Brasília.
A combinação de diferentes fatores está
por trás da redução do desmatamento
na Amazônia anunciada hoje pelo governo: a queda
da competitividade de produtos agrícolas brasileiros
no mercado internacional, a maior presença do Estado
e a criação de unidades de conservação.
“O desafio é progredir na redução”,
diz Denise Hamú, Secretária-Geral do WWF-Brasil.
Segundo
estimativas oficiais apresentadas pelos ministros do Meio
Ambiente, Marina Silva, e da Ciência e Tecnologia,
Sergio Rezende, a queda foi de aproximadamente 30% no
período de julho de 2004 a agosto de 2005 (18,9
mil quilômetros quadrados) em relação
a julho de 2003 e agosto de 2004 (27,2 mil quilômetros
quadrados). Os dados foram obtidos a partir de análises
feitas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(Inpe). Para o WWF-Brasil, o importante é o governo
apresentar um plano de desmatamento com metas concretas:
“Se houver novamente a valorização de produtos
agrícolas, a multa aplicada pelo Ibama pode valer
a pena financeiramente para os que destroem a floresta.
A pergunta-chave é: onde o governo quer chegar,
qual é a meta de redução de desmatamento
anual? Sem ela, é difícil medir resultados
e planejamento a longo prazo”, diz Mauro Armelin, coordenador
de políticas públicas do WWF-Brasil.
Segundo
Armelin, a superprodução de grãos
e a valorização do Real reduziram a competitividade
da soja brasileira no mercado internacional, o que contribuiu
para a queda do desmatamento. Entre março de 2004
e agosto de 2005, o preço internacional da saca
da soja, a mais importante commodity brasileira, baixou
36%.
“É
preciso que haja coerência do governo e que a política
de contenção do desmatamento não
seja exclusiva de um ministério, mas de todo o
governo. Deve haver apoio a uma economia de base florestal
e maior presença do Estado, principalmente por
meio de unidades de conservação. E, o mais
importante é o combate à grilagem”, diz
Cláudio Maretti, Coordenador do Programa de Áreas
Protegidas do WWF-Brasil.
Fonte:
Helio Hara, comunicação institucional do
WWF-Brasil: helio@wwf.org.br