Ao
contrário daquilo que indica o senso comum, nem
a temperatura e nem a umidade do ar influenciam significativamente
no desenvolvimento de reações alérgicas
em pessoas que sofrem de rinite.
Os
responsáveis pelos sintomas, que vão de
simples espirros e coceiras à completa obstrução
nasal, são mesmo os poluentes, ainda que estejam
dentro dos níveis considerados aceitáveis
pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb).
Dentre
os tipos mais comuns, o que mais causa irritação
é o chamado material particulado (PM10), composto
principalmente pela fuligem que sai dos escapamentos de
veículos automotivos e das chaminés de fábricas.
Por
outro lado, pessoas que não apresentam queixas
de problemas desta natureza também são afetadas,
mas não da mesma maneira. 'Os pacientes respondem
de formas diferentes aos estímulos. Aquele que
tem rinite produz mais muco para dificultar a penetração
das partículas, enquanto o que não tem se
protege por meio das células ciliadas', explica
a otorrinolaringologista Fabiana Maia Nobre Rocha, que
recentemente apresentou seu doutorado na Faculdade de
Medicina da USP (FMUSP). De acordo com os resultados,
os não-alérgicos seriam mais sensíveis
ao ozônio (O3).
Enquanto
as pessoas com rinite respondem ao material particulado
aumentando a concentração de células
responsáveis pelo processo alérgico, como
os eosinófilos, e ciliciformes, que produzem muco,
os voluntários do grupo de controle apresentaram
aumento de células ciliadas, que funcionam como
uma espécie de filtro, e inflamatórias (neutrófilos)
para se proteger do ozônio. Segundo a pesquisadora,
os outros poluentes estudados, como o dióxido de
enxofre (SO2), o dióxido de nitrogênio (NO2)
e o monóxido de carbono (CO), 'provocaram reações,
mas não foram estatisticamente relevantes'.
Nos
outros aspectos analisados nesta parte, não foram
encontradas evidências de que variações
na temperatura ambiente ou na umidade do ar tenham auxiliado
no desenvolvimento de processos alérgicos na região.
Fabiana revela que o estudo, realizado com 40 pacientes
no município de São Paulo, é o primeiro
no Brasil a relacionar poluição com alterações
na celularidade nasal.
Estações
Além
de comparar os efeitos da poluição em portadores
de rinite com os considerados normais, Fabiana também
estudou como os dois grupos reagem nas diferentes estações
do ano. 'O clima de São Paulo é muito propício
para a realização desta pesquisa, pois dispõe
das quatro estações: primavera, verão,
outono e inverno. Queríamos ver se os pacientes
se comportam da mesma maneira no decorrer do ano'. A diferença
é que nesta etapa os voluntários eram comparados
com eles próprios.
Desta
vez, os resultados coincidiram com a sabedoria popular,
de que o inverno é o pior período para quem
sofre deste mal. 'Já para os não-alérgicos
foram encontradas alterações no ano inteiro.
Mas o pior período, para ambos, acontece do outono
até o começo da primavera.' Coincidência
ou não, os picos de concentração
do material particulado são justamente nos meses
de junho e julho. Inversamente, o ozônio teve os
maiores índices em pleno verão: janeiro
e fevereiro. Mas, de maneira geral, Fabiana recomenda
que o outono seja um período de prevenção.
'Como o inverno é a estação mais
poluída do ano, é aconselhável que
as pessoas se cuidem antes dele chegar', conclui.
Mais
informações: (082) 3231-4310 ou maiafabi@hotmail.com,
com a pesquisadora
Fonte:
http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.asp?id=69640