(Vera
Saavedra Durão/Do Rio) - As indústrias brasileiras
reduziram aceleradamente, nos últimos 11 anos,
o consumo de substâncias destruidoras da camada
de ozônio. É o que mostra a publicação
Indicadores do Desenvolvimento Sustentado, divulgada ontem
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
O
consumo de produtos nocivos à camada de ozônio,
que correspondia a 11,2 mil toneladas em 1992, caiu para
4,36 mil toneladas em 2003. Apenas o consumo de CFC, utilizado
em geladeiras, passou de 10 mil toneladas para 3,0 mil
toneladas entre 1992 e 2003, uma queda de 70%, que supera
as metas de redução estabelecidas pelo Protocolo
de Montreal. A destruição da camada de ozônio
é a causa de um dos problemas ambientais mais sérios
atualmente, o aquecimento da Terra.
Por outro lado, o IBGE detectou em seu levantamento uma
elevação na ocorrência de queimadas.
Em 2000, segundo a pesquisa, foram detectados por satélite
104 mil focos de calor no Brasil. Em 2003, eles saltaram
para 212,9 mil focos, mais que o dobro. O instituto não
levantou dados referentes ao efeito estufa (CO2). Judicael
Clevelário, gerente de projetos da área
ambiental do IBGE, explicou que este é um processo
de dano ambiental diferente do que destrói a camada
de ozônio e é regulado pelo Tratado de Kyoto.
Apesar de a Organização das Nações
Unidas (ONU) não pedir levantamento das queimadas,
o IBGE constata que elas são responsáveis
pelo aumento do efeito estufa.
O técnico do IBGE conclui que no Brasil se desmata
muito mais do que é necessário para agregar
novas áreas de produção. "A
grande pergunta que fica é pensar, com base no
desenvolvimento que temos, que desenvolvimento queremos
e para onde queremos caminhar". A área desmatada
hoje apenas na Amazônia equivale ao território
do Estado de Sergipe, de 26 mil quilômetros quadrados.
No processo de diminuição da agressão
à camada de ozônio, as indústrias
de compressores para refrigeração tiveram
papel importante, ressaltou Clevelário, um dos
responsáveis pelo trabalho divulgado ontem. Ele
elogiou também a iniciativa do governo, pela legislação
que obrigou a redução do uso do CFC - substituído
por uma substância menos danosa, o HCFC - e que
concedeu mais créditos às empresas que tivessem
metas de redução desses poluentes.
Ao todo, o trabalho do IBGE levantou o comportamento de
59 indicadores do desenvolvimento sustentável,
que incluem ainda uso de agrotóxicos, as queimadas
e incêndios florestais, desflorestamento da Amazônia
Legal, qualidade de águas interiores, gastos com
pesquisa e desenvolvimento, gastos públicos com
proteção ambiental, consumo de energia per
capita, concentração de poluentes no ar
nas áreas urbanas, balneabilidade e doenças
relacionadas ao saneamento ambiental, dentre outros.
As boas notícias se concentraram, em grande parte,
porém, na menor agressão à camada
de ozônio. Houve também melhoria na qualidade
do ar. As concentrações de partículas
totais em suspensão, partículas inaláveis,
dióxido de enxofre e monóxido de carbono
estão diminuindo no ar, o único que não
está é o ozônio. Segundo Clevelário,
o ozônio na alta atmosfera serve de barreira aos
raios ultra-violeta, o que é bom, mas quando na
baixa atmosfera passa a prejudicar o ser humano.
A pesquisa ressalta o crescimento do uso de fertilizantes
que aumentam a produtividade nas áreas de plantio,
mas que têm implicações ambientais,
como a contaminação da água dos rios
e envenenamento dos alimentos. Para 53,5 milhões
de hectares plantados nas suas principais culturas, em
2002, o Brasil fez uso de 7,6 milhões de toneladas
de fertilizantes.
FONTE: http://www.ana.gov.br/SalaImprensa/noticias/05112004/6.htm