Roger Harrabin
A
Grã-Bretanha revelou planos de investir em recursos
alternativos para geração de energia em
países em desenvolvimento através de dinheiro
coletado cada vez que um ministro ou servidor público
civil britânico viaja de avião a trabalho.
A idéia é contrabalançar o impacto
causado pela emissão de gás carbônico
(CO2) no ar a cada viagem aérea.
O plano deve ser adotado no próximo mês por
pelo menos três órgãos do governo
britânico – o Ministério do Meio Ambiente,
Alimentação e Assuntos Rurais, o Ministério
das Relações Exteriores e o Ministério
do Desenvolvimento Internacional.
Estes são os que mais realizam vôos e estima-se
que a contribuição arrecadada chegue a um
total de 500 mil libras (cerca de R$ 2,55 milhões)
por ano.
Pacote
Uma entidade independente vai calcular os pagamentos baseada
na distância voada e a altitude atingida.
Acredita-se que quanto mais alto for realizado o vôo,
maior a emissão de gases poluentes que contribuem
para as mudanças climáticas.
O fundo deve ser usado para investimentos em projetos
alternativos de geração de energia em países
como a Índia, a África do Sul e o Sri Lanka.
Os detalhes do projeto serão anunciados na segunda-feira,
como parte de um pacote de medidas para o desenvolvimento
sustentável a ser lançado pelo governo britânico.
Ambientalistas disseram que a iniciativa é um grande
passo no sentido de se tomar a responsabilidade pela emissão
do CO2, mas lembrou que o benefício não
será suficiente para compensar o aumento das emissões
gerado pela recente Lei da Aviação do Ministério
dos Transportes.
O órgão tem se recusado a aderir ao plano,
mesmo com o fato de seus ministros não estarem
entre os que mais viajam. Mas o Ministério do Meio
Ambiente espera conseguir reverter a situação
até a segunda-feira.
"Esta é uma idéia excelente e inovativa",
disse o ex-secretário do meio ambiente John Gummer,
do Partido Conservador. "Mas ela não pode
esconder o aumento impressionante das emissões
que vão surgir a partir da desastrosa política
de aviação do governo."
O Ministério do Meio Ambiente prefere a nova iniciativa
que projetos anteriores, que envolviam o plantio de árvores
e a compra de áreas florestais, porque crê
que os benefícios são maiores.
O governo britânico agora vem tentando convencer
as companhias aéreas do país a oferecer
uma opção para que o passageiro contribua
no ato da reserva para uma compensação para
a emissão de CO2.
FONTE: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2005/03/050306_avioesml.shtml