O
processo de exportação do mel produzido
no Piauí ganhou mais velocidade. Um dos responsáveis
por isso é o Laboratório de Controle da
Qualidade de Produtos Apícolas, da Embrapa Meio-Norte,
que começou a funcionar no segundo semestre de
2004. O laboratório realiza as análises
físico-químicas de mel com a agilidade que
o mercado exige. A Superintendência Federal de Agricultura
só libera o produto mediante o laudo positivo da
análise.
Antes
de o laboratório entrar em operação
os produtores de mel do estado enfrentavam uma verdadeira
ginástica burocrática para colocar o produto
no mercado internacional. As amostras com pedidos de análises
eram enviadas a Pernambuco e a Santa Catarina. Os laudos
só retornavam ao Piauí em até dois
meses. “Esse realmente era um dos entraves às nossas
exportações”, lembra o pesquisador Ricardo
Camargo, coordenador dos trabalhos.
Esse
laboratório também se tornou estratégico
à produção e desenvolvimento do mel
orgânico no estado. Segundo Ricardo Camargo, a estrutura
instalada dispõe de todos os equipamentos para
realizar as análises de resíduos de agro-químicos
que as certificadoras exigem para liberar o produto, cada
vez mais procurado no mercado internacional.
Primeiro
do gênero no Nordeste e passaporte às exportações,
o laboratório tem uma equipe de sete pesquisadores,
um técnico químico e seis estagiários,
que trabalha firme para alcançar duas metas importantes
no contexto do agronegócio do mel: receber a certificação
ISO 17025 e estabelecer os critérios para a criação
do selo de qualidade.
DESTAQUE
– O Piauí, que começou a produzir mel em
escala comercial em 1975, na região de Picos, ocupa
hoje um lugar de destaque nessa atividade. É o
maior produtor do Nordeste. Segundo dados do IBGE, o estado
produziu 3,1 mil toneladas de mel em 2003, ocupando assim
o quarto lugar no ranking nacional, perdendo apenas para
São Paulo ( 6,7 mil toneladas ), Santa Catarina
( 4,5 mil toneladas ) e Paraná ( 4 mil toneladas
).
O
pesquisador Ricardo Camargo ressalta, no entanto, que
muitas empresas do Sul e Sudeste “compram o produto aqui,
e exportam como se fosse produzido lá”. O Brasil
produziu em 2003, segundo o IBGE, 30 mil toneladas de
mel. As exportações no mesmo ano alcançaram
19,2 mil toneladas. O estado exportou, de acordo com a
Federação das Entidades Apícolas
do Piauí, 3 mil toneladas. Estados Unidos, Alemanha,
Inglaterra e Itália foram os principais países
importadores.
No
Nordeste o Piauí ganha disparado. Apenas o Ceará,
com uma produção de 1,8 mil toneladas; e
a Bahia, com 1,4 mil toneladas produzidas; reagem à
performance dos piauienses. A grande produção
de mel do estado está concentrada nas microrregiões
do Alto Médio Canindé, Picos, São
Raimundo Nonato e Médio Parnaíba Piauiense,
que reúnem 92 municípios. Neles, cerca de
20 mil famílias, a maioria de pequenos agricultores,
produzem mel. Eles estão organizados em nove associações,
seis empresas e uma federação.
EQUILÍBRIO – Alimento rico em energia, o mel tem
várias substâncias que ajudam no equilíbrio
dos processos biológicos do corpo humano. Nele
são encontradas proteínas de origem vegetal
( pólen ), minerais como cálcio, cobre,
ferro, cloro, magnésio, fósforo, potássio
e zinco, e as vitaminas A, B1, B2, B3, B5, B6 B8, B9,
C e D, embora em quantidades mínimas.
Ao
mel, em quase todo o mundo, são atribuídas
propriedades terapêuticas, como antianêmica,
antiputrefante, digestiva, laxativa e diurética.
Na França e Itália, por exemplo, a produção
de mel vem sendo pensada para o tratamento de úlceras
e problemas no sistema respiratório. Mas Ricardo
Camargo faz uma importante observação: “
o uso do mel deve ser estimulado como alimento de alta
qualidade com grande valor energético e, para fins
terapêuticos, deve ser indicado e acompanhado apenas
por profissionais de saúde, não cabendo
qualquer substituição de medicamento sem
o devido aval médico”.
Fernando Sinimbu
Jornaslista - registro 654 MTb/PI
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Fonte:
Embrapa
Meio-Norte