Transformar a água do mar ou salobra (subterrânea)
em água potável através de extração
de sais dissolvidos – dessalinização – pode
ser feita por osmose reversa, com o aproveitamento da
energia potencial gravitacional e energia eólica.
Pode-se chegar ao processo de dessalinização
com uma ou outra ou com ambas as energias. Este foi o
resultado de um estudo que nunca tinha sido apresentado
e utilizado no Brasil. Da autoria de Juvenal Rocha Dias,
esse estudo foi provado teoricamente em sua tese de mestrado
em julho de 2004, na Escola politécnica da Universidade
de São Paulo.
“Durante
a minha dissertação de mestrado provei teoricamente
que através da física – matemática
que o modelo funciona, aproveitando a energia do vento
e ou do sol para elevar um corpo até uma determinada
altura e depois aproveitar a energia do corpo para criar
uma pressão suficiente para dessalinizar à
água” – diz Juvenal. Agora, doutorando em Sistemas
de Potência, o Juvenal pretende provar na prática
que o estudo funciona, com a construção
de um protótipo no âmbito de uma das disciplinas
de seu doutorado – Tópicos Especiais em Manufatura
mecânica. O protótipo, que o engenheiro está
fabricando vai ser apresentado este mês, na Escola
Politécnica e não só tem a possibilidade
de dessalinização de água, mas também
de gerar eletricidade.
O
trabalho foi selecionado para ser apresentado no 10o Congresso
Brasileiro de Energia, que foi realizado no Rio de Janeiro
em outubro de 2004. No congresso foram apresentados e
debatidos vários trabalhos na área de energias
renováveis e não renováveis. Para
Juvenal, apresentar o seu trabalho no congresso possibilitou-lhe
trocar experiências com muitas pessoas, além
de seu estudo ter sido publicado nos anais do congresso.
Em
sua tese de doutorado, o pesquisador, também está
aprofundando questões que citou no mestrado: o
estudo de viabilidade econômica, provando que com
o projeto pode-se dissalinizar água a um custo
mais baixo do que com outras unidades convencionais que
usam eletricidade. Outro beneficio econômico é
a não emissão do Dióxido de Carbono
que contribui para o efeito de estufa. Estando assim,
de harmonia com o Protocolo de Quioto, que foi ratificado
com a intenção de “forçar” e sensibilizar
os países a reduzir suas emissões de Dióxido
de Carbono.
No
Nordeste e em Fernando Noronha, já têm exemplos
de experiências de dessalinização
também com a essência em osmose reversa,
porém, não com energia potencial gravitacional.
Também no Nordeste, a água mais concentrada
(salmoura) que geralmente é descartada pelo processo
- é aproveitada para criação de camarão
e para irrigação de uma planta especial.
Daí surgiu a idéia/sonho para Juvenal de
não só utilizar uma Unidade Industrial para
dessalinização, mas também como uma
atração arquitetônica e turística
para seu país – Cabo Verde: Aproveitando a salmoura
para fazer uma piscina, de relaxamento (onde a semelhança
do Mar Morto não se faz esforço para flutuar).Ou
mesmo fazer á volta da unidade organizar um espaço
verde com a tal planta. Entretanto, ele garante que essa
questão de atração turística
é um complemento, “para não ter apenas engenharia,
pretendo também embelezá-lo com um pouco
de arquitetura para realização de turismo”.
Ele
pretende levar, o Protótipo (que pode dessalinizar
de 5 a 7 litros de água por dia) para Cabo Verde,
provar ali também que ele funciona e a partir daí
fazer um protótipo maior com o objetivo de abastecer
inicialmente uma vila com pelo menos 3.000 toneladas de
água por dia. Questionado sobre financiamentos
já que o estudo tem um custo muito alto, Juvenal
diz: “Até agora o único financiamento que
consegui foi da Câmara Municipal de Porto Novo (cidade
da ilha de Santo Antão - Cabo Verde) – cerca de
R$ 1.000 - também tenho o suporte da USP, isso
não posso contestar, principalmente dos técnicos
da mecânica na Escola Politécnica”.
Fonte:
http://noticias.usp.br/canalacontece/artigo.php?id=9755