Contaminação da água quintuplicou


Estudo aponta que, em 10 anos, faltará água para 40 milhões

Durante milênios a água foi considerada um recurso infinito. A generosidade da natureza fazia crer em inesgotáveis mananciais, abundantes e renováveis. Hoje, o mau uso, aliado à crescente demanda pelo recurso, vem preocupando especialistas e autoridades no assunto, pelo evidente decréscimo da disponibilidade de água limpa em todo o planeta. Recurso natural de valor econômico, estratégico e social, essencial à existência e bem-estar do homem e à manutenção dos ecossistemas do planeta, a água é um bem comum a toda a humanidade. O tema encerra o Projeto JP/24ª CRE na Sala de Aula, com duas reportagens.

A contaminação das águas de rios, lagos e lagoas do país quintuplicou nos últimos 10 anos, segundo o relatório O Estado Real das Águas no Brasil - 2003/2004, divulgado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A principal fonte de contaminação do meio ambiente no país, diz o estudo, é o despejo de material tóxico proveniente das atividades agroindustriais e industriais. Os pesquisadores apontam 20 mil áreas contaminadas no Brasil, com populações expostas a riscos para a saúde.

Dentro dos próximos 10 anos, prevê o documento, a escassez de água para consumo humano, que já acontece nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, vai se agravar profundamente, atingindo mais de 40 milhões de pessoas. O estudo critica o descaso dos governos de vários estados do Brasil para com os recursos hídricos e aponta as principais empresas poluidoras do Brasil. Na Região Sul, o relatório afirma que avança a degradação das águas pela contaminação das atividades agrícolas e industriais, com destaque para a suinocultura no oeste catarinense, a falta de controle ambiental do Paraná sobre as indústrias do Pólo Industrial Araucária e o descaso do Rio Grande do Sul com a contaminação do meio ambiente em Sapucaia do Sul.

Outro alerta diz respeito ao crescimento da contaminação da água do mar. O despejo de esgotos na região costeira do país representava há 10 anos a poluição de cinco quilômetros da costa e hoje os vestígios de emissão de esgotos nas águas oceânicas já atingem até 50 quilômetros da costa. No litoral sul-catarinense, por exemplo, há 10 anos um pescador capturava até 100 quilos de camarão por dia e hoje não consegue pescar mais que dois quilos. O estudo foi elaborado pela Defensoria das Águas - instituição que tem no seu conselho representantes do Ministério Público Federal, CNBB, Universidade Federal do Rio de Janeiro e Movimento Cáritas. O relatório foi feito a partir do mapeamento de 35 mil denúncias de agressão ao meio ambiente e ações civis públicas transitadas em julgado. O relatório da defensoria foi feito também para ser entregue à Organização das Nações Unidas (ONU) e ao Vaticano.

PATRÍCIA VARGAS

FONTE:
http://www.jornaldopovo.com.br/default.php?arquivo=_materia.php&intIdConteudo=42596&intIdEdicao=563


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