A
posição dos Estados Unidos de ignorar a
recomendação de reduzir as emissões
de dióxido de carbono está se tornando cada
vez mais difícil diante do curso da X Conferencia
sobre Mudança Climática, iniciada ontem
em Buenos Aires, e que deve prosseguir até o dia
17 de dezembro. Participam do encontro delegados de 140
países e 187 organizações não-governamentais
de todo o mundo.
As
entidades concederam o prêmio de "fóssil
do dia" aos Estados Unidos, pelas tentativas, frustradas,
de boicotar sessões importantes da conferência.
O governo de Washington tentava vetar a discussão
de temas como a possibilidade de pequenos países
insulares desaparecerem com o aumento do nível
das águas oceânicas devido ao efeito estufa.
O país governado por George W. Bush é responsável
por 25% dos gases responsáveis pelo superaquecimento
global.
Ambientalistas instalaram uma Arca de Noé
de 30m de largura no centro de Buenos Aires
Além dos Estados Unidos, apenas a Austrália
está entre as principais potências industriais
que se recusam a adotar os termos do Protocolo de Kyoto,
firmado em 1997. A convenção obriga os países
desenvolvidos a reduzir em 5,2% as emissões produzidas
por combustíveis fósseis até 2012.
A partir desta data, os países em desenvolvimento
também devem começar a redução
na emissão de poluentes.
Representantes dos Estados Unidos em Buenos Aires argumentam
que a assinatura do Protocolo de Kyoto implicará
em prejuízos econômicos para o país,
ademais de não considerarem justo que a medida
atinja primeiramente apenas um grupo de países.
De acordo com Harlan Watson, que representa os EUA no
evento, o país somente tomaria parte de um tratado
que “não cause danos essenciais à economia
estadunidense e que seja verdadeiramente mundial, ou seja,
que envolva todos os países”.
Mas, apesar da veemente negativa estadunidense, o Protocolo
de Kyoto vai entrar em vigor finalmente em fevereiro do
próximo ano. Isto se tornou possível depois
que a Rússia aderiu em outubro deste ano ao tratado.
Agora, a porcentagem coberta pelo protocolo chega a 61,6%
das emissões de gases tóxicos.
Outro país agraciado com o "fóssil
do dia" foi a Arábia Saudita, por exigir compensações
pela futura diminuição do uso de petróleo.
O prêmio consiste em pedaços de carvão
do Turbio, rio argentino contaminado pela produção
de energia elétrica de forma poluente.
Além deste gesto simbólico, os ambientalistas,
encabeçados pelo Greepeace, instalaram uma Arca
de Noé de 30m de largura no centro de Buenos Aires,
onde estão se abrigando "refugiados ambientais"
y as pessoas podem visitar uma exposição
sobre os efeitos das mudanças climáticos
em todo o planeta.
Conforme o Ministério argentino de Saúde
e Ambiente, responsável pelo evento, tanto nações
como indivíduos possuem responsabilidade por este
fenômeno que desestabiliza todo o mundo. "As
mudanças climáticas têm que ver com
o uso indiscriminado da energia, com a queima dos bosques
ou o incremento da indústria automobilística.
Ou seja, com coisas que envolvem a cada um de nós”,
declarou o ministro Ginés González García,
na abertura da Conferência.
Evandro Bonfim
Jornalista
da Adital
FONTE: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=14700