Brasil unifica ações de acordos ambientais


MARÍLIA JUSTE
da PrimaPagina

O Brasil vai adotar uma estratégia única para cumprir seus compromissos ambientais assumidos internacionalmente. Signatário das três principais convenções criadas na Rio 92, maior conferência sobre meio ambiente da história, o país pretende adotar medidas abrangentes de modo a atingir as metas ligadas a biodiversidade, mudanças climáticas e combate à desertificação.

Isso significa, por exemplo, elaborar políticas que usem ações previstas em um acordo internacional para atingir objetivos de outro. Como criar unidades de conservação (previstas na Convenção sobre Diversidade Biológica) para conter a degradação do solo (objetivo da Convenção de Combate aos Desertos e à Desertificação) e deter o superaquecimento do planeta (meta da Convenção-Quadro sobre Mudanças Climáticas). O PNUD liberou uma verba de US$ 170 milhões para a iniciativa.

“Queremos sinergia entre as três filhas da Rio 92”, afirmou a ministra Marina Silva, durante a COP 8 (Oitava Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica), na semana passada. Segundo a ministra, os problemas tratados nos três documentos estão vinculados. “Evitar a perda de biodiversidade é prevenir a desertificação e as mudanças climáticas”, destacou.

É preciso uma “agenda concreta” para viabilizar a integração entre os três acordos, argumentou Marina. “A sinergia não se dá no abstrato, mas na prática”. A idéia foi defendida também pelos secretários-executivos das convenções sobre diversidade biológica (Ahmed Djoghlaf) e de combate à desertificação (Hama Diallo).

O anúncio da integração foi feito durante a COP 8, que ocorreu em Curitiba entre os dias 20 e 31 de março. Em 1999, o Brasil também sediou a Terceira Conferência das Partes da Convenção de Combate aos Desertos e à Desertificação, no Recife.

A Convenção de Combate aos Desertos e à Desertificação
A ONU definiu 2006 como o Ano Internacional de Combate aos Desertos e à Desertificação. O acordo internacional para combater esse problema é considerado um dos documentos internacionais de maior sucesso. “Os desertos não são um bioma universal, eles não existem em todos os países. Mas a Convenção de Combate aos Desertos e à Desertificação conseguiu o grande mérito de ser uma convenção universal, atingindo todos os 191 países-membros das Nações Unidas e convencendo-os da importância dessa questão”, lembrou o secretário-executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica, Ahmed Djoghlaf.

O secretário da convenção sobre desertificação, Hama Diallo, afirmou que o Brasil é um dos poucos países que podem criar um clima favorável para implementar as metas do acordo. A região do semi-árido nordestino é considerada crítica pela convenção. A seca ali ameaça transformar partes da região em deserto. “Se o Brasil não conseguir, nenhum outro país conseguirá”, disse Diallo.

FONTE:
http://www.pnud.org.br/meio_ambiente/reportagens/index.php?id01=1917&lay=mam


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