Um
grupo de pesquisadores europeus acaba de mostrar pela
primeira vez que mudanças climáticas em
um hemisfério implicam em alterações
na circulação oceânica do outro lado
do planeta.
Os cientistas observaram que, em diversos períodos
da história, quando houve uma elevação
na temperatura no hemisfério Norte, por exemplo,
o outro lado do globo experimentou um maior resfriamento,
o qual criou uma diminuição na quantidade
de águas profundas transportadas do Sul para o
Atlântico. O efeito oposto também foi identificado:
quando o hemisfério Sul entrou em um período
mais quente, o fluxo de água se dirigiu ao Norte.
Esses mecanismos que ligam as duas partes do globo já
haviam sido observados em simulações em
computadores, mas esta é a primeira vez em que
foram confirmados a partir de dados obtidos de experimentos
científicos que empregaram registros climáticos.
Os pesquisadores verificaram ainda uma diminuição
no volume de água fresca que se dirige ao fundo
do Atlântico Sul. “Embora não saibamos aonde
o aquecimento global nos está levando, isso pode
ser um sinal de que os oceanos já estão
se adaptando às mudanças no clima do planeta”,
disse um dos autores do estudo, Rainer Zahn, da Universidade
Autônoma de Barcelona, na Espanha.
A pesquisa foi feita por representantes da universidade
espanhola e da Universidade de Cardiff, no Reino Unido,
e publicado na revista Science. De acordo com os envolvidos,
os resultados devem permitir a elaboração
de previsões mais eficazes de como os oceanos reagem
a alterações no clima.
O estudo Southern hemisphere water mass conversion
linked with north atlantic climate variability, liderado
por Katharina Pahnke e Rainer Zahn, pode ser lido por
assinantes da revista Science, em www.sciencemag.org.
FONTE:
http://www.fapesp.br/agencia/boletim_dentro.php?data[id_materia_boletim]=3525