Oficina analisa desmatamento e ocupação urbana na bacia da Guarapiranga


Objetivo do trabalho é envolver órgãos governamentais e entidades da sociedade civil na construção de um novo Diagnóstico Socioambiental para a Bacia do Guarapiranga, um dos principais mananciais da Região Metropolitana de São Paulo.

O Instituto Socioambiental (ISA) realizou nesta quarta-feira, 30 de março, a primeira oficina para a elaboração do Diagnóstico Socioambiental Participativo da Bacia da Guarapiranga. O evento, ocorrido na cidade de Embu, na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), contou com a participação de mais 30 representantes das prefeituras dos municípios da região e de órgãos governamentais estaduais, além de entidades da sociedade civil, pesquisadores e ambientalistas.

A oficina deu início a um processo de discussão para a consolidação de dados relativos à bacia da Guarapiranga - um dos principais mananciais da RMSP, responsável pelo abastecimento de água de mais de 3 milhões de pessoas. O objetivo do ISA, ao promover oficinas como essa, é envolver os diversos atores que trabalham sobre questões ambientais, urbanas e sociais na região para atualizar o diagnóstico socioambiental da bacia, realizado pela primeira vez em 1996. O projeto conta com apoio do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro).

Adensamento urbano às margens da represa Guarapiranga fotografado em março de 2005
Os dados trabalhados no evento dizem respeito à qualidade da água da bacia e sub-bacias, aos focos de erosão, aos índices de desmatamento de sua vegetação, de ocupação e adensamento urbanos, de exposição de usos do solo e de despejo de esgoto nos corpos d’água. Também foram expostos e debatidos dados referentes à diversidade de fauna e flora ali existente. As informações utilizadas na construção dos dados foram obtidas de documentos de órgãos oficiais, interpretação de imagens de satélite e incursões a campo, por terra e por sobrevôo de helicóptero, além de consulta a especialistas.

O cruzamento das informações gerou a produção de quatro mapas, principais objetos de estudo durante a oficina: o primeiro trata da qualidade da água da bacia da Guarapiranga, sua hidrografia e principais contribuintes, níveis atuais de erosão, detalhamento das áreas de várzea, de solo exposto e da formação de lagoas e açudes; o segundo mapa aborda a diversidade biológica da região, com a identificação das Unidades de Conservação, o grau de preservação e regeneração da vegetação nativa e a evolução do desmatamento entre 1989 e 2003; o terceiro mapa identifica os usos urbanos da bacia em 2003, com a localização e caracterização de condomínios residenciais, sítios e chácaras, clubes e indústrias instalados nos limites da Guarapiranga; o quarto e último mapa aponta a incidência de atividades de mineração e despejo e tratamento de resíduos sólidos, como aterros sanitários e lixões, dentro dos limites da bacia da Guarapiranga.

Subcomitê ativo
A oficina também teve a participação ativa de integrantes do subcomitê Cotia-Guarapiranga, colegiado que sofreu no ano passado um esvaziamento que comprometeu sua atuação no monitoramento ambiental da bacia da Guarapiranga. Esse esvaziamento decorreu, em grande parte, da desmobilização da sociedade civil e da ausência efetiva de técnicos das prefeituras da região, além do desinteresse do governo do estado de São Paulo em manter seus quadros atuando no subcomitê.

Os segmentos do subcomitê Cotia-Guarapiranga atuam no Comitê de Bacia do Alto Tietê e são responsáveis pelo Sistema de Gerenciamento Integrado de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, que visa conter as ocupações urbanas e degradações ambientais na bacia da Guarapiranga. A nova articulação do subcomitê, azeitada pela participação de seus membros na oficina deste semana, é fundamental para que a gestão da bacia conte com a participação efetiva da sociedade civil, como contraponto às estratégias e ações implementadas pelos órgãos governamentais.

FONTE:
http://www.socioambiental.org/nsa/index_html


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