossistemas
que cobrem uma pequena parcela da superfície da
Terra, mas que abrigam uma alta porcentagem da biodiversidade
global, com ênfase às florestas tropicais.
Mais tarde, o conceito foi refinado por Myers juntamente
com os pesquisadores da Conservação Internacional.
Dois fatores determinam a classificação
de uma área como Hotspots: o número de espécies
endêmicas (que existem ali e em nenhuma outra parte
do planeta) e o grau de ameaça. As plantas são
usadas como medida de endemismo. Os Hotspot têm
pelo menos 1.500 espécies das plantas endêmicas
perderam mais de 75% de sua cobertura vegetal original,
isolando muitas das espécies em pequenas ilhas
de floresta. Em alguns Hotspots a destruição
atinge 90% da paisagem. É o caso da Mata Atlântica,
da qual restam apenas 8%. Do Cerrado restam 22%.
HOTSPOTS NA NOVA EDIÇÃO
AMÉRICAS
1. Andes Tropicais
2. Tumbes-Chocó-Magdalena (Panamá, Colômbia,
Equador, Peru)
3. Mata Atlântica (Brasil, Paraguai, Argentina)
4. Cerrado (Brasil)
5. Chile Central – Florestas Valdivias
6. Mesoamérica (Costa Rica, Nicarágua, Honduras,
El Salvador, Guatemala, Belize, México)
7. Ilhas do Caribe
8. Província Florística da Califórnia
9. Floresta de Pinho-Encino de Sierra Madre (México,
EUA) (NOVO)
ÁFRICA
10. Florestas da Guiné, África Ocidental
11. Província Florística do Cabo (África
do Sul)
12. Karoo das Plantas Suculentas (África do Sul,
Namíbia)
13. Madagascar e Ilhas do Oceano Índico
14. Montanhas do Arco Oriental
15. Florestas de Afromontane (África Oriental)
(NOVO)
16. Maputaland-Pondoland-Albany (África do Sul,
Swazilândia, Moçambique) (NOVO)
17. Chifre da África (NOVO)
EUROPA
E ÁFRICA
18. Bacia do Mediterrâneo
ÁSIA
19. Cáucaso
20. Ghats Ocidentais (Índia e Sri Lanka)
21. Montanhas do Centro-Sul da China
22. Sunda (Indonésia, Malásia, e Brunei)
23. Wallacea (Indonésia)
24. Filipinas
25. Regiões da Indo-Birmânia
26. Himalaia (NOVO)
27. Região Irano-Anatólica (NOVO)
28. Montanhas da Ásia Central (NOVO)
29. Japão (NOVO)
OCEANIA
30. Sudoeste da Austrália
31. Nova Caledônia
32. Nova Zelândia
33. Ilhas da Polinésia e Micronésia (incluindo
Hawai)
34. Ilhas da Melanésia Oriental (NOVO)
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Imagens,
mapas e entrevistas estão disponíveis na
Conservação Internacional
FONTE:
http://www.conservation.org.br/noticias/noticia.php?id=71