Argentinos vão investir em biodiesel em MT


24 Horas News

Sorriso terá em breve uma das maiores e mais modernas indústrias de esmagamento de mamona do País. É o que garantiu no sábado o empresário Ernani Garcia, do Grupo KMC, no encerramento do 1º Encontro Estadual da Mamona, realizado em Sorriso. As obras deverão ter início em fevereiro.

O empreendimento é resultado de uma parceria com empresários da Argentina, país que detém tecnologia avançada na industrialização da mamona. A fábrica, que deve entrar em operação ainda este ano, terá capacidade para processar cinco milhões de toneladas de bagas de mamona por ano e produzir, diariamente, dois milhões de litros de biodisel. A empresa também irá elaborar óleo refinado com as especificações de pureza exigidas pela Comunidade Européia.

A matéria-prima sairá das lavouras do Médio Norte mato-grossense. E gente interessada em plantar mamona não falta. De olho nas vantagens econômicas, produtores rurais, técnicos agrícolas e agrônomos de 20 municípios participaram do encontro realizado na sexta-feira e neste sábado, em Sorriso. “A mamona apresenta custo viável e bom retorno econômico, bem melhor que o milho, por exemplo”, afirma José Carlos Brustolin, que acaba de plantar 13 hectares da cultivar Mirante 10.

O Coordenador de Pesquisa da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Valter Martins de Almeida, diz que Mato Grosso, nos últimos cinco anos, vem cultivando a cultura da mamona no sistema de cultivo para agricultura familiar e com uso de cultivares de ciclos médio, tardio e precoce. Os resultados de pesquisa possibilitaram avaliar genótipos que melhor se adaptam no Estado, a cultivar Mirante 10, que já está sendo utilizada com sucesso.

Os experimentos em Cáceres e Várzea Grande também avaliam a nutrição - adubação da cultura e uso de fungicidas no controle de doenças. "A exploração da mamoneira, além de ser uma cultura a mais na diversificação de culturas, otimiza o uso da infra-estrutura da propriedade, sendo uma excelente rotação de culturas", avalia Martins.

Através da palestra ministrada pelo coordenador de convênios e Projetos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), Alexandre Galemo, o produtor também pode conhecer o programa de biocombustíveis de Mato Grosso. Criado em 2003, o Probiomat encontra-se em vigor. O programa que prevê o plantio de oleaginosas e a produção experimental de biodiesel. A Fapemat pretende equipar os laboratórios da UFMT, que realizará a caracterização físico-química do biodiesel, e da Unemat, que fará os testes de emissão de gases. “Utilizado em larga escala na Europa, uma lei do governo brasileiro estabelece como obrigatória a adição de 2% de biodiesel ao diesel em três anos e de 5% em oito anos. Em 2003, Mato Grosso consumiu um bilhão e oitocentos milhões de litros de diesel. O Brasil consome anualmente 40 bilhões de litros. O acréscimo de 2% representará um volume de 800 milhões de litros de biodiesel.

Alexandre Galemo explica que o produto não contém petróleo, mas pode ser misturado em qualquer quantidade com o óleo diesel comum. É biodegradável, não-tóxico e não contém enxofre. Entre as principais vantagens de seu uso também estão a redução da emissão de fuligem em motores de diesel e a não necessidade de adaptação nos motores para seu uso.

Neste sábado, os produtores rurais participaram de um mini-curso sobre o sistema de produção da mamona. O treinamento ministrado pela Empaer possibilitou ao agricultor adquirir maior conhecimento de técnicas sobre plantio, adubação, aplicação de defensivos, controle de doenças, colheita e armazenamento das bagas.

FONTE: http://www.diariodaserra.inf.br/showeconomia.asp?codigo=83139


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