Pará tem programa para produzir biodiesel


O Pará entrou na briga do biodiesel brasileiro, por meio da mamona, também conhecida como carrapateira. De acordo com o diretor da Secretaria Executiva de Agricultura (Sagri), David Ferreira, o próximo passo será colocar a mamona no Programa Pará-Biodiesel, que já engloba a soja e o dendê. Isso deve ocorrer em 2005, quando a mamona começará a ser plantada nas margens das estradas BR-316, BR-010 (Belém/Brasília), PA-150, PA-153, nos municípios de Marabá, Redenção e Dom Eliseu.

Segundo David Ferreira, vários motivos levaram a Sagri a incentivar o potencial agroindustrial da mamona. O primeiro deles está relacionado ao preço do litro do óleo, que hoje poderia ser comercializado a R$ 0,28, contra R$ 0,68 do dendê e R$ 0,72 da soja. Há cinco anos, o Pará recebeu a visita de empresários dos Estados Unidos e União Européia interessados na montagem de esmagadoras de mamonas para a produção do óleo, mas o negócio não vingou. No entanto, depois da valorização da cultura da mamona em todo o mundo, o Estado teve que rever sua posição e o secretário executivo de Agricultura, Francisco Victer, resolveu reiniciar as pesquisas interrompidas no final de 1999.

Inicialmente, a mamona será plantada em áreas de aproveitamento de roçado. Esta fase deverá durar três anos, para que, em seguida, a cultura se torne permanente. Outro motivo que levou o Estado, por meio da Sagri, a acreditar no biodiesel proveniente da mamona está ligado a fatores ambientais. De acordo com David Ferreira, o óleo da mamona não é corrosivo, não é poluente, não contém e nem precisa de aditivos e, principalmente, seu uso nas máquinas não afeta a camada de Ozônio que envolve o planeta. Além disso, o óleo da mamona tem hoje cerca de 450 utilidades, podendo ser aplicado como lubrificante e na produção de tintas. Com o óleo, poderão ser produzidos nylon, uma grande variedade de plásticos, além do produto poder substituir o composto altamente destruidor - o Cloro-Flúor-Carbono (CFC).

Hoje, em todo o mundo, existem quase 1,2 milhão de hectares com plantação de mamona, com destaque para países como a Índia, China, Brasil e Rússia. Os principais Estados produtores brasileiros hoje são Bahia, Piauí, Ceará, Paraíba, Goiás e Minas Gerais. “A renovação do interesse em plantar a mamona se deu depois que as pesquisas comprovaram a boa qualidade de um tipo de espécie nativa do Pará. Em três espécies existentes no Estado, o nível de óleo puro chega a quase 50%. Nos outros países, o nível de óleo não ultrapassa os 42%”, comentou Ferreira. Hoje, a produção mundial da mamona está em 1,15 milhão de toneladas, das quais 450 mil são oriundas do Brasil.
Para David Ferreira, não basta apenas plantar a mamona. “É necessário que sejam instaladas as esmagadoras, porque depois que a mamona é colhida ela tem que se benefeciada no máximo em 48 horas, caso contrário, o nível e qualidade do óleo caem drasticamente”, frisou o diretor da Sagri. Outra vantagem da mamona plantada no solo paraense está relacionada à produtividade. No Nordeste brasileiro, por exemplo, são colhidos 400 quilos por hectare. Em Goiás, a produtividade chega 1,2 mil quilos por hectare, enquanto que no Pará este nível chega a 1,4 mil quilos por hectare. Cada hectare de mamona plantada gera, em média, quatro empregos diretos. Diante deste número, o plantio da cultura deverá criar mais emprego nas áreas rurais paraenses.


FONTE:
www.amazonia.org.br


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