As
borboletas não têm um padrão de vôo
aleatório nos jardins, mas seguem rotas pré-determinadas,
de acordo com cientistas britânicos.
Uma equipe de pesquisadores fez esta descoberta ao acompanhar
o movimento de insetos em um radar, usando pequenos transmissores
presos às costas de borboletas, que também
forneceram informações sobre velocidade
e pousos.
Os detalhes da pesquisa foram divulgados na publicação
Proceedings of the Royal Society B.
A pesquisa foi feita com borboletas conhecidas como "pavão"
(Inachis io) e pequenas "cascos de tartaruga"
(Aglais urticae) e os transmissores usados pesavam
apenas 12 miligramas.
Depois de constatar que os transmissores não afetavam
o comportamento das borboletas, a equipe soltou 33 insetos
em um descampado com uma área de 500x400 metros
quadrados coberta por radar.
Isso permitiu que as borboletas fossem acompanhadas individualmente
por até 1 quilômetro. A trajetória
de 30 dos insetos foi acompanhada com sucesso.
Planos de vôo
Os resultados da experiência revelaram que essas
borboletas tinham dois tipos diferentes de planos de vôo:
movimento rápido e em linha reta, e não-linear
e mais lento.
Durante o vôo em linha reta, as borboletas se deslocavam
a uma velocidade de cerca de 2,9 metros por segundo. Durante
o tipo de vôo mais lento, os insetos buscavam néctar
de flores e voavam dando voltas no ar com uma velocidade
média de 1,6 metros por segundo.
Esse tipo de vôo em que a borboleta dá voltas
no ar parece ter uma função de orientação,
ajudando os insetos a identificarem as flores e pontos
de hibernação.
As borboletas puderam identificar e evitar habitats inadequados
tais como árvores densas a uma distância
de até 200 metros.
"Descobrir como as borboletas escolhem onde vão
e como usam o ambiente e se alimentam vai se mostrar muito
útil para os conservacionistas", disse Juliet
Osborne, do grupo de pesquisa Rothamsted, em Harpenden,
na Grã-Bretanha.
"Se nós conseguirmos financiamento, gostaríamos
de fazer um estudo muito mais amplo sobre borboletas por
vários anos. Isto nos daria informações
sobre como voam diferentes espécies e como elas
afetam ambientes diferentes."
"Se aconselhamos agricultores sobre se devem cultivar
cercas vivas e que tipos de colheitas devem ter para aumentar
a biodiversidade, quanto mais conhecermos sobre diferentes
espécies, melhor."
No passado já se usou radar para estudar os movimentos
de abelhas.
FONTE:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2005/04/050406_butterfliesg.shtml