Mylena
Fiori
Repórter da Agência Brasil
Brasília
- O governo brasileiro quer proibir definitivamente a
importação de pneus usados e normatizar
o descarte, a coleta e a reutilização do
produto no país. Projeto de lei neste sentido foi
enviado ao Congresso Nacional há cerca de uma semana.
O texto, elaborado por sete ministérios - Justiça,
Saúde, Meio Ambiente, Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior, Relações Exteriores,
Fazenda e Casa Civil - agora será analisado pelas
comissões de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico
e Constituição e Justiça da Câmara
dos Deputados.
"O
projeto busca criar um sistema de gestão ambientalmente
sustentável para os pneus", resume o secretário
de qualidade ambiental do Ministério do meio Ambiente,
Victor Zveibil. De acordo com o secretário, o texto
estabelece conceitos sobre o que é pneu novo e
usado, formas de reutilização, institui
um sistema ambientalmente sustentável e repassa
ao Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) a responsabilidade
de regulamentar este sistema, "de maneira que o Brasil
não se torne o lixão do mundo", disse
Zveibil.
O
Brasil produz anualmente 50 milhões de pneus. Apesar
da importação de bens usados ser proibida
por resoluções, outros 11 milhões
de pneus usados entram no país todo ano, por meio
de liminares judiciais. E esse volume deve crescer ainda
mais a partir de 2006, quando entra em vigor norma da
União Européia que proibirá o descarte
de pneus em seus aterros sanitários e terá
que arrumar um destino para 80 milhões de carcaças
descartadas por ano.
"A
questão é bastante grave do ponto de vista
ambiental e de saúde pública e tem sido
objeto de várias disputas internacionais e pressões
para que os países em desenvolvimento recebam o
que eles já não podem descartar lá.
Sai muito mais barato exportar o lixo do que dar o tratamento
ambientalmente adequado", afirma o secretário.
Segundo
Zveibil, a União Européia alega, na Organização
Mundial do Comércio (OMC), que o Brasil recebe
pneus usados uruguaios e, por isso, deveria levantar permitir
a entrada de pneus de todos os países. "Recebemos
pneus uruguaios por conta de uma decisão do Tribunal
Arbitral do Mercosul, que nos obrigou a receber estes
pneus. Para o governo brasileiro, é uma questão
de meio ambiente e de saúde pública e, com
esta visão, o Brasil está decidido, se for
o caso, a enfrentar um contencioso com a União
Européia", revela.
Neste
sentido, é fundamental que o país tenha
legislação específica sobre o tema,
ainda que em tramitação. "Termos uma
legislação mais consistente e mais vigorosa
nos dá melhores condições neste debate",
avalia o secretário.
Fonte:
http://www.radiobras.gov.br/materia_i_2004.php?materia=245706&q=1&editoria=