O
Brasil conhece pouco mais de 20% das espécies de
sua fauna e flora, cujo total estimado se aproxima dos
dois milhões. Este dado foi divulgado na quinta-feira
(6/10) no Palácio dos Bandeirantes, em São
Paulo, para ressaltar a importância da primeira
reunião da Comissão Estadual de Biodiversidade
do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas
Globais e de Biodiversidade, cujo objetivo foi de reunir
subsídios para a organização da 8ª
Conferência das Partes da Convenção
sobre Diversidade Biológica - COP8, que se realizará
em Curitiba, em 2006.
Além
do governador Geraldo Alckmin e de Fábio Feldmann,
respectivamente, presidente e coordenador-executivo do
Fórum, e do secretário de Estado do Meio
Ambiente, professor José Goldemberg, estiveram
presentes ao encontro vários especialistas em biodiversidade
do Ministério do Meio Ambiente, universidades,
institutos de pesquisa, órgãos governamentais
e outros.
O
secretário do Meio Ambiente lembrou que a reunião
constituía uma ótima oportunidade para antecipar
o debate de questões relativas à biodiversidade,
levantando propostas concretas para a COP8 que, pela primeira
vez, será realizada no país, ampliando o
foco do Fórum Paulista que, desde a sua criação
em fevereiro último, dedicou-se exclusivamente
à discussão das mudanças climáticas.
Fábio
Feldmann fez um breve histórico do Fórum
Paulista de Mudanças Climáticas Globais
e de Biodiversidade, instituído pelo governador
Geraldo Alckmin, por ocasião da entrada em vigor,
em todo o mundo, do Protocolo de Kyoto, para promover
a conscientização e o envolvimento da população
de São Paulo em torno desses temas e das implicações
do acordo mundial que tem como meta controlar a emissão
dos gases causadores do aquecimento global.
Feldmann
explicou que, no caso do Fórum Paulista, optou-se
pelo destaque à questão da biodiversidade
em razão das implicações do desmatamento
para o efeito estufa. Segundo explicou, o Fórum
Paulista tem entre outros objetivos a implementação
de políticas públicas em articulação
com o Programa Nacional de Diversidade Biológica
- PRONABIO e a Comissão Nacional de Biodiversidade
- CONABIO, assim como “estimular o setor empresarial paulista
a adotar medidas para a valorização de seus
ativos e redução de seus passivos ambientais,
promovendo a competitividade de seus produtos e serviços
nos mercados nacional e internacional.”
50% do PIB do país
Bráulio Ferreira de Souza Dias, gerente de Conservação
de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente,
lembrou que o grande desafio é tratar a biodiversidade
como tema central na sociedade e na economia. Citou como
exemplo que 50% do Produto Interno Bruto - PIB brasileiro
depende da biodiversidade, cujo “tamanho” é de
207.000 espécies conhecidas com o total estimado
em 1.867.000.
Souza
Dias informou que entre os temas centrais que serão
objeto de deliberação na COP8 estão
as diversidades biológicas das ilhas oceânicas
e das terras áridas e sub-úmidas, a iniciativa
mundial em taxonomia, o acesso e repartição
dos benefícios, e a educação e conscientização
pública. Entre os temas adicionais, citou 2º
Relatório de Perspectiva Mundial sobre a Diversidade
Biológica, o exame dos informes da Avaliação
de Ecossistemas do Milênio e do Plano Operacional
do Órgão Subsidiário de Assessoramento
Científico, Técnico e Tecnológico
- SBSTTA, os incentivos econômicos e as diversidades
biológicas agrícola, florestal, marinha
e costeira.
Os
participantes da reunião foram unânimes em
afirmar que a COP8 constituirá uma oportunidade
para o Brasil se posicionar adequadamente para interferir
nas decisões mundiais sobre a questão, por
ser o país que possui uma das maiores variedades
de espécies no planeta.
Texto
Mário Senaga
Fonte:
http://www.ambiente.sp.gov.br/destaque/2005/outubro/07_comissao.htm