Conclusão
é de levantamento realizado em diversos biomas
do Brasil. Espécies exóticas são
consideradas a segunda causa mundial de perda de biodiversidade
Lígia
Formenti escreve de Brasília para “O Estado de
SP”:
Elas
desembarcam no Brasil de formas variadas - acidentalmente,
encomendadas para enfeitar jardins ou como sinônimo
de uma fonte promissora de lucro.
Em
pouco tempo, expõem um potencial destrutivo: reproduzem-se
de forma descontrolada, alteram o equilíbrio do
ecossistema, mudam a composição do solo
e passam a concorrer com espécies nativas.
Consideradas
como uma grave ameaça ao equilíbrio ambiental,
as espécies exóticas invasoras acabam de
ser alvo de um levantamento detalhado, feito em vários
biomas do País.
O
trabalho, divulgado em Brasília nesta quarta-feira,
revela que aqui existem mais de 350 espécies invasoras,
terrestres, no ambiente marinho ou em águas continentais.
Do
total, 64% – ou mais de 200 – já ameaçam
a biodiversidade local ou regional.
O
estudo teve financiamento do Ministério do Meio
Ambiente e comprovou que as espécies invasoras
estão presentes em todos os ecossistemas brasileiros.
"Quanto
maior o nível de degradação, mais
chances estas plantas têm para destruir e ocupar
a área", afirma a coordenadora do Programa
de Espécies Exóticas Invasoras para a América
do Sul da ONG The Nature Conservancy, Sílvia Ziller.
"Em
áreas preservadas, tais espécies podem ter
concorrência com as nativas para dividir o espaço
e alimento, o que dificulta a expansão."
A
invasão não é exclusividade brasileira.
O problema é a segunda causa mundial de perda de
biodiversidade. A resposta a essa ameaça varia
entre os países.
Vai
desde a proibição de importação
de espécies até a total ausência de
normas sobre o assunto. É o que ocorre no Brasil.
Aqui, a vigilância acontece somente para a área
agrícola.
Especialistas
e ministério querem mudar o quadro com um Sistema
de Prevenção e Análises de Risco.
Diante
do argumento de que o sistema pode emperrar negócios,
Sílvia tem uma resposta na ponta da língua:
"Com tais importações, poucos são
os ganhadores. E os prejuízos são inúmeros".
Os
exemplos são vários. Entre as pragas está
o capim annoni, introduzido no país na década
de 50 e que hoje toma conta de 1 milhão de hectares
no Sul.
Um
fazendeiro, de sobrenome Annoni, notou que o capim era
resistente à geada. Logo o imaginou como substituto
para outras gramíneas, usadas para alimentar animais.
Ele não contava com o fato de que os animais não
comem o tal capim.
O
estudo mostra que 32% das espécies exóticas
são de plantas ornamentais.
Em
seguida, vem espécies para alimentação
(24%), como carpa e abelhas africanizadas, e as forrageiras,
espécies usadas para alimentação
de gado (12%) e, por fim, árvores para plantio
florestal (8%) e para estabilização de solo
(4%).
O
restante foi trazido para fins desconhecidos.
O
trabalho também classificou as espécies
invasoras. No grupo de plantas 36% são árvores,
31% são arbustos, 12% herbáceas e 11% gramíneas.
Na
fauna, peixes e moluscos estão empatados na porcentagem:
20%. Logo depois vêm crustáceos, com 19%,
e mamíferos, com 13%.
Fonte:
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=32028