A pesca de arrastão de profundidade, que consiste
no arrasto de imensas redes a profundidades de mais de
mil metros, ameaça diversas espécies marinhas
ainda desconhecidas pela ciência.
Eric
Brücher Camara

Estima-se
que profundezas abrigam milhares de novas espécies
O
alerta foi lançado nesta terça-feira pela
Coalizão de Conservação das Águas
Profundas (CCAP), uma entidade que representa a comunidade
científica e pesqueira de vários países.
A entidade divulgou um relatório com um apelo para
a Organização das Nações Unidas
(ONU) pela suspensão da prática.
"Um arrastão de 15 minutos pode devastar um
habitat das profundezas, destruindo corais de águas
frias que levaram milênios para crescer", alertou
Kelly Rigg, coordenadora da CCAP.
"Nós podemos acabar levando à extinção
espécies ainda desconhecidas pela ciência",
acrescenta Rigg.
Cerca de 11 países são apontados no relatório
como responsáveis por esse tipo de pesca. Entre
eles, os mais ativos são, segundo a coalizão,
a Rússia, a Nova Zelândia e a Espanha.
ONU
Como a pesca de arrastão de profundidade é
realizada em águas internacionais, a coalizão
quer que a ONU proíba a prática.
"A Assembléia-Geral da ONU é responsável
pela administração das riquezas globais.
As negociações que acontecem no momento
vão determinar que tipo de ação será
tomada, se é que isso vai acontecer, na reunião
de novembro", afirmou Rigg.
Para arrastar redes a profundidades entre 750 metros a
1,5 mil metros de profundidade, são necessários
equipamentos avançados e embarcações
modernas.
Por outro lado, o retorno também é alto.
Os peixes capturados por esses navios são vendidos
para os melhores restaurantes de frutos do mar de Japão,
Estados Unidos e Europa.
O assessor político da coalizão, Matt Gianni,
calcula que a prática renda cerca de US$ 300 milhões
a US$ 400 milhões por ano.
O número pode parecer pequeno em comparação
com os US$ 75 bilhões que o setor pesqueiro fatura
anualmente, segundo a agência de alimentação
da ONU.
Brasil
Em compensação, o arrastão de profundidade
é realizado por apenas 200 a 300 navios, enquanto
a pesca tradicional envolve cerca de 3 milhões
de embarcações.
O Brasil é considerado pela CCAP um dos países
mais vulneráveis ao arrastão de profundidade.
Por isso, Gianni vai a Brasília nesta semana para
se encontrar com representantes dos ministérios
do Meio Ambiente e da Pesca e Agricultura.
"Sou otimista. Acho que o Brasil tem a possibilidade
de adotar uma posição bastante conservacionista.
O país não tem interesse econômico
nisso e tem tudo a perder, principalmente se essas frotas
intensificarem suas atividades no Atlântico Sul",
afirmou Gianni à BBC Brasil.
Para o assessor político da CCAP, o Brasil tem
espaço para ocupar, já que o governo tem
tentado assumir uma liderança mundial em defesa
dos países em desenvolvimento.
"Esse tipo de atividade predatória só
beneficia os países desenvolvidos, mas provoca
danos globais que afetam todo o mundo", completa.
FONTE:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2004/10/041005_oceanoebc.shtml