O
esplendor de uma das mais belas plantas aquáticas,
a vitória-régia, que costumamos associar
à floresta amazônica, poderá ser apreciado
durante o mês de abril no Jardim Botânico
de São Paulo. Os dois exemplares introduzidos em
fevereiro do ano passado, no espelho d'água do
espaço conhecido como Jardim de Lineu, começam
a florir.
Como
a planta se encontra fora de seu ambiente natural, os
pesquisadores coletaram as sementes na floração
do ano passado e, em laboratório, prepararam novas
mudas para substitui-las. Porém, ao contrário
do esperado, a planta completou seu ciclo e este ano está
oferecendo novamente a beleza de suas flores. O cuidado
em protegê-las durante o inverno com uma pequena
estufa foi fundamental para o sucesso da aclimatação.
Mesmo
os pesquisadores do Instituto de Botânica, órgão
da Secretaria do Meio Ambiente do Estado, que administra
o Jardim Botânico, com longos anos de vivência,
não disfarçam sua ansiedade esperando a
oportunidade de poder observar novamente uma planta de
clima tropical, com temperatura e umidade diferentes das
que ocorrem
em São Paulo.
A
introdução da vitória-régia
no Jardim Botânico de São Paulo “foi mais
uma iniciativa para ampliar os atrativos deste espaço
de pesquisa e de lazer da sociedade paulistana”, explicou
Luiz Mauro Barbosa, diretor do Instituto de Botânica.
A
pesquisa é uma parceria do Instituto de Botânica
com o IBRA, cujo primeiro desafio é aclimatar a
vitória-régia no Jardim Botânico.
A proposta da parceria, no entanto, é mais ampla,
envolvendo o Projeto “Conservação da biodiversidade
nas nascentes do histórico Riacho do Ipiranga”
que, entre outras atividades, prevê a reativação
do hidrofitotério e desenvolvimento de outras pesquisas
da flora aquática nesse espaço.
Ciclo de vida da vitória-régia
A diferença climática foi um dos obstáculos
encontrados na aclimatação da vitória-régia,
pois, na Amazônia, encontramos condições
bem diversas com uma média anual de temperatura
de 26,65º C contra 19º C em São Paulo,
além de uma pluviosidade bem mais elevada.
A
raiz dessa planta fixa-se no fundo dos lagos e para realizar
o plantio no lago do Jardim de Lineu, foi necessário
acomodar as mudas em sacolas de lona preenchidas com lodo.
Uma análise do solo coletado em um dos locais de
origem da planta serviu de base para a composição
do lodo, enriquecido com os nutrientes necessários
para seu desenvolvimento.
É
nesse lodo que a semente germina, as raízes fixam-se
e as folhas começam a se formar no interior da
coroa, cada uma presa individualmente ao centro por uma
haste que vai nutri-la, como um cordão umbilical.
As primeiras folhas são arroxeadas porque não
apresentam todos os pigmentos de clorofila. As novas folhas
nascem maiores e mais vistosas, perdendo a cor roxa que
permanece apenas nas nervuras.
As
folhas permanecem fechadas até atingir a superfície
da água e, quando abrem, ganham o formato de uma
pizza cortada levemente na lateral da aba, permitindo
que a água acumulada escorra. Chegam a crescer
até 30 cm nos três primeiros dias, podendo
atingir até 2,5 metros. No décimo terceiro,
entram em um estágio de deterioração
e uma nova folha, que será maior que sua antecessora,
começa a brotar do centro da planta.
Uma
haste arredondada, coberta de pelos de diâmetros
extremamente reduzidos e de tamanhos variados, conforme
a profundidade do lago, prende a folha e a sustenta na
superfície da água com a ajuda das bolsas
de ar encontradas nas nervuras.
A
floração

Foto:
Carolina De Leon
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A
floração ocorre de janeiro a junho.
Suas flores são brancas na primeira noite,
abrem no segundo com uma coloração
avermelhada e, se polinizadas, adquirem um tom vermelho
púrpura em sua terceira e última noite,
com um diâmetro de aproximadamente 30 cm.
O desabrochar inicia-se ao entardecer permanecendo
por pouco tempo completamente aberta, quando espalham
uma agradável fragrância que atrai
insetos para seu interior. |
Minutos
após mostrar seu miolo, a flor se fecha e prende
o inseto que, repleto de pólen, no dia seguinte
será solto para realizar o polinização.
Para garantir sementes férteis e assim poder dar
continuidade ao ciclo, a polinização no
Jardim Botânico foi feita artificialmente. Os pesquisadores
aguardaram o momento exato no qual o inseto, ali ausente,
se encarregaria de fertilizá-la e, com os dedos,
fizeram
seu trabalho.
Nos
locais de origem a planta apresenta um ciclo ininterrupto.
O auge de seu ciclo coincide com o das enchentes e, nas
épocas de vazantes, com a diminuição
do nível da água, a vitória-régia
perde suas folhas, poupando energia.
As
sementes, quando maduras, soltam-se e bóiam. Com
a ajuda de uma bolsa de ar que as envolvem, percorrem
o rio até que estourem e as sementes afundem para
germinar.
Para
que as sementes colhidas no Jardim Botânico pudessem
germinar e serem plantadas no ano seguinte, foram armazenadas
em um frasco de vidro a uma temperatura de 24ºC e
no período certo, germinadas em laboratório.
O
Jardim Botânico de São Paulo localiza-se
na Avenida Miguel Stéfano, 3.031, no bairro da
Água Funda, na Zona Sul da Capital, permanecendo
aberto ao público de quarta a domingo, das 9 às
17 horas, com entrada de R$ 3,00 (menores de 10 anos e
maiores de 65 anos não pagam e estudantes pagam
R$ 1,00). Mais informações pelo telefone
11-5073.6300, ramal 225.
Texto e fotos:
Carolina De Leon
FONTE:
http://www.ambiente.sp.gov.br/destaque/2005/abril/08_vitoria_regia.htm