Curso mostra que reciclagem pode se tornar uma oportunidade de negócios


O ciclo de cursos organizado pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo– SMA desenvolveu, nesta quinta-feira (5/8), das 9 às 17 horas, o tema “Reciclagem: Novos Desafios”, com a participação de estudantes, representantes do poder público e da iniciativa privada, além de organizações não-governamentais e outros.

O curso, dividido em dois módulos, foi organizado pela Coordenadoria de Planejamento Ambiental Estratégico e Educação Ambiental – CPLEA, órgão da SMA, consistindo na apresentação e debate de questões relacionadas à reciclagem como oportunidade de negócio, além de exibir experiências que revelam a potencialidade criativa e a possibilidade na geração de trabalho e renda.

Na abertura do evento, o secretário do Meio Ambiente, professor José Goldemberg, destacou a importância do processo de reciclagem criando oportunidades que podem ser exploradas comercialmente, articulando de forma harmônica questões ambientais, econômicas e sociais. "A reciclagem deixou de ter um caráter romântico para ser uma oportunidade de negócios. Nesse contexto, considero da maior importância a atuação do SEBRAE, ao mostrar as oportunidades de negócios, do BNDES ao estabelecer possíveis linhas de crédito e da UNICAMP que, por intermédio do ITCP – Incubadora Teconológica de Cooperativas, vem promovendo tecnologias para viabilizar a reciclagem tanto do ponto de vista ambiental como do econômico", explicou.

Para Denise Rodrigues, mestre em Economia Industrial do BNDES, há exatamente três décadas, a instituição financeira tem uma atuação pioneira na área de meio ambiente. Para ilustrar, citou a responsabilidade adquirida pela incorporação do RIMA – Relatório de Impacto Ambiental às práticas financeiras e bancárias no Brasil. "Não existe nenhuma empresa financiada pelo BNDES que venha a causar danos ambientais, na medida em que estamos incentivando mecanismos para que seus clientes e fornecedores não tenham práticas incorretas. Com esse procedimento, a empresa cliente do BNDES torna-se automaticamente responsável pela atuação ambiental de seus clientes e fornecedores", disse.

Ao mencionar as dificuldades naturais de implantação enfrentadas pelas pequenas e médias empresas, a economista salientou: "O BNDES sempre disponibiliza recursos às pequenas empresas que trabalhem com reciclagem. Os financiamentos são realizados com taxas de juros a longo prazo, que são as menores praticadas pela instituição e os maiores níveis de participação do BNDES no empreendimento", concluiu.
Reciclagem de embalagens
Juliana Matos Seidel, da Tetra Pak, fabricante de embalagens, enfatizou a preocupação da empresa em estabelecer um mercado reciclador, pois, segundo disse, "não adianta produzir embalagens recicláveis se ninguém as recicla". A embalagem Tetra Pak é composta por seis camadas sendo quatro de polietileno, uma de papel e uma de alumínio.

A primeira etapa para o processo de reciclagem é a desagregação do papel por meio de agitação em água por um período de 15 a 30 minutos. O papel resultante pode ser utilizado, por exemplo, na fabricação de caixas e cadernos. O plástico e o alumínio, que sobram dessa primeira etapa de reciclagem, também são reciclados para produção de novos materiais, como telhas, móveis ou “pellets” para a fabricação de peças plásticas.

Atualmente existem oito empresas que trabalham com a reciclagem dessas fibras e mais duas estão em desenvolvimento. Dados de pesquisa da própria Tetra Pak confirmam o aumento de interesse pela reciclagem. Em 1993, a reciclagem era praticamente nula; em 1997, esse número passou para 5%; e, em 2003, atingiu 20%, o que representa um crescimento de 33% ao ano.

A empresa, para consolidar o sucesso da reciclagem, desenvolve um trabalho de conscientização da população. Com essa finalidade, há mais de seis anos, efetua ações de educação ambiental, produzindo folhetos para a divulgação da coleta seletiva e da reciclagem, não apenas de embalagens da Tetra Pak como de outros fabricantes.

Em seis anos do projeto, atingiu mais de 30 mil escolas, 5 milhões de estudantes e 1.480 professores. O projeto consiste em passar aos estudantes informações sobre o gerenciamento do lixo urbano, coleta seletiva, reciclagem e ciclo de vida dos materiais. Para isso, foi desenvolvido um “kit” composto pela cartilha "A Embalagem e o Ambiente" para alunos, pelo caderno do professor "Meio Ambiente, Cidadania e Educação", o vídeo "Quixote Reciclado", que mostra, de maneira lúdica e instrutiva, as ferramentas para o gerenciamento do lixo urbano, e a Revista "Cultura Ambiental em Escolas", com depoimentos e exemplos de ações propostas no material.

Livros sobre lixo e coleta seletiva são relançados
O curso “Reciclagem: Novos Desafios”, realizado nesta quinta-feira (5/8) pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado – SMA, apresentou palestras de especialistas de diversas áreas que abordaram questões relativas às tecnologias de reciclagem, envolvimento da comunidade e linhas de financiamento de projetos.

No final do evento, ocorreu o relançamento das publicações “Coleta Seletiva para Prefeituras: Guia de Implantação” e “Guia Pedagógico do Lixo”, editadas pela Coordenadoria de Planejamento Ambiental Estratégico e Educação Ambiental – CPLEA. Ambas as publicações encontram-se disponíveis no site www.ambiente.sp.gov.br, para uso de escolas, organizações não-governamentais, prefeituras e outras entidades.

O livro “Coleta Seletiva para Prefeituras: Guia de Implantação”, que já está na sua terceira edição, traz textos dos técnicos João Antonio Fuzaro e Lucilene Teixeira Ribeiro, da SMA. Com 32 páginas aborda questões como a educação ambiental, a coleta seletiva e as formas de implantação, prevendo tanto a remoção porta-a-porta como por intermédio de postos de entrega voluntária.

Traz ainda explicações sobre caracterização de resíduos, definição de áreas e locais para implantação e plano de trabalho, além das estrutura necessária e mão-de-obra, mostrando como as prefeituras devem proceder para implantar o sistema de coleta seletiva nos municípios.

O “Guia Pedagógico do Lixo” está na quarta edição constituindo uma fonte de informações para educadores e ambientalistas, mostrando a amplitude do problema dos resíduos sólidos e as formas de destinação adequadas. Tratando a questão de forma abrangente cita, inclusive, a questão do lixo atômico informando, por exemplo que as 100 toneladas de resíduos produzidas na Usina de Angra I se encontram armazenadas em uma piscina de concreto de forma a não promover a contaminação do meio ambiente.

Ao longo de suas 100 páginas relaciona o lixo com a questão da saúde e qualidade de vida, trata das formas de destinação adequadas, processos de decomposição e reciclagem, além dos aspectos que envolvem a comunidade cuja conscientização é fundamental para o equacionamento do problema.

Texto: Wanda Carrilho e Cintia Frassini

FONTE: http://www.ambiente.sp.gov.br/destaque/2004/agosto/05_EA.htm


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