O Ministério do Meio Ambiente lança, em
abril, um programa nacional para capacitar gestores, conselheiros
e vereadores municipais em questões relativas ao
meio ambiente. Além disso, envia no primeiro semestre
ao Congresso Nacional uma proposta para regulamentação
do Artigo 23 da Constituição, o que melhor
definiria as competências de União, estados
e municípios na área ambiental e ajudaria
a evitar sombreamentos e disputas jurídicas e institucionais
na área de licenciamento. O anúncio foi
feito hoje pelo secretário-executivo do MMA, Claudio
Langone, durante a 8ª Marcha dos Prefeitos, em Brasília
(foto).
O programa nacional de capacitação levará
informações sobre legislação
e estruturação do setor de meio ambiente
a municípios de pelo menos dezoito estados até
o fim do ano. O objetivo é fazer com que os municípios
assumam cada vez mais responsabilidades, fiscalizando
e licenciando empreendimentos considerados de impacto
local e contribuindo para aliviar a pressão sobre
os governos estaduais e federal. Estados como São
Paulo e Rio Grande do Sul emitem mais de quinze mil licenças
por ano e, segundo estimativas do MMA, seis em cada dez
dessas licenças poderiam ficar a cargo dos municípios.
Oficinas mecânicas, suinocultura de pequeno porte
e até pequenas empresas poderiam ser licenciadas
e fiscalizadas por órgãos municipais, mantendo
os recursos arrecadados nas prefeituras.
A iniciativa também atende às prioridades
definidas na 1ª Conferência Nacional de Meio
Ambiente, realizada em 2003, quando ficou clara a necessidade
de mais investimentos nos municípios, não
apenas por serem os que menos contam com estruturas e
instrumentos de gestão, mas também porque
ganharão cada vez mais atribuições
devido ao processo de descentralização da
gestão ambiental que o Ministério do Meio
Ambiente está promovendo. De acordo com Langone,
isso tornaria o licenciamento ambiental "mais eficiente,
mais rápido e mais barato", pois seria feito
por profissionais que conheceriam a realidade local e
não seriam cobradas taxas para deslocamento de
técnicos de órgãos estaduais até
os municípios, por exemplo. "Não é
possível avançar em uma gestão ambiental
adequada para o Brasil sem a participação
dos municípios", disse o secretário-executivo.
Além disso, a descentralização seria
reforçada com a regulamentação do
Artigo 23 da Constituição, com base na dimensão
dos impactos causados pelos empreendimentos. O texto estabelece
que União, estados e municípios têm
competência pela administração de
assuntos relativos à proteção do
meio ambiente brasileiro. No entanto, as situações
em que cada um deve atuar não estão totalmente
esclarecidas. A aprovação de uma lei complementar
auxiliaria a evitar questionamentos jurídicos,
por exemplo, e a melhorar as relações entre
os órgãos ambientais com os ministérios
públicos estaduais e Federal. O Ministério
do Meio Ambiente envia, ainda em abril, ao Congresso Nacional,
uma proposta para regulamentação ambiental
do artigo.
A divisão de competências também é
debatida pelas comissões tripartites estaduais,
instituídas pelo MMA como um espaço de diálogo
entre os órgãos ambientais dos municípios,
dos estados, do Distrito Federal e da União. Para
contribuir com esse processo, o MMA reativou a Comissão
Tripartite Nacional e já criou comissões
em 24 estados, faltando ainda implementá-las no
Pará, no Amapá e no Distrito Federal.
O Ministério do Meio Ambiente tem sugerido aos
conselhos estaduais de meio ambiente que definam, de acordo
com as características de cada estado, quais são
as atividades de impacto local. Esse processo também
auxiliará na divisão de tarefas entre estados
e municípios. De acordo com a Resolução
237/1997 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, um município
deve possuir um conselho, legislação, infra-estrutura
e pessoal para que possa gerenciar o licenciamento e a
fiscalização ambiental. "O que é
de impacto local na Amazônia pode não ser
para a Região Sul. A definição de
quais atividades são de impacto local se dará
com acordos políticos", disse Langone.
Outras iniciativas do MMA voltadas aos municípios
são a implementação de Agendas 21
Locais e a criação de uma rede de fundos
de meio ambiente, ambas contando com o apoio do Fundo
Nacional do Meio Ambiente. E ainda, o Ministério
e a Confederação Nacional dos Municípios
assinam amanhã, durante a Marcha dos Prefeitos,
um acordo para parceria nas áreas de capacitação
e gestão ambiental compartilhada.
ASCOM
FONTE: http://www.mma.gov.br/ascom/ultimas/index.cfm?id=1603